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23/07/2008 - O Estado de Minas Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Crédito fácil expõe correntista a golpes

Por: Zulmira Furbino


Apesar dos apelos do governo para conter a farra do crédito no país e evitar o endividamento excessivo e a inflação, continua muito fácil tomar empréstimos no sistema bancário. Instrumentos como Crédito Direto ao Consumidor (CDC), empréstimo consignado, cartão de crédito e dinheiro em financeiras, entre outros, que deveriam servir apenas como atalho para a aquisição de bens e serviços, acabaram tornando o consumidor mais vulnerável. De um lado, o crescimento da renda das pessoas nem de longe acompanha o ritmo do aumento da oferta de crédito no mercado. De outro, a facilidade para a tomada de empréstimos acaba estimulando a ação de oportunistas, que já estão aplicando golpes nos correntistas.

No início deste mês, a funcionária pública aposentada L. R. S, de 68 anos, que nunca havia tomado um empréstimo bancário na vida, foi abordada numa rua do Bairro de Lourdes, em Belo Horizonte, e levada por dois homens a três agências do Banco do Brasil. O circuito começou na agência em que ela é correntista, onde foi obrigada a tomar um empréstimo de R$ 15 mil e continuou em outras duas agências de bairros vizinhos. Visivelmente abalada e praticamente sem dormir desde então, ela conta que os bandidos sabiam exatamente a quantia disponível para empréstimo e até mesmo a orientaram sobre a justificativa que deveria ser dada ao gerente. O montante, segundo ela liberado pelo banco sem qualquer questionamento, terá que ser pago em 70 prestações de R$ 495, quantia que representa 23,8% dos rendimentos mensais de L.R.S. “Eu não podia imaginar que tinha esse crédito disponível”, sustenta. Os ladrões ficaram esperando na porta da agência e ameaçaram a família da aposentada caso ela denunciasse o assalto à polícia.

“Os bancos precisam começar a tomar medidas de controle na hora de distribuir crédito na praça”, cobra a advogada da Associação Nacional dos Consumidores de Crédito (Andec), Lilian Salgado, lembrando que a instituição financeira tem co-responsabilidade na segurança da prestação de serviço. Para ela, a vítima do golpe tem de ser ressarcida, a exemplo do que ocorre nas fraudes com uso de cartão de crédito clonado, por exemplo. “Não é normal uma idosa que nunca havia feito empréstimo na vida sacar R$ 15 mil em poucas horas. Estamos falando de pessoas vulneráveis que nem sempre têm discernimento para compreender os riscos que envolvem o crédito pessoal e o cálculo dos juros. Os aposentados podem ser levados ao superendividamento”, alerta.

Em maio deste ano, o volume do crédito ofertado pelos bancos subiu 2,6%, atingindo R$ 1,04 trilhão, ou 36,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão é que termine o ano na casa dos 40% do PIB. O volume de recursos destinados pelos bancos para empréstimos às pessoas físicas é praticamente 10 vezes maior que a massa de renda real da população ocupada no Brasil.

Na avaliação do diretor da Tecto Tecnologia de Crédito, Cláudio Duarte, existe um descompasso entre a oferta de crédito e o crescimento da renda destinada ao pagamento dos empréstimos. “Em muitos países, quando a oferta de crédito cresce de forma muito acelerada, apesar de os problemas de inadimplência serem baixos, isso não quer dizer não existam riscos para a economia. Enquanto o crédito acelera, por exemplo, em cerca de 30% ao ano, qual é o ritmo do crescimento da renda das pessoas e do PIB do país?”, questiona.

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