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20/07/2008 - Correio da Manhã Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

O italiano que quer a coroa portuguesa

Por: Bruno Contreiras Mateus


Coleccionador de arte e mediador financeiro, o italiano Rosário Poidimani reclama para si o direito à sucessão da coroa portuguesa. Contra D. Duarte Pio, afirma ainda ser seu o título de duque de Bragança. Direitos que Maria Pia proclamava para si, desde 1957, e que lhos cedeu 30 anos depois. Hoje, a haver rei em Portugal, o venezo-siciliano e o duque de Loulé atacam o lugar do chefe da Casa Real Portuguesa.

D. Maria Pia – nascida em Lisboa a 13 de Março de 1907, filha de Maria Amélia Laredó e Murça e de pai desconhecido – reclamava ser ela a sucessora ao trono português e acusava D. Duarte Nuno – pai de D. Duarte Pio, o chefe da Casa Real Portuguesa – de apropriação do título de duque de Bragança. No seu livro ‘Memórias de uma Princesa Viva’, dizia ser a filha secreta de D. Carlos. Salazar não a apoiou.

Há uma versão de que, entre Dezembro de 1985 e Abril de 1987, Maria Pia, vivendo em Verona, Itália, seria sustentada por Rosário Poidimani. E é em 87 que ela abdica dos seus (alegados) direitos dinásticos portugueses a favor do italiano, que passa a intitular-se D. Rosário de Saxe Coburgo Gotha e Bragança. Este deveria pagar-lhe uma pensão vitalícia, que ela acusa nunca ter recebido.

'Eu pagava tudo a D. Maria Pia, até à data da sua morte', contradiz Rosário Poidimani. 'Paguei tudo tal como um filho pode fazer por uma mãe.' E garante que vai prová-lo.' Justifica o sucedido porque Maria Pia 'disse tudo o que lhe passava pela cabeça'. Contra este acordo, Duarte Pio afirma que Maria Pia não tinha qualquer título de nobreza comprovado. 'O Supremo Tribunal de Justiça tinha declarado que era filha de mãe e pai incógnitos.'

Um ano após a morte de Maria Pia (1995) – Poidimani cria a Real Casa de Portugal. E em 1979 já tinha inaugurado a sede de representação do Instituto Internacional de Relações Diplomáticas. Só que em Fevereiro de 2007 o italiano foi detido na operação ‘The Kingdom’ (‘O Reino’). Com ele foram arrestados sete colaboradores, acusados pela Justiça italiana de burla, falsificação de documentos, associação criminosa e extorsão.

Com a ideia de criar ‘o principado de Bragança’, suspeitava-se que Poidimani venderia títulos de nobreza (passaportes) com a promessa de contrapartidas vantajosas para os associados e as suas empresas, através de contactos importantes encetados pela Real Casa de Portugal – seria como uma ‘via verde’ diplomática. Declararam ainda as autoridades italianas que os empresários pagariam 50/100 mil euros, aliciados pela ideia de criarem um consulado e adquirirem o ‘kit diplomático’ com o símbolo e matrículas diplomáticas. Depois de sete meses de prisão foi libertado.

Poidimani afirma que 'só quatro ou cinco pessoas obtiveram estes cargos diplomáticos e para uso pessoal'. Nenhum era seu cliente, garante. E reitera que esta prática estava prevista nos estatutos da Casa Real e do Instituto. 'Na primeira audiência, D. Rosário foi absolvido da maior parte das acusações. Vai a julgamento se o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português não emitir, entretanto, um documento oficial dirigido ao processo ou ao Tribunal Administrativo a anular, por sentença, apenas o respeitante à legitimidade de D. Rosário usar os títulos dinásticos e aos actos por ele praticados como chefe da Casa dinástica de Bragança' – disse José Valdez, 41 anos. Para este apoiante do italiano,nabasedesteprocessoestão 'questões provocadas pelos funcionários do MNE relativas à legitimidade para usar os títulos'. Sustenta Valdez que os 'apoiantes de Duarte Pio, por ordem do então ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, desencadeiam acções abusivas que envolvem o embaixador [em Itália] Vasco Valente, o vice-cônsul [de Milão] Manuel Correia e o chefe do departamento jurídico do MNE, Luís Serradas Tavares, produzindo documentos de conteúdo falso, ilegal e atentatório das leis da República e da Constituição.'

José Valdez acrescenta que estes diplomatas 'informaram erroneamente as autoridades italianas de que o Estado português reconheceria oficialmente Duarte Pio, dando a entender que D. Rosário não passaria de um burlão, ridículo e pedindo mesmo às autoridades italianas que tomassem providências contra ele.' O documento em questão, frisa, foi divulgado na imprensa e no livro do Prof. Mendo Castro Henriques 'D. Du-arte e a Democracia'.

Portudo, Poidimania presentou uma queixa-crime contra os quatro representantes do Estado português, alegando terem motivado a sua detenção. 'Foram utilizados meios oficiais do Estado português para comunicar e divulgar factos que não correspondem, nem podem corresponder, à verdade. E que contribuíram, de forma decisiva, para a prisão preventiva de D. Rosário' – esclarece o advogado Bruno Gomes. Fonte do MNE confirma a acção, mas escusa-se a comentá-la: 'o caso está em segredo de justiça, pelo que não sabemos os crimes que são imputados. Sobre as queixas-crime, o MNE não tem posição, dado que são feitas a título individual. O MNE, como sempre, mantém equidistância sobre as pretensões de ambos os protagonistas, dado que no actual ordenamento constitucional, a questão é meramente privada.' Noutro processo, José Valdez requereu à Conservatória dos Registos Centrais de Lisboa a nulidade da certidão de nascimento de Duarte Pio. Alega o autor da acção que o pai do duque de Bragança falsificou o documento em causa, não devendo ter sido considerado de nacionalidade portuguesa porque, àquela data, vigorava a lei do banimento. Pretende ainda provar que terão 'inventado que Duarte Pio nasceu em território português, na Embaixada de Berna [na Suíça]'. Em sua defesa, Duarte Pio diz ter sido aconselhado pelo advogado a não falar sobre o tema. Mas acrescenta que 'o juiz não terá ainda aceite este caso'. O qual classifica de 'disparatado'. A lei do banimento retirava todos os direitos políticos e cívicos, mas não retirava a nacionalidade.' E refuta os atentados aos seus títulos. 'Sou sucessor de D. Manuel II por ser o parenteportuguêsmaispróximo dele.' Na sua casa em Vicenza, Poidimani diz ter recebido o líder do Partido Popular Monárquico (PPM), Nuno da Câmara Pereira. 'Fui a Itália duas vezes para conhecer uma pessoa que reivindica o que reivindica', afirma o deputado pela bancada do PSD. 'É uma pessoa estranha à sucessão' da coroa portuguesa. De resto, o deputado é defensor do duque de Loulé para suceder ao trono, o qual, aliás, também visitou o italiano.

Na opinião de Duarte Pio só pode haver um motivo para tantas disputas sobre a quem pertence legitimamente a sucessão ao trono português e o título de duque de Bragança. 'Eu só posso ver interesses financeiros, porque interesses políticos não vejo nenhuns.'

CASTELO EM 'VICENZA'

Instalado numa espécie de ‘castelo’ de mil metros quadrados, na zona industrial de Vicenza, tem escritório para o negócio pessoal, outro para a Casa Real e outro para o Instituto de Relações Diplomáticas. O edifício tem um imponente museu pessoal – que espera vir a 'depositar em Portugal' – com cerca de mil valiosas obras de arte, entre elas quadros de Pablo Picasso, Salvador Dalí, Ernst Ludwig Kirchner e Vasillij Kandinskij, e um vasto espólio de instrumentos de tortura medieval e mobiliário barroco. Outro dos seus interesses é investir no nosso País na área comercial e industrial. O italiano chegou a ter 'um apartamento normal' perto da Praça de Espanha, Lisboa. Entre 1985 e 96 era a sua segunda habitação, mas frequentava o Hotel Ritz. Foi assim até a sua mulher – e mãe dos filhos: Soraya, 43 anos, e Simone, 26, – morrer de cancro. Poidimani casou uma segunda vez, com a eslovaca Kristina, 28 anos, com quem tem uma filha, Krystal Isabel, 5. Os dois filhos mais novos vivem com o casal no 'coração' de Vicenza, numa casa com 12 quartos 'avaliada em três milhões de euros'. Mas sobre a sua fortuna pessoal, o empresário não aventa quanto vale.

FACTURAVA MILHÕES

Desde que foi detido, Poidimani, licenciado em Administração, suspendeu a actividade de mediador financeiro. Primeiro quer defender o seu nome. 'O meu trabalho não tem nada a ver com a Casa Real ou com outra instituição', avisa. Diz servir de intermediário para que os seus clientes (empresas) obtenham crédito bancário. São negócios sempre acima dos 5 milhões de euros. Com '50 representantes em todo o Mundo' – afirma – a sua empresa facturava entre 20 a 30 milhões de euros anuais.

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