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19/07/2008 - O Globo Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

PF indicia Daniel Dantas e mais 9 do Opportunity por gestão fraudulenta e formação de quadrilha

Por: Ricardo Galhardo


SÃO PAULO - A Polícia Federal indiciou nessa sexta-feira o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e mais nove pessoas investigadas na Operação Satiagraha, que apurou crimes financeiros, informou o advogado dos réus, Nélio Machado. Todos responderão por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. Dantas já é réu em um outro processo, este por corrupção ativa, em que é acusado de tentar subornar um delegado da PF que participou da operação. Esta primeira denúncia, feita pelo procurador Rodrigo de Grandis, do Ministério Público Federal de São Paulo, foi acolhida na quarta-feira pelo juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal.

Além do banqueiro, foram indiciados pela PF Verônica Dantas (sua irmã), Carlos Rodemburgo (sócio e vice-presidente do Opportunity), Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomáz, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Maria Amélia Coutrim, Dório Ferman e Danielle Silbergleid Ninio. Todos estiveram nessa sexta-feira na sede da PF em São Paulo para depor, mas por orientação de Nélio Machado, não responderam às perguntas feitas pelo delegado Protógenes Queiroz - que deixará o caso a partir de segunda-feira. Afastado do caso, O delegado apresentou ao Ministério Público Federal em São Paulo queixa formal contra a cúpula da PF, dizendo que faltaram-se recursos para a investigação e que houve obstrução de seu trabalho .

Por volta das 21h, Protógenes Queiroz saiu da sede da Polícia Federal para ler um comunicado sobre a apresentação de seu relatório final de caso.

- Como servidor público do departamento de Polícia Federal, uma das reservas morais deste país e cumprindo determinação do presidente da República Federativa do Brasil, excelentíssimo senhor Luiz Inácio Lula da Silva, em obediência a ordem dos meus superiores, apresento nesta data, a nossa singela contribuição na condução da Operação Satiagraha. Apresento relatório final do inquérito de Polícia Federal 12.0023308 - leu o delegado, em tom de despedida.

O advogado de Defesa criticou o indiciamento.

- O que ele está sustentando é a convicção provisória dele, porque ele não é julgador. Ele tem uma visão de policial, e como tal, não sendo também uma pessoa versada no mercado financeiro, ele interpreta práticas usuais... Chamar uma sociedade legalmente estabelecida, na conformidade das leis de um país, de organização criminosa, ou quadrilha é um despautério - afirmou Nélio Machado, no Jornal da Globo.

Advogado de ex-banqueiro critica Lula e Tarso Genro"

O depoimento dessa sexta-feira foi a terceira vez que a PF tentou ouvir Dantas, sem sucesso. Ele e os demais acusados chegaram por volta das 14h40m e só saíram às 19h55m, sem dar entrevista.

Ao chegar ao prédio, o advogado do banqueiro criticou o presidente Lula e o ministro da Justiça, Tarso Genro. Para ele, Lula não poderia de forma alguma ter determinado a divulgação de trechos da conversa do delegado com seus superiores, e agora o governo teria a obrigação de divulgar o teor completo da reunião, com três horas de duração. Sobre Tarso, Machado disse que o ministro não poderia emitir juízo de valor ao dizer que Dantas era culpado e que teria dificuldades para se defender, 'pois "afinal as investigações ainda nem terminaram".

As divergências públicas entre autoridades dos poderes Executivo e Judiciário, cúpula da Polícia Federal, delegados e procuradores a respeito da Operação Satiagraha serviram de munição para a defesa dos suspeitos. Nélio Machado protocolou um documento no qual usa as divergências como justificativa para que seus clientes se recusassem a responder ao interrogatório da PF.

- Daniel Dantas está sendo perseguido e é visível que o poder está esfacelando. É uma perseguição política implacável, uma verdadeira devassa medieval - disse o advogado.

Para Machado, a novela em torno do afastamento ou não do delegado Protógenes Queiroz, as entrevistas do juiz Fausto de Sanctis, do ministro da Justiça, Tarso Genro, e do próprio presidente Lula, e a divulgação de trechos de uma reunião entre delegados e a cúpula da PF , entre outras coisas, representam fatos atípicos que prejudicaram o andamento do inquérito policial.

- É evidente que é uma perseguição política. Eu estou diante de um processo político. Freqüento o ambiente da PF há 30 anos. O que vejo é um delegado, um promotor e um juiz. Não vemos ministro de Estado falando sobre investigação, e muito menos o presidente da República e gravação de três horas de conversa - disse Machado.

Ele anexou um documento de seis páginas ao inquérito no qual justifica por escrito os motivos do silêncio de seus clientes.

"A abstenção decorre dos vícios insuperáveis e de fatos estranhos, inusitados, irregulares e inortodoxos que permeiam a investigação", alega o advogado.

No documento, ao criticar a condução da investigação, Machado chega a dizer que "não raro, é preciso refazer tudo, para que a investigação se oriente no rumo certo, até então despercebido", e conclui com uma citação ao jurista Sobral Pinto que certa vez, ao argumentar que um cliente era alvo de arbitrariedades da polícia, ameaçou evocar a lei de proteção aos animais.

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