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01/09/2006 - bancnet.com.br Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Crime organizado é um setor da economia

Por: Carlos Drummond


Quando se ouve falar em setores econômicos, costumam vir à mente os das indústrias automobilística, farmacêutica, têxtil, de calçados, autopeças, açúcar e álcool, petróleo, alimentos e outros, cada um deles tendo como produto final bens altamente correlacionados ou complementares.

A ninguém ocorreria classificar o crime organizado como um setor da economia. Entretanto, ele parece ter diversos aspectos enquadráveis na classificação formal. O narcotráfico, o contrabando de armas, a "indústria" de seqüestros e a estrutura de lavagem de dinheiro são correlacionados. E não deixam de ser complementares.

Costuma-se considerar sujo o dinheiro gerado por esses e outros segmentos do crime. Raymond W. Baker, escritor e ex-executivo americano com grande experiência em empresas privadas e governos de vários países, calcula o total de dinheiro sujo global em US$ 1 trilhão por ano, por baixo.

Tráfico de drogas, falsificação de produtos e de moedas, tráfico humano, comércio ilegal de armas, contrabando, jogo ilegal e extorsão somam US$ 330 bilhões por ano. A corrupção corresponde a US$ 30 bilhões anuais. O troféu fica com os crimes cometidos pelas empresas: subfaturamento, superfaturamento, transferência de preços abusiva e transações falsas somam nada menos que US$ 700 milhões por ano.

Cerca de 50% do comércio e do investimento internacionais passariam hoje através de paraísos fiscais ou de jurisdições secretas "em algum ponto entre o vendedor e o comprador ao longo do caminho". Calcula-se que existam 180 mil empresas de fachada nas British Virgin Islands e 500 mil no Caribe. Mais de 200 mil estariam sendo constituídas a cada ano e o total hoje atingiria cerca de um milhão, havendo estimativas dando conta da existência de três milhões de companhias de fachada em todos os paraísos fiscais.

Infelizmente, parece que o crime compensa. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos admite informalmente que o influxo de dinheiro sujo nos Estados Unidos chega a US$ 250 bilhões por ano. A identificação e a apreensão de fundos ilegais atinge, quando muito, US$ 250 milhões ou 0,1% desse total. A probabilidade de sucesso nesse tipo de crime é, portanto, altamente encorajadora: 99,9%.


*Carlos Drummond - Jornalista - Coordena o Curso de Jornalismo da Facamp e é doutor em Economia pela Unicamp.

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