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13/07/2008 - Tribuna do Norte Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Arnaldo Ferreira dos Santos: “Golpes decorrem da ingenuidade”

Por: Anna Ruth Dantas


Logo no início da entrevista Arnaldo Ferreira dos Santos já mostra a que veio. Mostra 125 carteiras de identidade, talões de cheque e muitas cédulas. Tudo falso. Todo material surpreende pela verossimilhança com o verdadeira e mostra como a população está suscetível a golpes. Perito criminal, consultor na área de segurança física a patrimonial, Arnaldo circula por todo país ministrando palestras sobre o quanto a população e os mecanismos de segurança são frágeis para combater as fraudes.

E nesse aspecto não há divisão entre Internet e golpes pessoais. A facilidade é a mesma e conta, sobremaneira, com a ingenuidade e a ganância da vítima.

“Se estou hoje em uma delegacia e vem alguém fazendo boletim de ocorrência enquanto vítima de um golpe tipo bilhete premiado eu mando prender a vítima para ela se ligar e se antenar”, destacou Arnaldo Ferreira, que participou de evento promovido pela Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas, em Mossoró.

A entrevista do 3 por 4 de hoje soa como um grande alerta do quanto estamos suscetíveis a cairmos em golpes e da necessidade de cuidados em qualquer negociação que for feita.

É mais fácil lesar o consumidor pessoalmente ou pela Internet?
Diria que é das duas formas. A ingenuidade predomina tanto na abordagem pessoal, por telefone, no carro, como na Internet. Diria que grande parte das abordagens, independente de ser pessoal ou pela Internet, tipo golpe do carro zero, do anúncio de emprego, do bilhete premiado, do dormonite, ele decorre fundamentalmente da ingenuidade da vítima. Ou seja, pela via da ganância, da boa fé, pela via de perspectiva de dinheiro fácil. Hoje pela Internet fundamentalmente grande parte dessa fraude migrou. O estelionatário evoluiu, tecnologicamente falando, a tecnologia passou a ser uma grande ferramente a disposição do falsário porque nós convivemos com máquinas e scaners a partir de 1.200 dpi que possibilita focopiar nosso padrão monetário de forma absolutamente caseira. Domesticamente hoje muita gente tem em sua casa um scaner e a partir de determinada resolução faz isso (falsificar dinheiro). Isso tem até estimulado jovens, adolescentes, que por brincadeira, entre aspas, pega uma cédula que ganhou da mesada e vai imprimir para ver como fica. E a partir daí ele descobre que há um software chamado tratamento de cor. E a partir daí (desse software) ele dá qualidade na impressão com muita similaridade do dinheiro verdadeiro. O outro é a partir de fotocopiadores coloridas 98% de resolução gráfica. Juntando a tecnologia e a ingenuidade, boa fé, o resultado é o crescente número de vítima de fraude.

Com tantas “armadilhas” para o consumidor, como prevenir?
A grande arma para combater é a informação. Ou seja, se você tem informação com relação ao nosso padrão de segurança, ao nosso padrão monetário, você estará atento as muitas possibilidades. Tem modelos de cheques que aparentemente são normais, entretanto são clonados. Nosso padrão monetário quando fala de qualidade e no processo de identificação do cliente é fraco. Eu tenho 125 carteiras de identidade de todos os Estados do Brasil que me possibilita circular no comércio para apresentar a identificação que eu julgue conveniente no momento. Eventualmente eu sou policial, delegado e em todas as circunstâncias tenho paramentos necessárias para abordagem. Respondendo sua pergunta objetivamente, digo que o perfil da vítima é a pessoa desinformada e gananciosa. Se estou hoje em uma delegacia e vem alguém fazendo boletim de ocorrência enquanto vítima de um golpe tipo bilhete premiado eu mando prender a vítima para ela se ligar e se antenar. Pergunto qual a lógica de alguém lhe oferecer um bilhete cujo prêmio de R$ 50 mil por R$2 mil. Não tem milagre. Há três formas de ganhar dinheiro: trabalhar, trabalhar, trabalhar. Desconfie de qualquer possibilidade, por exemplo abrir um site da Internet, dizendo que você acaba de ganhar um telefone celular desde que repasse para um número de pessoas. Alguém liga dizendo que você acaba de ganhar um fogão, mas para isso precisa depositar um valor determinado em uma conta bancária.

A Internet por outro lado se mostra ferramenta do comércio, de sites de lojas confiáveis. Como diferenciar o site seguro daquele que foi criado para lesar o consumidor?
Por exemplo para o usuário de banco tenho recomendação. Se por uma razão ele está fora do domicílio e quer acessar o home banking; no primeiro acesso entre com a senha errada. Se você entra com senha errada o sistema acusa senha errada. Se você entra com a senha errada e o sistema aceita você tem um indicativo de que está em um falso site. Ou seja, o camarada consegue montar um site de banco e você entra e começa a depositar informação pela via da sua senha. A outra dica observe o cadeado e há uma série de questões que são necessários para site seguro. O mercado mesmo que nos oferece o conforto do uso da tecnologia, como você bem disse, ele também oferece o programa chamado espião de teclado que permite com que instale numa máquina e capture toda movimentação de teclado.

A tecnologia é uma “faca de dois gumes”?
Exatamente. O mesmo software disponibiliza no mercado um software chamado quebrador de senha e você acessa (a senha) a partir do uso do recurso. Quer ver um exemplo? O comércio hoje se vale da automação comercial que é o momento em que você coloca só assinar o cheque e a máquina preenche mecanicamente. O preenchimento é em máquina a jato de tinta. E isso é um toner e se é um toner é um pó e se é um pó é uma partícula. Logo esse seu cheque no microondas, a partir de de determinada temperatura, desintegra essas partículas e aí eu tenho da vítima um cheque assinado em branco. Veja só um dos momentos da fraude com o recurso da culinária. E veja outro exemplo. Na cédula falsa antes você tateava a cédula e sentia uma ranhura. Essa informação hoje já é feita pelo falsário com tem um equipamento usado no corte do pastel. O rolinho quando passado sobre compressão na fibra do papel simula o elemento de segurança do efeito do papel moeda. O comércio se vale da caneta que se vale da caneta que identifica a cécula falsa. Eu tenho a caneta e passo cédula falsa e a caneta acusa cédula verdadeira. O que há de errado? O errado é que a cédula era de um Real, foi lavada, descolorida e agora passa a ser de R$50,00. Para tudo há um contraponto.

Como se proteger?
Essa é a grande pergunta. No que diz respeito a abordagem desconfie sempre, não há milagre. Ao usar o cartão de crédito tenha cuidados básicos. Quando receber de volta o cartão veja se é o seu mesmo. A senha há como burlar. O cidadão passa o cartão e o comerciante coloca para digitar a senha em uma máquina que não é a do banco. A partir daí ele já ficou com sua senha. Muito cuidado se de fato ele digita os valores e apareceu na máquina. Em estabelecimento que não é de confiança ou de costume não perca de vista o seu cartão de crédito. Se coloca o seu cartão e ele travou na máquina jamais use telefone celular de alguém porque isso é um truque em que ele prepara o ambiente.

Por tudo que o senhor fala, parece que temos agora o golpista como profissão.
Diria que daqui a pouco nós vamos ter o sindicato dos assaltantes de banco, sindicato dos estelionatários, sindicato do 171. Veja que definimos quadrilha como “quadrilha organizada” que tem um governo desorganizado, que não investe em segurança. Quer ver um exemplo? O Brasil não tem padronização na emissão de RG. O grande gargalo começa por aí. Em alguns Estados do Brasil você tira RG a partir de documentação que apresente e tira outra e já ganha outro número. A falta de foto digital, selo holográfico, código de barra isso seria o mínimo para uma identidade. Isso eliminaria em 32% a incidência de fraude. Veja minha identidade enquanto cidadão chileno (identidade falsa que ele mostra). Tenho identidade que consegui depois de fraudar certidão de nascimento, comprovante de residência. Fui a um cartório local, simulei um documento de maternidade e depois fui a um cartório legal e foi expedida uma identidade. E o comércio como fica? Sai dessa. Veja a dificuldade que coloco. Tenho documento emitido por um órgão oficial com informações falsas. E como eu fiz isso? Abrindo o jornal, página do obituário. O camarada nem adentrou ao céu e eu já estou ressuscitando ele aqui embaixo. Consigo fazer isso porque o CPF dele ainda está ativo na Receita Federal. E temos o calo que é a Receita Federal e não baixa o CPF imediatamente.

Somos vítimas de que?
Somos vítimas de um sistema que é precário que não acompanha a evolução tecnológica quando poderíamos ter uma carteira de identidade padronizada a exemplo da Carteira Nacional de Habilitação. Quando tivermos a carteira padronizada com os três elementos que falei há pouco reduziremos em 32% o número de fraudes de identidade. Por que? Porque reduziria o falsário de pouca prática, que não tem acesso e nem sabe usar a tecnologia.

O senhor compra pela Internet?
Não. Diria o seguinte que na medida do possível evito. Se tiver que comprar procuro sites confiáveis e a outra forma é pelo boleto bancário. Não disponibilizo o número do cartão de crédito para ninguém. Internet faça pelo boleto. Para ter idéia, alguns sites de compras por três vezes já foram raqueados o site da Receita Federal. É muita pretensão qualquer bandeira de cartão ou site afirmar que é 100% seguro. Isso não existe.

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