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07/07/2008 - Gazeta Mercantil / Investnews Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Legislação e despreparo intimidam uso da web

Por: Sandra Nascimento, Clayton Melo e Fernando Taquari Ribeiro


Na esteira do extraordinário sucesso da campanha do candidato democrata Barack Obama à presidência dos Estados Unidos na internet, marqueteiros políticos e postulantes a cargos nas próximas eleições de outubro quebram a cabeça para tirar o máximo dessa ferramenta. O Brasil é um dos líderes em redes sociais e em tempo de navegação na rede mundial, mas o acesso é ainda limitado a 25% do total de eleitores - um percentual próximo ao dos Estados Unidos em 1996, o que já dá uma clara idéia da distância entre as duas realidades.

O especialista em marketing político Marco Iten diz que neste ano houve uma procura pelas ferramentas da rede mundial "três a quatro vezes maior do que no último pleito mas, mesmo assim, os políticos em geral não têm a menor noção".

Os candidatos têm hoje, na maioria, entre 45 e 50 anos de idade, ou seja, fora da faixa dos maiores usuários da internet, entre 16 e 24 anos. Entre os eleitores, o maior percentual está entre 25 e 34 anos (24%), seguido daqueles até 44 anos (20%). (Ver matéria na página ao lado).
Além da "falta de noção" dos candidatos com mais anos de estrada - o candidato à prefeitura de São Paulo pelo PSol, Ivan Valente, 62 anos, confessou que entende pouco do assunto - o uso da rede mundial esbarra na legislação brasileira. Sem saber ao certo como coibir abusos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) baixou normas que impedem a expansão do uso dessa mídia, seja pelo que elas afirmam ou deixam de afirmar.

No caso das doações, por exemplo, estrela maior da campanha do candidato norte-americano, a legislação brasileira até permite o uso de transferência eletrônica, mas não abre mão do recibo assinado. Exige que a propaganda do candidato esteja restrita à sua página, mas não tem regras claras quanto ao uso de redes sociais, como o Orkut. Nesses e em qualquer outro caso onde haja dúvidas, como o uso de emails, banners, blogs etc. , o TSE optou por decidir caso a caso, à medida que os processos surjam.

Tal situação deixa os especialistas em marketing político numa saia justa. Diante de um mar de possibilidades, são obrigados a aconselhar seus clientes candidatos a serem cuidadosos. Afinal, as multas partem de R$ 21 mil e vão se multiplicando, um rombo considerável em uma campanha municipal. Não descartando os casos mais graves de impugnação à inegibilidade.

"A internet é a segunda revolução da política, a primeira foi a televisão", diz o diretor do site politicaparatodos.com.br, André Ferraz. Apesar do entusiasmo, revela preocupação com a lei. "É importante saber usar tudo que ela oferece, mas tudo tem de estar dentro do site do candidato," diz, numa referência ao artigo 18 da resolução 22.718 do TSE. Dentro do site poderá distribuir vídeos, realizar pesquisas com os eleitores, divulgar suas imagens e participar de chats (bate-papo). A questão de emails (não spam) e das redes sociais, no entanto, estão entre aquelas sem uma definição legal clara. "Tudo vai depender da interpretação a ser dada pelo TSE", diz o advogado especialista em Direito Eleitoral Marcelo Kohlrausch Pereira. Na dúvida, é melhor não fazer. "A criatividade pode sair caro."

Diante das brechas deixadas pelo TSE ao decidir pelo "caso a caso", o candidato pode até se livrar do processo declarando "desconhecer" a autoria das comunidades em redes sociais, como o Orkut, mas terá problemas se ficar comprovada a ligação dele com o site. Sem contar as falsas acusações. "Vai ter muita malandragem no processo eleitoral que será questionada", diz Iten.
Para ele, a internet é importante e tem um custo muito mais barato, além de ser uma boa oportunidade para o candidato criar uma comunicação personalizada. "Você atinge o eleitorado individualmente."

Interatividade

A interatividade é o grande diferencial da rede mundial em relação às demais mídias. Obama foi um expert nesse item, usando os twiters (miniblogs) para deixar seus eleitorado passo a passo de suas atividades. No Brasil, o pesquisador da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Marcelo Coutinho destaca a importância de os políticos aprenderem a tirar o máximo dessa ferramenta, que tem como diferencial o diálogo nas redes sociais.

Segundo ele, nessas comunidades os candidatos podem entrar em contato com os eleitores jovens, os mais resistentes a temas políticos. Ao mesmo tempo, funciona como "revitalizador" da militância e dos chamados eleitores orgânicos, que têm papel multiplicador.

Estudo realizado por Coutinho e outros dois professores da ESPM sobre as eleições de 2006 - outra está em andamento sobre o pleito deste ano, com resultado previsto para 2009 - mostrou um grande número de comunidades no Orkut, tanto para o bem quanto para o mal, relacionadas aos principais candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin.

Ele destaca a sobrevivência das comunidades de apoio a Alckmin - a principal delas com 87 mil membros - e já uma ferramenta para a campanha do candidato à prefeitura de São Paulo. Seus principais adversários, Marta Suplicy (PT), e Gilberto Kassab (DEM) têm uma exposição na rede social bem menor e equilibrada entre positiva e negativa. Para o pesquisador, por regra as eleições municipais mobilizam menos os eleitores, mas será um bom teste para a internet.

A interatividade é também o destaque dado por Eliel Allebrandt, vice-presidente de operações da AgênciaClick em Brasília. Para ele uma boa estratégia de campanha eleitoral pela internet deve se basear em algumas premissas. A primeira delas é que a rede deve ser vista como canal de relacionamento e interação com os eleitores.

"Na internet, o candidato pode detalhar melhor seu plano de governo e estabelecer um diálogo com o público, é uma vitrine. No caso brasileiro, acredito que o diferencial para as eleições sejam as redes sociais (comunidades e sites de relacionamento), que crescem rapidamente no País".
Segundo o executivo, é necessário também derrubar alguns mitos relacionados à web. "Acabou essa história de que a internet é coisa de jovem rico. As pesquisas mostram que cada vez pessoas acima dos 30 anos, incluindo os que estão na faixa dos 50 anos, são usuários de internet. Além dos adultos, outro fenômeno comprovado é o ingresso da classe C, fenômeno estimulado pela facilidade para aquisição de computadores e o acesso de locais público, lan houses e escolas".

Em expansão

Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) sobre a intenção de votos dos eleitores do Rio de Janeiro, divulgada na sexta-feira passada, indicou que os entrevistados tem a televisão como sua principal fonte de informação sobre política (48,7%). Jornal (23,8%), internet (7,7%), conversas com amigos (3,2%) e rádio (3,2%).

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