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27/06/2008 - Correio da Bahia Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Estelionatário baiano é preso por golpes contra UnB

Por: Josué Silva


O estelionatário baiano Marcelo Lima dos Anjos, 31 anos, que em 2004 aplicou vários golpes utilizando o nome do ex-procurador geral de justiça da Bahia, Achiles Siquara, foi preso em Brasília, onde se passava por procurador federal e trabalhava como professor voluntário e coordenador da Fundação de Estudos e Pesquisas em Administração e Desenvolvimento (Fepad), ligada à Universidade de Brasília (UnB). A prisão ocorreu no último sábado, em cumprimento a mandado de prisão expedido pela 7a Vara Criminal de Salvador por estelionato e falsidade ideológica.

A Delegacia de Repressão a Estelionatos e Outras Fraudes (Dreof), em Salvador, foi informada da prisão apenas ontem. O serviço de investigação da unidade disse que Anjos já esteve detido na Dreof por duas vezes, em 2005, e vinha sendo procurado devido ao mandado de prisão. Há um ano e oito meses em Brasília, o estelionatário dizia ser advogado, procurador federal e doutor em ciências sociais. Com a lábia típica dos estelionatários, Anjos mostrava desenvoltura nos assuntos de direito, relações internacionais e administração pública.

De acordo como o delegado Érico Mendes, da Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Derco) em Brasília, um funcionário da UnB desconfiou do falsário porque ele sempre protelava a entrega de documentos, principalmente os referentes aos títulos de doutorado e mestrado, apesar de Anjos ter mostrado diploma de graduação em relações internacionais pela FIB e bacharelado em direito pela Universidade Salvador (Unifacs). Tudo indica que ambos sejam falsificados, já que uma das instituições contatadas pela reportagem – a FIB – informou não ter conhecimento do nome do estelionatário em seu cadastro.

Em contato com o Ministério Público baiano, o funcionário soube que não havia nenhum registro de Anjos como procurador na Bahia. Na ocasião, ele foi aconselhado a pesquisar na internet uma matéria jornalística de 2005, em que mostrava a prisão de Anjos por estelionato e falsidade ideológica.

A polícia de Brasília foi acionada e prendeu o estelionatário em um apartamento da universidade, na Asa Norte. No momento da prisão, ele dormia com um adolescente de 17 anos e também responderá sobre corrupção de menores, segundo Mendes. Além de ter residência grátis, Anjos possui emprego no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ensinava em um cursinho pré-vestibular na capital federal, segundo a polícia. Nos 20 meses em que esteve em Brasília, o estelionatário conseguiu comprar um Honda Civic e dois apartamentos na cidade-satélite de Águas Claras.

Outros golpes - A policia investiga ainda prováveis golpes do falsário, nos quais ele se passava por consultor da Controladoria Geral da União (CGU) e assessor da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie, em Brasília. Atualmente, ele responde a quatro processos por estelionato na Justiça baiana. A polícia brasiliense está esperando uma carta precatória do juiz da 7ª Vara de Justiça da Bahia para dar cumprimento ao mandado de prisão e enviá-lo a Salvador. Anjos também responderá a processo na capital federal por falsidade ideológica e estelionato.


Histórico de um falsário

A primeira prisão de Marcelo Lima dos Anjos em Salvador aconteceu em 2005 e teve a participação direta do então procurador geral de justiça na Bahia, Achiles Siquara. O estelionatário se passava por assessor ou mesmo pelo próprio procurador, nos contatos com deputados e vereadores, informando que estava ajudando certas instituições de caridade e solicitando a contribuição dos políticos.

Achando se tratar de um pedido direto de Siquara, muitos políticos caíram no conto, entregando ao próprio Marcelo – neste momento ele se passava como assessor do ex-procurador – vultosas importâncias. Mas, alguns políticos desconfiaram e ligaram para Siquara, que negou estar arrecadando fundos para instituições. Os políticos foram avisados da ação. Quando o vereador Celso Cotrim recebeu um telefonema do falsário, ele marcou um encontro para entregar o dinheiro e avisou a Siquara e à polícia, que prenderam em flagrante o estelionatário.

Na época em que foi preso, Anjos trabalhava em um cargo comissionado no Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb). Ele também aplicou golpes em várias cidades do extremo sul baiano, também utilizando o nome e o prestígio de Siquara. Até o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, cardeal dom Geraldo Majella, teve seu nome envolvido pelo falsário, que conseguiu lesar pessoas ligadas à Igreja Católica, através de falsos programas de caridade.


‘Fomos enganados’, diz professor

O coordenador chefe da Fundação de Estudos e Pesquisas em Administração e Desenvolvimento (Fepad) da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Alberto Torres, disse que “lamentavelmente fomos enganados”. Ele frisou, porém, que o pedido do estelionatário para ser professor voluntário ocorreu na gestão passada e que, depois deste episódio, vários setores da UnB vão modificar os critérios para aceitar novos colaboradores.

Segundo Torres, Marcelo Lima dos Anjos mostrou interesse em ensinar na UnB e escreveu uma solicitação ao ex-coordenador-chefe, professor Jorge Pinho, entregando também o currículo e um diploma de graduação em relações internacionais do Centro Universitário FIB, concluído em 2002, e de bacharel em direito pela Universidade Salvador (Unifacs). Anjos também informou ser pós- graduado em gestão internacional pela Unifacs e mestre em ciências sociais pela PUC de São Paulo.

“Não podemos esconder que fomos ludibriados por este falsário e estamos abrindo uma sindicância para detectar todos os passos dele dentro da universidade, inclusive se teve a colaboração de alguém”, destacou Torres. Também será apurada a facilidade com a qual o estelionatário conseguiu morar em um dos apartamentos da universidade, já que o coordenador-chefe afirmou que a disputa para conseguir uma vaga em um dos imóveis é muito acirrada.

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