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26/06/2008 - Diário Economico Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Remédios falsos dão mais lucro que tráfico de droga


Vender medicamentos falsos dá mais dinheiro do que traficar droga. Aquilo que, à partida, pode parecer um exagero é demonstrado pelos números que o chefe de segurança da maior farmacêutica do mundo, a Pfizer apresentou ontem, no Fórum sobre Contrafacção de Medicamentos, organizado pelo Diário Económico e pela Pfizer. Um quilo de cocaína pura custa em 0Portugal 27 mil euros e garante um lucro de 200% depois de vendida em pequenas doses. Por outro lado, um quilo de sildenafil, a substância activa do Viagra, vale 90 mil euros mas pode ser encomendada a fábricas na China, que a vendem a 40 ou 50 euros.
Ou seja, o fabrico de Viagra falso rende um lucro de 2.000%. E é este o argumento de peso que convence cada vez mais pessoas a traficar medicamentos.

“Muitos traficantes de droga preferem agora dedicar-se ao tráfico de medicamentos, que não pára de aumentar”, garante David Shore, que antes de entrar para a Pfizer foi um inspector da Scotland Yard e é agora o responsável pela segurança na maior farmacêutica do mundo.

Os únicos números conhecidos sobre contrafacção de medicamentos garantem que 10% dos remédios a circularem em todo o mundo são falsos e metade destes são vendidos através da Internet. Mas esta é apenas a ponta do icebergue. Na verdade, ninguém sabe qual é a dimensão do problema, e Portugal não foge à regra.

“Há falsificação de medicamentos em todo o lado, até nos Estados Unidos, e já não se limita às chamadas drogas de conforto como o Viagra e os comprimidos para emagrecer. Hoje em dia há até medicamentos falsos para tratar o cancro”, alerta o presidente da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), Vasco Maria. Os medicamentos mais falsificados são o Lipitor, para o colesterol, o Viagra e o Cialis, para a disfunção eréctil e o Aricept, para a doença de Alzheimer, entre outros. Ou seja, os remédios mais expostos são precisamente aqueles que são mais caros, de difícil acesso e para o tratamento de doenças estigmatizantes.

Uma das medidas urgentes será, portanto, a criação de um quadro legal específico para a criminalização da falsificação de medicamentos, que ainda não existe em Portugal. Até porque o perigo de falsificar comprimidos “nada tem a ver” com o da contrafacção de carteiras ou relógios. “Não devíamos tratar o tráfico de medicamentos como um crime contra a saúde pública em vez de ser encarado como um crime económico?”, sugere Maria de Belém Roseira, ex-ministra e presidente da comissão parlamentar de Saúde. Guy Villax, CEO da Hovione, a maior empresa produtora de componentes farmacêuticos a nível nacional, garante que o maior problema não está na lei, mas sim na fiscalização. “A legislação é rica, mas falta policiamento. Metade dos princípios activos chineses e indianos que são usados na produção de medicamentos que circulam na Europa não são inspeccionados”, assegura o responsável, cuja entrevista que ontem deu ao Diário Económico foi tema de grande controvérsia na primeira parte do debate (Vasco Maria, o principal visado nas críticas, lembrou ironicamente que também a Hovione tem uma fábrica na China).

Por muitas leis que existam, há exemplos preocupantes. Como este, dado pelo chefe de segurança da Pfizer: “Como é que as alfândegas hão-de ser eficazes se os serviços funcionam das nove às cinco de segunda a sexta e é ao fim-de-semana que são feitas 90% das descargas dos navios?”

Por último, o eterno problema da justiça. “Os tribunais não conseguem dar resposta a todos os processos de violação. A criação de tribunais de propriedade intelectual poderia ser uma das armas de combate à contrafacção de medicamentos”, sugere António Campinos, presidente do Instituto Nacional da Propriedade Intelectual.

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