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24/06/2008 - Último Segundo / Valor Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Polícia Federal prende 31 suspeitos de fraudar INSS em quase R$ 30 milhões


RIO - A Polícia Federal cumpriu ontem 12 mandados de prisão temporária e 19 mandados de prisão preventiva de funcionários da Previdência Social, advogados, médicos e vereadores acusados de participar de uma quadrilha que fraudava benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A fraude pode chegar a R$ 30 milhões, segundo a polícia.

Foram cumpridos também 35 mandados de busca e apreensão nos municípios onde a quadrilha atuava: Bom Jesus de Itabapoana e Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio, e Apiacá e São José do Calçado, no Espírito Santo.

A Polícia Federal já confirmou um prejuízo de R$ 11 milhões à Previdência Social desde 2004, mas estima que esse número possa chegar a R$ 30 milhões. Segundo o Ministério Público Federal, quase 10% da população de Bom Jesus de Itabapoana era beneficiada com auxílios-doença e aposentadorias por invalidez fraudulentas. A central das ações era o posto do INSS do município.

Gráficos mostram que a porcentagem de pessoas beneficiadas em Bom Jesus é significativamente maior que a média do estado do Rio e do Brasil. Durante as investigações, que começaram no ano passado, ligações telefônicas foram interceptadas pela polícia.

De acordo com o superintendente da Polícia Federal no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, os responsáveis pela fraude também tinham ligações com a política, uma vez que parte do dinheiro era desviado para campanhas eleitorais.

Pela investigação que fizemos, concluímos que isso era um modo absolutamente tranqüilo, a ponto de um servidor do INSS, ao receber o pedido de um determinado político para encaminhamento de um grupo de pessoas, declarar que isso ia dar cadeia, que estava absolutamente explícito e ele não queria mais fazer parte disso, porque estava tão claro, tão normal, tão entranhado que ia dar cadeia. E deu mesmo.

Pessoas aptas ao trabalho contribuíam no mínimo de três a quatro meses e obtinham o valor máximo dos benefícios através de falsas perícias feitas por médicos do INSS ou médicos particulares. Os benéficos serão suspensos pelo INSS e os 19 acusados vão responder processo por formação de quadrilha, estelionato, advocacia administrativa (ou seja, crime praticado por funcionário público para patrocinar interesses privados), e prevaricação, que é o crime de funcionário público contra administração. Todas as pessoas que recebiam os benefícios também estão sendo investigadas.

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