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09/06/2008 - O Estado de Minas Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Empresas "limpa-nomes" crescem com inadimplência

Por: Sandra Kiefer


A reboque do novo recorde de crédito pessoal no país, que ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão em abril, surge, no paralelo, a indústria do calote. Já existem no Brasil empresas especializadas em ganhar dinheiro em cima das dívidas dos outros, com 112 sites na internet, distribuição de panfletos de propaganda e escritórios montados em lugares duvidosos, que vivem mudando de endereço e telefone. Os “limpa-nomes” se encarregam de renegociar e reduzir os débitos em 60%, 70% e até em 90% nos bancos, financeiras e lojas. Eles prometem mundos e fundos, inclusive a mágica de limpar o nome sem pagar um único centavo do valor devido.

No prazo máximo de 72 horas, o contratante do serviço vai estar livre de todas as pendências e da turma de cobradores no seu pé. Basta que esteja disposto a desembolsar um valor inicial de R$ 250, que pode aumentar dependendo do tamanho do buraco. Serão cobrados ainda mais R$ 20, em média, a cada consulta no SPC, Serasa e títulos protestados em cartórios, além das visitas a bancos, financeiras e lojas que tiveram os cheques devolvidos.

Não é preciso ir longe para contratar esse pessoal da faxina, que vai dar uma “geral” nos cadastros da Serasa e do SPC. Nos classificados de jornais, encontram-se os anúncios dos “limpa-nomes”, que operam em escritórios na Região Central de Belo Horizonte. Eles se identificam como consultores, despachantes e assessores jurídicos, que se passam por negociantes experientes, amigos de gerentes de banco e até conveniados das próprias empresas de análise de crédito. Nos sites na internet, oferecem soluções jurídicas mirabolantes para dar cabo da dívida em poucos dias. Em comum entre eles, há a exigência de um depósito em dinheiro, que corre o risco de se evaporar se a única forma de encontrar o prestador de serviço for pelo celular.

Em diálogo gravado pelo EM, N. apresentou-se como “conveniado” da Serasa (a empresa desmentiu depois), com escritório no Edifício Acaiaca. Ele conta como é fácil fazer um “quebra-galho para os amigos”, baixando os cheques devolvidos por falta de fundos, sem precisar pagar a quem levou o cano. Segundo explicou, o escritório forja uma declaração (carta de anuência) do lojista dizendo ter recebido direitinho o valor do cheque, e que ambos estão quites, conforme a norma do Banco Central (BC). O tal papel é repassado ao banco de onde voltou duas vezes o borrachudo, que dá a baixa eletrônica no cadastro de emitentes de cheques sem fundo CCF). “Só dá problema se o dono do cheque aparecer. Mas aí você joga a conversa de que está desempregada, propõe um acordo e rasga o papel na hora”, ensina.

Para tanto, segundo N., o endividado terá que conseguir a lista dos cheques devolvidos na Serasa e no SPC. Ele terá de ir lá pessoalmente, por causa do sigilo bancário, mas os “limpa- nomes” também têm essa consulta no escritório, ao custo de R$ 21 a cada cheque. Em seguida, é necessário que o cliente peça a microfilmagem da lista de cheques devolvidos nos bancos onde é correntista. Depois de bater uma lista com a outra, é possível saber quais ainda estão pendentes. Pelas vias normais, seria necessário procurar um a um os lojistas e propor um trato para reduzir os juros da dívida. Se o cliente optar pelo “quebra-galho”, terá de pagar R$ 250 iniciais pela mão-de-obra.

Com a declaração forjada pelo “limpa-nome”, está resolvido num piscar de olhos o problema na Serasa e no banco – só não acabou a pendência com o dono do cheque. A Serasa, entretanto, informa que não fornece certidão negativa, até para evitar golpes com o cadastro de clientes. A empresa de análise de crédito esclarece também que nem mesmo o seu conveniado legítimo está autorizado a manipular o banco de dados. Segundo a assessoria da empresa, a própria Serasa não consegue dar baixa nos nomes do CCF. Ela encaminha a declaração ao BC, que retorna o comando à Serasa para proceder à baixa eletrônica. O BC, entretanto, diz que o controle desse cadastro foi entregue ao Banco do Brasil.

Ao repassar recibo de um comerciante que não seja ele mesmo, com assinatura falsa, o contratante corre o risco de ser autuado por fraude de subscrição ou crime de falsidade ideológica, como o principal responsável ou co-autor do delito. Se o escritório do Acaiaca estiver fazendo uso indevido do banco de dados da Serasa, o contrato entre as partes poderá ser suspenso. A Serasa esclarece também que dispõe de serviço gratuito de consulta pública ao cadastro, com ajuda de atendentes treinados e privacidade nas consultas, sem necessidade do acompanhamento de advogados. Basta levar a identidade, carteira de trabalho ou CPF para regularizar o débito em ponto de fácil acesso (Rua da Bahia, 916, 2º andar, de 9h as 16h) ou pelo telefone (011) 3373-7272, ou acessar o site serasa.com.br.

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