Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

26/05/2008 - Açoriano Oriental Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Quinhentas maiores empresas portuguesas perdem até 4,7 ME anuais


As fraudes nas 500 maiores empresas portuguesas representam custos anuais entre 2.827 e 4.710 milhões euros, disse à Lusa um especialista.

Carlos Pimenta, docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) envolvido na organização de uma pós-graduação em gestão de fraudes, avançou esta estimava por extrapolação a partir de indicadores dos Estados Unidos da América e outros países anglófonos.

Na comunidade de língua inglesa, as fraudes "comem" três a seis por cento do volume de vendas das empresas, "o que é extremamente importante", sublinhou Carlos Pimenta, em entrevista à agência Lusa.

Referindo-se a Portugal, o especialista calculou que as fraudes equivalem a sete por cento do volume de vendas das empresas.

Ainda assim, disse, são níveis inferiores aos dos países eslavos, onde, na avaliação do docente, se julga que as fraudes têm maior expressão.

Num universo de cerca de 30 tipos de fraude diagnosticadas, a corrupção, o furto, a falsificação de documentos e a manipulação dos sistemas informáticos são as que mais afectam o tecido empresarial, referiu o docente.

"Há uma panóplia de fraudes e, actualmente, está muito na moda a violação dos sistemas informáticos. Mas persistem muitos furtos, geralmente associados a manipulações contabilísticas, e as tentativas de influenciar decisões empresariais no sentido de se favorecer este ou aquele fornecedor", exemplificou.

Carlos Pimenta anunciou que estas questões vão ser analisadas, em detalhe, num centro de investigação de fraudes, que a FEP está a lançar.

"Nesse centro, vamos tentar fazer a análise da fraude num contexto europeu, elencar as fraudes mais habituais, detectar onde estão as maiores falhas de segurança e verificar se a legislação é adequada, sem perder de vista que, nestas coisas, o legislador anda sempre atrás", disse.

"Estamos a trabalhar nesse projecto ainda numa fase incipiente, envolvendo pessoas ligadas ao Direito e à Economia. Não se pode dizer quando vamos funcionar em pleno, mas acreditamos que podemos arrancar em Outubro", acrescentou.

Ajudar a travar a fraude é também o objectivo da pós-graduação em gestão de fraudes da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, a primeira na Europa.

"Não conhecemos nenhuma outra formação europeia do género, embora a matéria seja uma parte de alguns cursos na Grã-Bretanha", disse Carlos Pimenta.

Uma primeira edição da pós-graduação, que começou em Março e dura um ano, envolve 30 pessoas, desde economistas, a gestores, formados em direito, em contabilidade e até história.

Entre 02 de Junho e 15 de Julho vão abrir inscrições para uma segunda pós-graduação que, tal como a primeira, culminará na certificação dos frequentadores pela norte-americana ACFE - Association of Certified Fraud Examiners.

"Os interessados na pós-graduação são, em alguns casos, pessoas que nas empresas já tinham uma actividade de alguma forma relacionada com áreas de negócios mais sujeitas à fraude. Sentem a necessidade de perceber melhor estas situações", disse Carlos Pimenta.

"Em muitas instituições já existem especialistas em detectar fraudes, mas estão ainda muito ligados à auditoria, lacuna que pretendemos suprir, fornecendo conhecimentos a outro nível", acrescentou.

Carlos Pimenta sustentou que os especialistas a formar não se podem confundir com os agentes policiais e judiciais, que actuam à posteriori.

"O que se deseja é formar actores de um sistema preventivo, implementando um processo de autocontrolo e auto-regulação", disse.

Para Carlos Pimenta, a pós-graduação pretende ser também um contributo para alterar a forma como Portugal e a Europa encaram a fraude em meio empresarial, ao contrário do que acontece nos EUA.

"Não se pode dizer que a fraude seja mais tolerada na Europa, mas é ainda considerada de uma forma envergonhada. As situações são pouco divulgadas", afirmou o especialista, exemplificando com o sigilo aplicado a investigações recentes do Banco de Portugal sobre um operador do sector.

Carlos Pimenta lamentou que assim seja porque "a divulgação da existência de fraudes e da sua autoria são a melhor forma de dissuasão".

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 198 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal