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23/05/2008 - Zero Hora / Ag. RBS Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Falsos seqüestros voltam a fazer vítimas na Capital

Por: Francisco Amorim


O telefone toca. A pessoa atende. Do outro lado da linha, um golpista finge ser funcionário de uma empresa prestadora de serviço e solicita educadamente os contatos telefônicos do filho de quem atendeu à ligação. Horas depois, é feita uma segunda chamada para a vítima. Desta vez, ouvem-se pedidos desesperados de socorro. Um homem anuncia o seqüestro do parente e ordena à vítima que não desligue.

Suspeitando de que se trata de um falso seqüestro, a pessoa interrompe a conversa e telefona para o celular do filho, mas as ligações caem sempre na caixa de mensagens. Minutos depois, o criminoso liga novamente: desesperada, a vítima passa a acatar as ordens do bandido por acreditar que se trata realmente de um seqüestro.

Esse é o roteiro da mais nova versão do golpe telefônico que aterrorizou os gaúchos no ano passado: agora, além de manter a vítima do estelionato presa ao telefone, algumas quadrilhas mantêm ocupada a linha de quem teria sido alvo do seqüestro. Pelo menos dois casos de falsos seqüestros foram registrados pela Polícia Civil na Capital só nesta semana.

O crime que se espalhou para outros países latinos como Argentina, Uruguai e México está mais sofisticado, dizem os policiais. Apesar de negar a existência de uma nova onda do golpe, o diretor do Departamento de Polícia Metropolitano (DPM), delegado Cléber Ferreira, conta que os criminosos agora estão estudando as vítimas. Antes de negociar o resgate, uma primeira ligação tenta obter os contatos telefônicos de quem seria alvo do seqüestro.

- O criminoso se passa por um funcionário de banco ou de loja. E diz algo como: "por favor, senhora (ou senhor, dependendo de quem atender), precisamos dos contatos do seu filho". O bando espera um pouco e volta a ligar, desta vez, para dizer à vítima do golpe que seu familiar foi seqüestrado - explica o delegado.

Diferentemente dos seqüestros verdadeiros, os criminosos que aplicam esse golpe tentam manter a vítima o maior tempo possível na linha e pedem que os depósitos sejam de R$ 5 mil por conta, limite para saques na boca do caixa:

- Já tem um laranja na fila pronto para sacar a quantia em dinheiro vivo. É semelhante à ação dos hackers - revela o delegado.

O depósito em conta corrente, que aparentemente tornaria o golpe mais vulnerável à investigação policial, tornou-se um método eficaz para as quadrilhas não serem descobertas.

- A gente rastreia a conta e descobre que a quadrilha pagou R$ 100 para usar a conta de um miserável. A investigação chega até esse laranja, só que ele nem conhece quem pagou para acessar a conta dele - argumenta Cléber.

Polícia recomenda às pessoas que não façam o pagamento

A recomendação da polícia é não ceder às investidas do criminoso. Se alguém estiver próximo, a vítima deve pedir a essa pessoa para ligar para o parente supostamente seqüestrado, tentando também números alternativos, como o do trabalho, o da escola e até o de colegas que possam estar junto da pessoa naquele momento.

- Não pague e procure a polícia rapidamente - aconselha o diretor.

O delegado não acredita que resistir ao golpe - e desligar - possa colocar em risco a vítima. Conforme ele, esses grupos atacam um grande número de pessoas. Se alguém desligar, eles partem para nova investida.

Tome cuidado

COMO EVITAR O GOLPE


  • Não passe informações a estranhos por telefone ou por e-mail, mesmo que o interlocutor se apresente como representante de loja, de empresa prestadora de serviço, de entidade pública ou até como policial
  • Não publique em sites informações pessoais que permitam a ação dos golpistas
  • Instrua crianças e empregados
  • Não atenda a telefonemas a cobrar de números que desconhece
  • Desconfie de ligações originadas de outros Estados
  • Instale identificador de chamadas em seus aparelhos telefônicos de casa e do local de trabalho

O QUE FAZER SE RECEBER UMA LIGAÇÃO


  • Caso perceba tratar-se apenas de ameaças ou golpes, desligue
  • Se não tiver certeza disso, verifique se o parente que os bandidos dizem ter seqüestrado está bem. Ligue para o telefone celular ou para um fixo em que ele possa estar (do trabalho ou da casa da namorada, por exemplo). Se não conseguir, ligue para os telefones de pessoas que possam estar com ele, como colegas de trabalho
  • Mesmo se não conseguir contato, não entre em pânico. Tente se certificar de que os bandidos estão mesmo com seu parente, perguntando algo sobre ele, de preferência, de caráter pessoal, como a presença de uma tatuagem
  • Preste atenção no sotaque, no vocabulário do bandido e o no som ao fundo
  • Nunca atenda a exigências dos bandidos. Não deposite dinheiro ou compre cartões de recarga de telefone celular
  • Ao desligar, acione a Brigada Militar pelo telefone 190 e registre ocorrência na delegacia da Polícia Civil mais próxima, mesmo que você não tenha caído no golpe. Sem o registro, a polícia não pode investigar o crime, nem avaliar se o número de casos está crescendo

SE CAIR NO GOLPE

  • O primeiro passo é registrar o crime na Polícia Civil, de preferência na delegacia de seu bairro. A polícia trata os casos como estelionato, e não existe uma delegacia específica para esse tipo de crime
  • O registro é importante mesmo que você tenha gasto apenas poucos reais com a compra de cartões telefônicos
  • Como não houve falha de segurança bancária, as instituições financeiras não devolvem o dinheiro transferido e sacado pelos golpistas. Porém, após registro policial, é possível tentar bloquear o saldo da conta do laranja por meio de uma ação judicial. No entanto, o tempo entre o registro e a decisão judicial é suficiente para a quadrilha pegar o dinheiro
  • Além do número da conta para a qual foi transferido o dinheiro, informe detalhes sobre o interlocutor, como o sotaque
  • Nunca tente localizar por conta própria o titular da conta bancária para a qual você transferiu o dinheiro. Pode ser perigoso
  • Não é necessário trocar o número de telefone. Segundo a polícia, o golpista dificilmente volta a ligar após o pagamento

Para o seu filho ler

  • Alguns bandidos usam o telefone para cometer crimes. Eles ligam para os pais, avós e tios e mentem que pegaram alguém da sua família. Depois, pedem dinheiro. Por isso, todas as crianças precisam ter cuidado quando os pais não estiverem por perto. Nunca diga o número do telefone de sua casa ou dos celulares dos seus pais para pessoas estranhas. Também não empreste o seu telefone para ninguém.
  • Quando estiver sozinho em casa, não abra a porta, nem converse com estranhos pelo telefone. Na saída do colégio, não aceite carona. Caso fique com medo, volte para a escola e procure um professor. E não se esqueça: ligue sempre para sua mãe ou seu pai sempre que um estranho falar com você.

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