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19/05/2008 - Gazeta Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Mulheres lideram número de inquéritos sobre golpes

Por: Cláudia Feliz


A presença cada vez maior da mulher nos mais variados segmentos da sociedade a insere também num universo nada glorioso, o crime. E com uma característica no mínimo curiosa: são mulheres as responsáveis por 80% dos inquéritos sobre fraudes que tramitam na Delegacia de Defraudações. Elas são, portanto, as “rainhas” do 171 – o artigo do Código Penal que se refere a estelionato.

Nos últimos cinco anos, o número de presas mais do que dobrou no Espírito Santo. O crescimento, de 2003 até hoje, foi de 121,7%.

Há cinco anos, o sistema prisional capixaba mantinha 304 mulheres. Hoje, são 674. Quem vai ao Presídio Feminino de Tucum, no município de Cariacica, constata essa realidade facilmente. A unidade, com capacidade para 179 internas, até o final da última semana tinha 475.

Para reduzir, em parte, o desconforto da superpopulação carcerária, foram abertas 64 vagas em conteineres de metal, destinados a presas que gozam do regime de prisão semi-aberto.

Perfil

Diretora do presídio, a filósofa pós-graduada em Psicologia Maria Aparecida Azevedo diz que, diariamente, chegam a Tucum, em média, dez mulheres. Neste ano, de janeiro até agora, somente neste mês de abril o número de entradas foi menor do que o de saídas.

Um outro fenômeno tem sido identificado, a presença de famílias inteiras na cadeia. Atualmente, há um caso dessa natureza. São três gerações envolvidas em crime de estelionato: mãe, filha e neta.

Há dez anos atuando no sistema prisional, Maria Aparecida Azevedo diz que cresce também o número de mulheres com idade mais avançada, a partir dos 50 anos. “Criamos até uma cela para elas”, explica a diretora.

Em Tucum, 80% das mulheres estão presas, principalmente, por causa de envolvimento com o tráfico de drogas, muitas levadas ao crime por filhos e companheiros.

Uma advogada com 23 anos de atividade profissional, que atua na área criminal, tem 30 clientes mulheres. Ela prefere não se identificar, mas admite: a mulher perdeu o medo. “Ela está mais audaciosa, e muitas estão no crime também para sustentar o vício da droga”.

Agem perto de bancos e preferem os idosos

Elas costumam agir em portas de bancos e preferem abordar idosos. Até grávidas já foram detidas por aplicar golpes do cheque e do bilhete premiado.

Em abril deste ano, uma gestante de oito meses foi presa com outros quatro comparsas, entre eles outra mulher, acusados de aplicar golpes em Guarapari. Regiane Fernandes Trindade, a grávida, e Andréia Ferreira Nunes, já possuíam passagens pela polícia: Regiane, foi detida uma vez, e Andréia acumula quatro detenções por roubo e uma por estelionato.

Outro caso

Em Jardim Camburi, Vitória, outra grávida ajudou no golpe do cheque, em 11 de março deste ano. A vítima foi uma pensionista de 78 anos, que perdeu R$ 14 mil em dinheiro depois de sacar a quantia e entregá-la a duas golpistas. Elas afirmavam ter um bilhete de loteria premiado no valor de R$ 700 mil.

A grávida foi quem abordou a idosa e junto com a comparsa, conseguiu ir à casa da vítima, pegaram os documentos e o cartão do banco dela e foram até duas agências bancárias onde sacaram o dinheiro e fugiram.

Evolução

Confira o crescimento do número de presas

2003 – 304
2004 – 316
2005 – 389
2006 – 481
2007 – 637
2008 – 674

Fonte: Secretaria de Estado da Justiça (Sejus)

Habilidade para convencer vítima

Maria (nome fictício), tem 32 anos, e seria uma mulher simples, de periferia, como outra qualquer de sua idade, não fosse a sua “habilidade especial”: adulterar documentos para sacar, em nome de incautas, empréstimo em financeiras. Praticou esse tipo de golpe três vezes, até ser presa.

Dos 30 inquéritos de crimes de estelionato instaurados por mês na Delegacia de Defraudações da Polícia Civil do Espírito Santo, 24 (80%) são praticados por mulheres.

O delegado Lauro Coimbra, há 23 anos na Polícia Civil, diz que vítimas de golpes cedem mais facilmente a uma mulher do que a um homem. “Em muitas, não se vê periculosidade. Parecem frágeis, são capazes de chorar para convencer alguém na simulação de um golpe”, diz ele.

O também delegado da Polícia Federal, responsável pelo combate ao tráfico de drogas, diz que mulheres chamam menos atenção atuando como “mulas” no transporte de droga. São, portanto, elementos que ocupam lugar de menor destaque na hierarquia do tráfico.

Veras lembra de já ter prendido apenas uma mulher no Espírito Santo chefe de quadrilha de traficantes. A mulher ainda está presa, mas não dá entrevista.

Diego Marques Yamashita, delegado de Tóxicos e Entorpecentes da Polícia Civil, explica que o vínculo com homens – amantes, filhos, irmãos – é que leva muitas mulheres a se envolver com o tráfico. “Além de mulas, elas já trabalham na endolação”, diz ele, referindo-se à embalagem da droga para ser vendida em forma de papelote (cocaína) ou baseado (cigarro de maconha).

Pena de 8 anos por tráfico

Ela tem 78 anos de idade, mas não pense que Leonina Alves Mendes da Silva faz o gênero vovozinha. Vaidosa, adora jóias de ouro, que não tem dificuldades para adquirir, embora não possa usá-las como gostaria, simplesmente porque dona Filó, como Leonina é chamada, está no Presídio Feminino de Tucum, em Cariacica, condenada a oito anos e seis meses de reclusão, por tráfico de drogas.

Dona Filó já cumpriu um ano e dois meses da pena, e mantém a expectativa de que os recursos impetrados por seus advogados a livrem da cadeia, para onde foi, garante, injustamente.

“Eu saí de casa para ir a uma farmácia e uma pessoa me pediu que eu guardasse uma sacola para outra, que eu também conhecia. Não sabia, mas o dono da sacola havia sido preso, na manhã daquele dia. Quando a polícia chegou no meu apartamento, no bairro São Francisco, em Cariacica, eu disse que não sabia o que tinha na sacola. E eu não sabia mesmo”, garante.

Dona Filó, aos 29 anos, matou um homem em Minas Gerais, porque diz que ele queria violentar sua filha de 9 anos. Na época, foi condenada e ficou 2,4 anos presa. Depois disso, foi dona de uma boate na antiga zona boêmia de São Sebastião, na Serra.

Com a mulher, que recebe pensões no valor de R$ 19 mil mensais – é viúva de dois maquinistas da Vale –, é mãe de quatro filhos e avó de 12 netos, foram presas outras três pessoas, inclusive sua ex-nora, que também está no Presídio de Tucum.

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