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19/05/2008 - O Tempo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Classes altas de BH furtam mais energia

Por: Flávia Martins Y Miguel


Os bairros que concentram moradores de maior poder aquisitivo na capital são responsáveis por grande parte do prejuízo que a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) tem com o roubo de energia. Nessas áreas, o principal problema é manipulação dos medidores.

A idéia de que os desvios ilegais são, na esmagadora maioria, prerrogativa das classes mais baixas é derrubada quando as estimativas da empresa mostram que nas vilas e favelas são 100 mil furtos contra 450 mil nas casas, prédios e condomínios em bairros de Belo Horizonte, por ano.

A diferença é que nas vilas e favelas o furto se dá geralmente por "gatos", roubo de energia pela fiação diretamente ligada aos postes de iluminação. Enquanto nas classes mais favorecidas o que acontece, segundo a Cemig, é o furto no medidor, com alguns artifícios para enganar a leitura.

A maior parte das fraudes nos relógios acontece na região Centro-Sul, principalmente entre as classes A e B. Todos os bairros, entre eles os mais nobres, já foram alvo de comprovação de desvios grosseiros até manipulações mais eficientes. "Já encontramos cotonetes segurando o disco do relógio em residências", contou o gerente de coordenação da Proteção da Receita da Cemig, Sérgio Mourthe.

Mutirões realizados pela companhia já agiram em condomínios luxuosos de Nova Lima, que apresentavam ilegalidades. No bairro Gutierrez, algumas ruas apresentaram furtos em 40% das residências. "A oferta da fraude na manipulação é um crime organizado. O pessoal que oferece faz parte de quadrilhas", explica Mourthe.

Os consumidores que não resistem à desonestidade acabam sendo detectados. A queda brusca no consumo do cliente acende uma luz vermelha na central de monitoramento. "Tem um alerta do leiturista que diz que a caixa foi violada e também tem o perfil do consumo das casas. Tudo isso nos informa que há coisa errada", disse o gerente. Quando a fraude é descoberta, além da conta, o cliente tem que pagar uma taxa de 30% sobre o trabalho "investigativo" da companhia.

Embora seja um crime, a punição para o furto de energia muitas vezes acaba apenas no ressarcimento do serviço, conforme a própria Cemig. A dificuldade de configuração do delito desencoraja os processos judiciais que, caso fossem iniciados, poderiam resultar em até dois anos de prisão.

Desonestidade. Para o sociólogo e professor Moisés Gonçalves, da PUC Minas, a concentração da ilegalidade no topo da pirâmide social demonstra uma lógica antiética. "Olha-se para os pobres com olhar preconceituoso e acusatório, quando deveriam olhar para a própria ética. As tais classes média e alta, que tanto se indignam com a violência, cometem crimes dentro de casa", diz.

Já na periferia, em vilas e favelas, os "gatos" são combatidos com maiores dificuldades por causa da reincidência. Por isso, desde 2006, 15 aglomerados recebem o projeto Conviver, que aborda o uso consciente da energia de forma que as comunidades passem a ter um consumo menor, diminuindo a inadimplência, um dos motivos que incentivam atos ilegais.


Violação pode causar até a morte do infrator

Violar equipamentos de empresas fornecedoras de serviços de energia, além de ser ilegal, pode trazer conseqüências perigosas para o autor do delito.

O despreparo de pessoas que tentam interferir nos sistemas de redes distribuidoras de energia pode causar queimaduras graves e choques fatais, caso aconteça uma descarga inesperada, muito comum em tentativas de furtos.

Segundo o coronel Cláudio Teixeira, comandante operacional do Corpo de Bombeiros em Minas Gerais, o risco de ligações clandestinas em residências pode causar incêndios e também já feriu diversos militares no atendimento da ocorrência.

“Você chega com a mangueira para apagar o incêndio e acha que é um varal na sua frente. Mas, na verdade, é um fio de energia”, comentou o coronel Cláudio Teixeira.

Riscos ao fazer “gatos” na rede

Choque elétrico
Pode causar parada cardíaca e morte. Ocorrem cem mortes ao ano por motivos
de eletrocussão em Minas

Incêndio
Do total de ocorrências atendidas por bombeiros em residências, 40% são
causadas por “gatos”

TV a cabo
12 mil casos por ano de pirataria em sinal

As empresas prestadoras de serviços de TV e Internet a cabo são outro alvo fácil dos que optam pela “lei da vantagem”. Somente na capital são 12 mil casos anuais de pirataria de sinal contra a empresa Net. As irregularidades são descobertas por meio de denúncias anônimas ou de clientes.

Para não fugir à regra, a maioria das incidências do crime acontece na região Centro-Sul, nos bairros Santo Antônio, Sion, Lourdes e em condomínios como o Alphaville, em Nova Lima. Um médico, morador do bairro Serra, que preferiu não ser identificado, confessou que realizou conexões clandestinas por sete anos e somente há poucos meses resolveu contratar o serviço. “Não me arrependo nem um pouco porque acho extorsivo o preço do serviço. Deixei de fazê-lo somente quando o sinal foi decodificado e comprei o pacote básico”, revelou.

Nos bairros com muitos edifícios é encontrada a maioria das ilegalidades, segundo o monitor técnico da Net, Gladstone Drummond. “Fica mais fácil de executar os furtos de sinal. Em alguns edifícios, a gente faz vistoria a cada três meses por causa do volume de denúncias”,disse Drummond.

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