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17/05/2008 - Invertia / NY Times Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Europa: após escândalos, empresas estudam padrões éticos

Por: Nicola Clark


Uma série de investigações por suborno de importantes empresas européias ajudou a acelerar a adoção de padrões mundiais de combate à corrupção, à medida que os dirigentes reconhecem os riscos que suas marcas e reputação estão sofrendo, disseram analistas e autoridades regulatórias internacionais.

A Alstom, gigante empresa do setor de construção e mecânica pesada, reconheceu no começo do mês que alguns de seus funcionários haviam sido recentemente interrogados por investigadores franceses e suíços que estão tentando confirmar acusações de que a empresa pagou centenas de milhões de dólares em subornos a fim de conquistar contratos na Ásia e na América do Sul entre 1995 e 2003.

Também este mês, uma auditoria interna na BAE Systems, uma empresa britânica de equipamentos de defesa, constatou que a companhia estava exposta a acusações de corrupção por não ter considerado devidamente as questões éticas, especialmente em um caso envolvendo venda de armas à Arábia Saudita. No ano passado, dois ex-executivos do conglomerado alemão Siemens foram condenados por suborno, em conexão com um contrato de fornecimento de turbinas a gás na Itália.

As atitudes parecem estar se enrijecendo na Europa, onde leis que proíbem pagamentos a funcionários de governos ou a executivos estrangeiros, para conquistar contratos de negócios, ainda são relativa novidade.

Até alguns anos atrás, muitos governos europeus até mesmo permitiam que as corporações de seus países deduzissem dos impostos "comissões" pagas para obter contratos no exterior. A França tornou essa prática ilegal em 2000 e a Alemanha seguiu-lhe o exemplo em 2003. No Reino Unido continua a não existir formalmente uma lei de combate à corrupção.

Mas mesmo na ausência de fiscalização ativa, algumas empresas européias decidiram enfrentar o problema por conta própria.

"As regras do jogo mudaram", disse Richard Cellini, vice-presidente da Integrity Interactive, uma consultoria americana que assessora cerca de 350 clientes, entre os quais Adidas, BP, Novartis e Coca-Cola, quanto a questões de ética. "Na era da Internet, o dano que acusações como essas causam às marcas acontece do dia para a noite, ainda que os fatos jurídicos do caso possam levar anos a ser esclarecidos".

A BAE Systems anunciou que pretende adotar 23 recomendações propostas por um comitê presidido por Harry Woolf, ex-juiz britânico responsável pela revisão das normas éticas do grupo. O Serious Fraud Office, o órgão oficial britânico de combate a fraudes empresariais, abandonou no ano passado sua investigação sobre acusações de que a empresa havia utilizado suborno para conquistar um contrato multibilionário de armas com os sauditas, nos anos 80. A BAE Systems nega qualquer delito nesse caso.

O relatório de Woolf recomenda que os principais executivos da empresa tenham seu salário vinculado ao comportamento ético, e que todas as decisões de negócios sejam revisados tendo em vista seu potencial impacto sobre a reputação e as normas éticas do grupo.

A admissão da Alstom se segue a uma reportagem do Wall Street Journal segundo a qual investigadores estavam averiguando pagamentos que a empresa havia realizado em conexão a um projeto de expansão do metrô de São Paulo, bem como com relação a um projeto de hidrelétrica no País, parcialmente financiado pelo Banco Mundial.

A Alstom, que se beneficiou de um grande pacote de resgate promovido pelo governo francês em 2004, para escapar ao colapso, disse que "nenhum procedimento judicial acusa a empresa de suborno".

Embora reconheçam que as acusações contra a Alstom não foram provadas, organizações de combate à corrupção saudaram a revelação de que há investigações em curso como um sinal encorajador.

"A fiscalização ainda é irregular", disse Fritz Heimann, fundador da Transparência Internacional, grupo que monitora a corrupção. Dos 37 países que assinaram a convenção anti-suborno da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 1997, pouco mais de um terço tem nível "razoável" de fiscalização quanto à questão, segundo Heimann.

A Transparência Internacional classificou Alemanha e França, no ano passado, entre os países nos quais mais avanços foram realizados na investigação e repressão judicial a casos de suborno empresariais. Japão, Reino Unido e Canadá não promoveram nenhum processo importante nesse ramo, disse o grupo.

No entanto, mesmo nos países em que a fiscalização foi menos severa, analistas dizem que os líderes empresariais começam a reconhecer a importância de trabalhar de maneira mais limpa.

Uma pesquisa publicada no mês passado pela Integrity Interactive constatou que o risco de suborno se havia tornado uma questão preocupante para os funcionários encarregados de controladoria interna e os diretores jurídicos das 100 maiores empresas européias. Desses executivos, 48% disseram estar dedicando a maior parte de seu tempo e recursos a medidas de fiscalização e prevenção da corrupção, ante 34% um ano antes. Um terço disse acreditar que as autoridades governamentais também não eram rigorosas o suficiente na repressão a casos de suborno.

"As empresas estão começando a reconhecer a necessidade de limpar suas atividades", disse Cellini, da Integrity Interactive, que tem escritórios na Europa. "As pessoas que não receberem essa mensagem e agirem nesse sentido em poucos meses começarão a perder seus empregos".

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