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06/05/2008 - SIC Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraudes: Gerente bancário acusado de criar contas paralelas fez o que todos faziam - testemunha


Porto, 06 Mai (Lusa) - As contas paralelas que levaram a tribunal Nuno Espregueira Mendes, um ex-gerente bancário ligado ao FC Porto, eram uma prática generalizada, disse hoje um gestor de conta que trabalhou com o arguido.

No Tribunal de São João Novo, Porto, Mário Antunes afirmou também que os clientes não eram informados dos riscos deste tipo de operações com o dinheiro que confiavam ao banco.

A juíza-presidente Manuela Paupério escandalizou-se porque os clientes pensavam estar a confiar o seu dinheiro a um banco quando, em rigor, ficavam dependentes das decisões de simples funcionários.

Como cada gestor de conta tinha liberdade para fazer as aplicações que queria, "era o cada um por si e Nosso Senhor por todos", comentou a magistrada, em tom jocoso.

A juíza voltou a insurgir-se quando Mário Antunes disse que era "muito fácil" conhecer as aplicações financeiras de qualquer pessoa nos bancos.

"Afinal, o sigilo bancário só existe para os tribunais", comentou a magistrada.

O longo depoimento de Mário Antunes ficou também marcado pela revelação de que ele próprio e dois outros gestores de conta usaram dinheiro de clientes para operações financeiras próprias com acções da PT, depois de obterem informações bolsistas privilegiadas.

Os lucros foram cair à conta da então namorada da testemunha, enquanto a do cliente que emprestou sem saber ficou a descoberto um dia.

Para que nada se percebesse, o dinheiro foi-lhe reposto um dia depois, com data-valor anterior.

A juíza-presidente também interveio nesta altura, para salientar a "gravidade" da operação, mas a testemunha garantiu que muita gente faz negócio na bolsa sem dinheiro, "comprando no rumor e vendendo na notícia".

O arguido, que ainda está ligado ao FC Porto como gestor da empresa associada Portocomercial, começou a ser julgado em Maio de 2007, sendo acusado pelo Ministério Público (MP) de burla qualificada.

De acordo com a acusação, o esquema terá lesado o Banco Mello em 10 milhões de euros.

Funcionou entre 1998 e 2000 e Espregueira Mendes criou uma série de contas paralelas, que lhe permitiam oferecer juros altos, mas também empréstimos sem garantias ou contrapartidas.

Pelo menos parte do dinheiro era jogado na Bolsa.

Ainda segundo a acusação do MP, os lucros obtidos por Nuno Espregueira Mendes nas operações com o dinheiro dos depositantes entravam numa conta da sua mulher ou eram emprestados a pessoas ou entidades amigas, designadamente o FC Porto.

No seu testemunho de hoje, perante o colectivo de juízes da 2ª Vara Criminal de São João Novo, no Porto, Mário Antunes descreveu Nuno Espregueira Mendes como "um gestor ausente" da agência do Banco Mello nas Antas-Porto.

De acordo com Mário Antunes, o arguido beneficiava do facto de ter isenção de horário para poder dedicar mais tempo a funções directivas no FC Porto.

As alegações finais estão marcadas para dia 29, às 14:00. (JGJ)

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