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25/04/2008 - Gazeta Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraude no INSS: futuros beneficiários tomavam até leite com sal para alterar pressão

Por: Beth Guerra


A fraude na concessão de benefícios do INSS no Espírito Santo, comandada pelo deputado estadual Wolmar Campostrini e apoiada por médicos particulares, era conhecida dos futuros beneficiários. Alguns chegaram a beber leite com sal para subir a pressão e forjar o resultado da perícia médica na tentativa de conseguir auxílio-doença ou até se aposentar por invalidez.

Segundo a delegada Andréia Cristina de Vasconcelos, as pessoas que obtiveram benefícios por meio da fraude também serão responsabilizadas pelo crime. “Os beneficiários tinham plena consciência disso porque nos casos em que os funcionários da Previdência não conseguiam marcar com os peritos que faziam parte da quadrilha e que emitiam os falsos laudos, eles tramavam que tomariam leite com sal e que simulariam problemas de lucidez”, explica.

O esquema existe há pelo menos cinco anos e o prejuízo aos cofres públicos, somente nos últimos seis meses, chegou a R$ 5 milhões. “Essa fraude se dava em torno de um deputado estadual e eles só tiveram sucesso porque há pessoas da população que se deixam iludir e querem ganhar dinheiro fácil. Já sabendo do esquema, as pessoas procuravam clínicas particulares envolvidas ou que nós chamamos de despachantes previdenciários - que são atravessadores - e chegavam a assessores do deputado e médicos particulares que emitiam laudos ideologicamente falsos”, conta a delegada.

‘Indicados’ do deputado chegavam para perícia com bilhete e senha

A maioria das perícias eram marcadas com médicos do INSS que já estavam envolvidos no esquema. “Esses beneficiários apresentavam o laudo ideologicamente falso, junto com uma senha e bilhete que identificava que eles eram indicados pelo deputado. O médico perito, sofrendo influência política do deputado, concedia o benefício a pessoa por uma enfermidade que não existia. Ele poderia até ser enfermo, mas não sofria da enfermidade descrita no laudo”.

Com o esquema, os beneficiários adquiriam auxílio-doença e até se aposentavam por invalidez. Em troca, garantiam votos para o deputado Wolmar Campostrini. As primeiras denúncias que chegaram à delegacia de Crimes Previdenciários da Polícia Federal foram feitas por populares que discordavam do esquema, segundo a delegada. “Eram pessoas que sabiam que um colega de trabalho recebia um auxílio-doença sem ter nada e isso trazia revolta”.

No início das investigações a polícia desconhecia as ramificações do esquema. “Esse esquema funcionava há cinco anos e nós não tínhamos noção de que era tão grande e que envolvia servidores e médicos particulares”.

Funcionários da previdência recebiam propina. Deputado, voto

O superintendente da PF afirmou que alguns funcionários também recebiam dinheiro para atuar de forma a liberar documentos falsificados. O valor da ação fraudulenta dos servidores do INSS variava entre R$ 50,00 e R$ 300,00, de acordo com o tipo de benefício pleiteado pelo 'paciente'. De acordo com Jader Lucas, o deputado usava de tráfico de influência, já que é médico perito licenciado da Previdência Social. Já Wolmar Campostrini, recebia votos dos beneficiários, que se transformavam em cabos eleitorais do deputado.

Deputado pode não ser preso, mas será indiciado

O deputado Wolmar Campostrini não pode ser preso pelo esquema de fraudes ao INSS, por ter foro privilegiado. “Desde a sua diplomação ele não pode ser preso já que não houve flagrante. Ele precisa ser processado pelo Tribunal Regional Federal da Segunda Região. Depois de analisar o material apreendido ontem vamos relatar o inquérito. O deputado vai ser indiciado e vamos relatar o inquérito a procuradoria da república”, afirmou a delegada da PF.

Prisões

Pelo menos 48 pesssoas foram presas. Estão detidos cinco servidores do setor administrativo do INSS, cinco médicos peritos que trabalhavam nos municípios de Vila Velha e Cariacica, além de 13 despachantes, que seriam os mediadores entre os futuros beneficiários e os médicos peritos, e outras 17 pessoas que teriam se beneficiado do esquema.

Peritos responderão a processo interno

A gerente do INSS no Espírito Santo, Aparecida Francis Cunha, declarou que os peritos envolvidos nas investigações da Polícia Federal e Ministério Público Federal, presos nesta quinta-feira na operação Auxílio-Sufrágio, vão responder a uma ação interna da Comissão de Procedimentos Disciplinares (Corregedoria) do INSS.

Aparecida afirmou que todo um procedimento de apuração será realizado em conjunto com a polícia e o Ministério Público. Caso seja comprovado a fraude, o órgão oferecerá denúncia ao Ministério Público para que se instale uma ação penal contra os acusados.

O atendimento nas agência de Vila Velha e Cariacica, local onde os cinco peritos presos atuavam, foi normal na manhã desta sexta-feira. Peritos de outra unidades foram remanejados, para não deixarem as consultas pré-agendadas comprometidas.

Aparecida Francis Cunha afirmou que por enquanto pode ocorrer algum contra tempo, no entanto, salientou que todo o procedimento realizado é para garantir o bom funcionamento do órgão.

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