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20/04/2008 - 24 Horas News Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

De cada dez falsos sequestros, duas vítimas ainda pagam resgate

Por: José Ribamar Trindade


Uma empresária depositou R$ 10 mil numa conta bancária. Um deputado saiu correndo de dentro do gabinete do governador após receber uma ligação informando que o filho dele havia sido seqüestrado. A mãe de um jornalista entrou em pânico quando soube que bandidos, supostamente, estavam com seu filho e pediram resgate. Instantaneamente, uma avó morreu de infarto ao saber que o neto dela estava nas mãos de seqüestradores.

Após receber a informação sobre o seqüestro de seu filho, uma dona-de-casa comprou R$ 500,00 em cartões telefônicos para negociar o seqüestro do garoto. De cada dez tentativas de extorsão, dentro das principais penitenciárias do país, através de um aparelho celular com ligações a cobrar, duas pessoas ainda caem no golpe e pagam pelos falsos resgates em Mato Grosso.

“Olha aqui minha senhora, nós estamos com o teu filho preso aqui. Ele está seqüestrado. Se a senhora não pagar um resgate de R$ 10 mil, nós vamos matar ele”, anunciam os bandidos. Ai entra em ação uma peça teatral que os bandidos encenam dentro da cela. “Alguém começa a gritar e a falar coisas do tipo: “Paga mãe, se não eles vão me matar”. No desespero a mãe confunde a voz do filho e entra em pânico.

A mãe, no caso, mas também pode ser o pai o os avós da suposta vítima, pede um tempo e começa a ligar para as pessoas que os bandidos afirmam que está seqüestrada. Geralmente assas pessoas, que na maioria das vezes saíram à noite para se divertir, não estão com o celular ligado e aumenta ainda mais o desespero da família.

Umas das vítimas do falso seqüestro para extorsão foi o deputado federal Homero Pereira. Ele estava dentro do gabinete do governador Blairo Maggi, no Palácio Paiaguás, quando recebeu uma ligação. Eram os bandidos anunciando que o filho dele estava seqüestrado.

O parlamentar entrou em desespero e saiu correndo do gabinete do governador. Ligou para o filho, mas o celular estava fora do ar. Ainda no caminho de casa, onde iria participar os acontecimentos para a família e começar a tomar providência, conseguiu falar com o filho, que estava bem e nem sabia o que estava acontecendo.

A pensionista Adenir Arruda Campos, de 66 anos, mãe do jornalista Valdemir Roberto, também passou pelo mesmo drama no ano passado. Um homem que se identificou como policial, ligou a cobrar e anunciou o seqüestro do filho dela, o técnico em informática, Luiz Carlos, de 36 anos, que não estava em casa.

O suposto policial, que na realidade era um bandido preso em umas das penitenciárias do Rio de Janeiro, começou a fazer perguntas e a exigir que ele comprasse cartões e mandasse para agilizar as negociações com o filho. Dona Adenir entrou em pânico, até que conseguiu falar com um dos filhos, inclusive com Luiz Carlos, que estava bem e também desconhecia o assunto.

No mês seguinte, quando recebeu a conta telefônica, dona Adenir ainda levou outro susto. Ela mesma descobriu que a ligação que recebeu anunciando o falso seqüestro do filho havia saído de um dos presídios do Rio de Janeiro.

NÚMERO DESCONHECIDOS

Os números de vítimas do falso sequestro, no entanto, segundo a Polícia Civil, ainda são imagináveis. A estimativa é de que, pelo menos 90% das pessoas que recebem esse tipo de ligação, mesmo que pague ou não, não registram ocorrência policial.

Somente a Gerência de Repressão a Seqüestros e Investigações Especiais (GRSIE), chefiada pelo delegado Luciano Almeida da Silva, registrou 38 casos de simulação de sequestro, via telefone entre o dia primeiro de fevereiro de 2006 a 2007.

De todas as ligações rastreadas, 27 foram identificadas e saíram de dentro de presídio do Rio de janeiro para Cuiabá e algumas cidades do interior de Mato Grosso. Na Capital, em um dos casos, os bandidos exigiram R$ 10 mil para liberar o filho de um empresário, mas ele só pagou R$ 3 mil porque descobriu que o filho apareceu antes do segundo pagamento.

Na região do Alto Araguaia, a Polícia Civil descobriu que duas pessoas caíram no mesmo golpe. As duas famílias teriam que pagar R$ 5 mil, mas só pagaram R$ 2 mil. As supostas pessoas seqüestradas apareceram antes dos pagamentos.

Os números, no entanto, segundo a assessoria de comunicação da Polícia Civil, são referentes apenas aos casos registrados, atendidos e investigados para GRSIE. A assessoria afirma, no entanto, que existem outros casos registrados em outras unidades da própria Polícia Civil e da Polícia Militar.

FAMÍLIAS CONTAM DRAMA

O impacato de quem recebe uma ligação anunciando que um parente está em poder de bandidos e que pode ser executado caso não seja pago o resgate é insuportável. Os relatos das vítimas são impressionantes. São dramas recheados de pânico e muita dor. Uma delas conta que caiu da cama quando soube que o filho, um estudante de direito de 19 anos, primeiro havia sofrido um acidente e estava entre a vida e a morte. Depois quando soube que o filho estava sob a mira de revólveres em um seqüestro.

“Tudo para eles (os bandidos) têm que ser muito rápido. Vocês não imagimam o drama que se passa pela cabeça da gente quando recebemos uma ligação a cobrar anunciando que um filho nosso está correndo risco de vida”, diz uma empresária que mora no bairro Goiabeiras, em Cuiabá. Ela confirma que não teve dúvidas em pagar R$ 10 mil pelo falso resgate do filho.

Ao receber uma ligação a cobrar, alguém disse para dona Marta que o filho dela havia sofrido um acidente, mas como ele estava inconsciente e sem poder se mover antes do resgate chegar, pediu detalhes sobre a suposta vítima, inclusive endereço e telefone de uma pessoa da família para contato imediato. Sem imaginar o que estava acontecendo, a mãe deu detalhes sofre o filho.

O homem, que antes se assou como um oficial do Corpo de Bombeiro voltou a ligar, só que desta vez anunciou direto o seqüestro. “A senhora vai em quatro agências do banco – ele deu o nome do banco -, e deposite R$ 10 mil, agora. Sem imaginar que estava sendo vítima de um golpe, dona Marta conta que atendeu as exigências do sequestrador.

“Eu nem fui ao banco, como eu tinha esse dinheiro em casa, mandei que um outro filho meu fizesse os depósitos, enquanto eu ficava conversando com o homem pelo celular. Quando meu filho acabou de voltar e eu falei que o dinheiro estava depositado, eles começaram a dar risadas e desligaram o telefone na minha cara. Logo em seguida meu filho que eles disseram que estava seqüestrado também chegou. Perdi o dinheiro, mas dei graças a Deus quando vi meu filho sã e salvo. Ele estava no cinema, bem tranqüilo.

Uma ligação, descoberta posteriormente como sendo feita de dentro de uma penitenciária do Rio de Janeiro, pegou um casal: ele advogada, e ela empresária de surpresa. Já passavam da meia-noite de um sábado do ano passado, quando um telefonema a cobrar anunciou o seqüestro de um casal de filho de uma família de classe média que mora no Jardim Petrópolis.

“Eu chegue a ligar para um amigo meu para pedir dinheiro emprestado, pois eles disseram que uma mulher iria passar em um táxi para pegar “R$ 20 mil para pagar o resgate em menos de uma hora. Tudo isso sob uma forte tensão de gritos dos meus supostos dois filhos que estariam em poder deles. Foram mnomentos terríveis. Só me dei conta de que tudo era apenas um pesadelo, quando meu amigo me falou para que eu ficasse calmo, pois com certeza meus filhos estavam bem”.

Mesmo assim, segundo o empresário, ele ainda sofreu por mais 30 minutos, até confirmar que seus dois filhos estavam bem. “Meu amigo me alertou para os golpes de dentro de presídios. Nisso eu me lembrei que outro amigo, também advogado, passou pelo mesmo drama. Logo em seguida chegaram os meus filhos e tudo voltou ao normal, graças a Deus”, agradeceu o advogado.

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