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18/04/2008 - Paraíba Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Caso Giovanna - de vigaristas a assassinos

Por: Mara Cornelsen e Patrícia Cavallari


A história dos ciganos poderia até ser engraçada, caso não fosse desembocar em uma tragédia. Em busca de “clientela” nova e um aluguel mais barato, Vera Petrovitch, o filho Pero e a nora, na época com 15 anos, mudaram-se para Quatro Barras, cerca de um ano antes do crime. Pero se dizia vendedor de enxovais, mas passava a maior parte do tempo em casa, comendo pizza e tomando refrigerantes, ao lado da mulher, assistindo televisão. O “ganha pão” deles, na verdade, era garantido pelos golpes aplicados por Vera (ou “Dona Diva”) nas pessoas atraídas para “ver a sorte” ou tirar o “mau olhado”.

No começo, as “consultas espirituais” atraiam muita gente para a ampla casa alugada no Jardim Patrícia. Pessoas que vinham em carros de luxo, para saber do futuro, recuperar algum amor perdido e deixar boas somas em dinheiro nas mãos da cigana. Com o tempo os clientes foram “minguando” e Vera se viu obrigada a aplicar golpes até em vizinhos, com a conversa fiada de que a pessoa precisava de “trabalhos” para melhorar de vida. Não se tem idéia de quanta gente ela enganou, mas conseguiu fazer com que os vizinhos lhe entregassem carros, televisores, dinheiro (quantias que variavam de R$ 500,00 a R$ 2.500,00), celulares, mantimentos e sabe-se lá mais o quê.

No dia do sumiço de Giovanna (10 de abril de 2006), Pero e a mulher compraram uma rifa da menina e dizem que não a viram mais. Vera estava em Curitiba, na casa da filha Fátima - também cartomante e conhecida por “dona Lurdes” - moradora na Rua Riachuelo, cuidando dos preparativos do casamento do filho mais velho, Hioffmer. No dia seguinte, Pero e a mulher se juntaram a elas e só retornaram para Quatro Barras na quarta-feira da outra semana, quando encontraram a casa aberta tinha sido vasculhada pela polícia e souberam que estavam sendo apontados como suspeitos do crime. Pero ainda foi até a delegacia com Renato Michel, a quem pediu ajuda. O rapaz apresentou um documento de origem duvidosa e por isso ficou detido por alguns dias. Quando liberado, foi aconselhado a deixar a cidade, com sua família, porque a população estava revoltada e poderia linchá-los. Trataram de juntar alguns poucos pertences e desapareceram, abandonando até a mudança. Parecia que o feitiço tinha virado contra o feiticeiro. As rezas que eram feitas para melhorar a vida “dos outros”, não funcionavam para eles.

Dados como foragidos, as investigações se concentraram em provar o envolvimento dos ciganos com a morte da menina. Com novo mandado de busca e apreensão, o apartamento de Fátima foi vasculhado. A polícia encontrou um saiote branco sujo de sangue, um frasco contendo sangue misturado possivelmente com água, e um envelope em que estava escrito o nome completo de Giovanna. A família tentou explicar que o sangue era da noiva do irmão de Pero, que se casou virgem e como é costume cigano, teve que entregar a prova da virgindade para as mulheres mais velhas da família. E o nome da menina morta foi escrito por Fátima em um envelope, quando ela ouviu numa agência dos Correios, pessoas comentando na fila que seu irmão era suspeito de um assassinato. Anotou o nome da vítima, conforme revelou à polícia, para mais tarde fazer uma pesquisa na internet e descobrir o que estava acontecendo.

As explicações não surtiram efeito. Para a polícia eram indícios incriminadores. A delegada Margareth pediu a prisão preventiva de Vera, de Pero, e de Renato e a apreensão da menor. Para a policial estava confirmada a autoria do crime.

Três, dos quatro acusados, estão na cadeia

Somente um ano depois (em 24 de maio de 2007), Vera e Pero foram presos em Araçatuba (SP), durante uma investigação para encontrar a filha de uma ex-doméstica da avó de Pero, que teria seqüestrado a menina ainda bebê. Na investida policial, a garotinha não foi localizada, mas mãe e filho foram reconhecidos graças a um recorte de jornal, presos e recambiados a Curitiba, seguindo imediatamente para a cadeia. Renato e a mulher de Pero não chegaram a ser presos. O advogado contratado por eles conseguiu revogar o pedido de prisão preventiva. Porém, no início deste mês, Renato foi apanhado em flagrante pela Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, sob a acusação de estar aplicando golpes avaliados em R$ 500 mil, usando para isso seus dons de cigano.

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