Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

16/04/2008 - Gazeta do Sul Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraude em alto nível

Por: Valdo Barcelos


Em recente reportagem a imprensa trouxe à tona um tema que não é exatamente novidade, contudo, tem se tornado muito freqüente nos meios acadêmicos brasileiros: a compra de trabalhos de conclusão de cursos universitários. As reportagens que se seguiram fizeram um “mapa do caminho” percorrido pelos fraudadores e plagiadores. Até tabela de preço existe conforme o grau de importância do título a ser conferido: desde monografias de Conclusão de Curso até Tese de Doutoramento. Tudo podendo ser consultado na internet!

A chamada “cola” é tão antiga quanto a escola. O que causa verdadeira espécie é que justamente aqueles que deveriam ser os primeiros a dar o exemplo de dedicação e valorização do estudo é que estão fazendo exatamente o contrário. Pois ao não realizarem, eles próprios, a tarefa que lhes compete, estão fraudando a instituição que os abrigou e, o que é ainda pior: a sociedade que lhes garante a possibilidade de estudar numa instituição pública. Refiro-me, em particular, às fraudes praticadas por estudantes das universidades públicas brasileiras.

No livro intitulado Inimigos da Esperança – publicar, perecer e o eclipse da erudição (EDUSP, 2007), de autoria do insuspeito (neste caso) Lindsay Waters, editor da não menos suspeita Harvard University Press, é traçado um “mapa do caminho” de para onde estamos caminhando com esta corrida frenética em busca de publicar a qualquer preço. Daí o subtítulo do livro de Waters. Pergunto: até quando vamos continuar copiando este modelo acadêmico norte-americano de avaliação? Os sinais de sua falência já estão sendo denunciados na sua origem – conforme mostra o livro citado anteriormente. Será que finalmente venceu, na academia, a lei de que o negócio é não ter mais idéias?

Ao ler a reportagem sobre as fraudes acadêmicas em nossas universidades e olhar para a verdadeira “gincana” em que se transformou o mercado das publicações científicas, fica difícil não relacionar os fatos: fraude e gincana de publicações. Com isto, me vem à lembrança a imagem retratada por Charles Chaplin no clássico Tempos Modernos. A diferença é que, enquanto no filme eram operários apertando mecanicamente parafusos numa fábrica, nas academias são pesquisadores trabalhando de forma repetitiva, muito pouco reflexiva e nada criativa numa busca frenética por mais e mais “produção”.

Em tempo: estamos falando da “elite intelectual” do país! Estou pessimista: não. Até sou otimista, na medida em que a universidade brasileira ainda é jovem. Defendo que nossa alternativa passa por olharmos mais para nossas raízes culturais, para a criatividade de nossas gentes e deixar de agir como aquelas velhas elites copiadoras que Oswald de Andrade chamou de “elites vegetais em contato direto com o solo”.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 423 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal