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11/04/2008 - O Diario do Norte do Paraná Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Carência, ambição. Conto do vigário ainda faz vítimas

Por: Clóvis Augusto Melo


O que leva uma pessoa, em pleno século XXI, vivendo sob a égide da sociedade da informação, a cair no conto do vigário? Não há consenso sobre a origem da expressão, que dá nome a uma família de quase três dezenas - e outras tantas variantes - de golpes. A versão mais comum fala de uma disputa entre dois padres em relação à posse de uma imagem de Nossa Senhora.

Um dos vigários sugeriu que se colocasse a imagem em cima de um burro exatamente na metade do caminho entre as duas igrejas, sendo que a santa ficaria com a paróquia para a qual o animal se deslocasse. O burro foi justamente para a paróquia do padre que propôs a solução para a disputa e, mais tarde, se descobriu que o animal era dele - logo, dificilmente tomaria outra direção que não a da igreja onde morava.

Os elementos presentes em um golpe são sempre os mesmos: o vigarista (a palavra tem origem na expressão "conto do vigário"), uma história bem contada que promete um prêmio (normalmente em dinheiro) e um tolo. Estudo realizado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro em 2003 revelou que dos quase três mil casos registrados como estelionato em 61 delegacias do Estado, cerca de 10% se referiam a golpes considerados contos do vigário.

Nesse tipo de crime, a vítima é induzida a erro, através de um ardil com o objetivo de garantir vantagem para si ou para outra pessoa - ou seja, artigo 171 do Código Penal que, de tão conhecido, já virou até tema de samba. Às vezes se dança com pouco, outras vezes o prejuízo chega a algumas centenas de milhares de reais.

Esse tipo de crime é tão peculiar que, em alguns casos, a própria vítima se revela também um golpista. Por exemplo, alguém que compra uma máquina de fazer dinheiro - o famoso golpe da guitarra - é tão criminoso quanto aquele que a vendeu. O fato da máquina ser uma fraude não exime nem o golpista, nem a suposta vítima, da má-fé presente no ato. E a má-fé, seguida de perto pela vergonha em ter sido vítima de uma lábia, é responsável pela baixa notificação dos casos na delegacia especializada, ou na tentativa das vítimas de camuflar o ocorrido sob a denúncia de roubo ou furto.

Aquilo foi um assalto

"Não são poucas as pessoas que comparecem à delegacia dizendo que foram assaltadas, quando na verdade foram vítimas de um golpe", afirma o delegado Marcus Vinícius Michelotto, da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas de Curitiba. "E, quando assumem que caíram em um golpe, dizem que foram drogadas", ele acescenta. Não é uma boa estratégia: falsa comunicação de delito também é crime.

O delegado confirma que, muitas vezes, o trabalho do criminoso é facilitado pela ambição da vítima. "Tem que ser ganancioso para cair na maioria desses golpes", diz Michelotto, dando como exemplo o conto do bilhete premiado. "A pessoa acha que está comprando de um pobre coitado, por R$ 10 mil ou R$ 20 mil, um bilhete que vale milhões", ele descreve. "A vítima também quer enganar, levar vantagem."

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