Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

09/04/2008 - Jornal de Negócios Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Perdas médias das empresas aumentam 40% em dois anos devido a fraudes

Por: Carla Pedro


É homem, tem entre 31 e 50 anos e formação académica superior. É este o perfil do típico autor de fraude económica nas empresas, crime que continua a representar uma ameaça significativa para as empresas de todo o mundo, apesar dos esforços efectuados ao nível da regulamentação e dos processos de controlo, revela o relatório bianual "Economic Crime: People, Culture and Controls" da PricewaterhouseCoopers.

O estudo - que envolveu 5.400 empresas a nível mundial – revela que o crime económico é um fenómeno universal, que afecta empresas de todas as dimensões, em todos os continentes e em todos os sectores de actividade.

Quase metade (43%) das empresas analisadas foi vítima de alguma forma de crime económico nos últimos dois anos e as perdas financeiras directas de cada empresa aumentaram cerca de 40%, de 1,7 milhões de dólares em 2005 para 2,4 milhões de dólares em 2007, em média.

As perdas resultam de diferentes tipos de crime económico, que incluem a apropriação ilegítima de activos, fraude contabilística, suborno e corrupção, lavagem de dinheiro e usurpação de propriedade intelectual, sublinha o estudo.

Além dos custos financeiros directos decorrentes dos diferentes tipos de fraude, as empresas também registaram "danos colaterais" significativos nas suas operações quotidianas e no sucesso dos seus negócios.

"Das empresas que reportaram algum caso de fraude, 88% afirmam que tiveram impactos negativos na marca e na moral dos colaboradores, 84% referem que prejudicaram as relações com outras empresas e aumentaram os custos com os reguladores e 69% declaram que a fraude afectou negativamente o preço das suas acções", salienta o relatório.

Fraude não diminui há 8 anos

Os níveis da fraude nunca caíram nos oito anos em que a PricewaterhouseCoopers desenvolve este estudo, mas a maioria das empresas acredita que as suas medidas de controlo vão limitar a sua exposição futura à fraude. Apenas 11% considera a possibilidade de ser vítima de fraude no seu próprio país nos próximos dois anos.

Outra conclusão curiosa apresentada pelo relatório é a da correlação directa entre a dimensão da empresa e a prevalência da fraude. Assim, entre as empresas com 5.000 ou mais trabalhadores, 62% foram vítimas de fraude. A percentagem cai para os 52% em empresas com 1.001 a 5.000 trabalhadores e para os 32% para organizações com menos de 200 trabalhadores.

Por outro lado, não há sector que seja imune à fraude. A maior percentagem de situações regista-se nos sectores dos seguros e do retalho (57%). Seguem-se o sector público com 54%, serviços financeiros (46%) e sector automóvel (44%).

O roubo foi o tipo de fraude mais comum, reportado por 30% das empresas vítimas de crime económico. Seguem-se a usurpação de propriedade intelectual (15%), corrupção e suborno (13%), fraude contabilística (12%) e lavagem de dinheiro (4%).

Perfil

Os autores das fraudes são tipicamente indivíduos do sexo masculino (85%), maioritariamente com idade compreendida entre os 31 e os 50 anos e cerca de metade tem formação académica superior. Mais de metade estavam empregados na empresa lesada, 26% em posições de direcção e 43% estavam na empresa há mais de cinco anos.

Segundo o estudo, as razões apresentadas como justificação para a fraude incluem: benefícios financeiros (57%), estilo de vida dispendioso (36%) e desilusão com a carreira (12%). Em cerca de um terço dos casos foram referidos os fracos procedimentos de controlo, o baixo nível de envolvimento com a empresa (34%), o relativo anonimato (17%), a pouca clarividência quanto à ética da empresa (14%) e a tentação (44%).

Para que uma prática fraudulenta se mantenha por um período extenso, é necessário que os executivos envolvidos racionalizem o seu comportamento justificando-o, por exemplo, como "um benefício para a empresa".

"Em 40% dos casos, os colaboradores que cometeram fraude não tinham consciência de estarem a agir mal e 26% negaram mesmo existirem consequências financeiras para as empresas", salienta o relatório.

Detecção da fraude

Um total de 43% das fraudes foi inicialmente detectada através de linhas telefónicas ou outros canais de denúncia de práticas indevidas ("whistleblower hotlines"), enquanto que a melhor medida de controlo efectivo, a auditoria interna, foi o método de detecção inicial de 19% dos casos, evidenciando a importância de uma cultura corporativa transparente que permita aos empregados identificar e expor condutas impróprias, refere a PricewaterhouseCoopers.

O estudo diz ainda que a fraude é um elemento presente tanto nas sete maiores economias emergentes (Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia) como no mundo desenvolvido, mas os custos com a fraude são significativamente mais elevados em economias emergentes. Empresas com negócios nestes países reportaram perdas médias de 5,1 milhões de dólares, mais do dobro da média das empresas que não actuam nesses países. Pelo menos uma em cada quatro empresas com negócios nestes países afirmou ter-lhe sido pedido para pagar um suborno. A corrupção, o suborno e o roubo de propriedade intelectual são as principais preocupações para as empresas que se pretendem estabelecer nestes países.

O estudo foi realizado em 40 países (Portugal não está incluído), entre Abril e Julho de 2007, junto de presidentes executivos, directores financeiros e outros executivos com responsabilidade na prevenção e detecção de crimes nas suas empresas. Mais de metade dos inquiridos (52%) integra o conselho de administração da empresa.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 162 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal