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07/04/2008 - O Estado de Minas Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Excesso de líquido em frangos congelados penaliza o consumidor

Por: Marta Vieira


O gelo acondicionado nas embalagens nos balcões frigoríficos do varejo confirma que uma antiga fraude continua castigando o consumidor brasileiro, beneficiada pela fiscalização insuficiente. Quatro anos depois da polêmica aberta no país pela injeção de água no frango, a dona-de-casa não vê solução para o problema que, além do prejuízo no orçamento familiar, deixa abertas as portas para contaminação da carne. Na semana passada, a salgadeira Rosa Sarsur Nasser, há 20 anos no ramo em Belo Horizonte, fez novo teste com três marcas, uma de frango inteiro e duas de corte de peito, todas na forma congelada. Todas tomaram bomba na prova.

A água separada das aves descongeladas representou algo entre 22,6% e 30,3% de seu peso – o que, em alguns casos, significou mais de meio litro de água. A Instrução Normativa nº 20 do Ministério da Agricultura permite o máximo de 6% de água de degelo nas análises de amostras. Na carne temperada submetida ao processo de congelamento, é permitido injetar até 20% de água em salmora e temperos. Não é a primeira vez que Rosa Nasser se sente lesada. Ela já encontrou até 48% de água, ao descongelar um pacote de filé de peito de frango. No caixa do supermercado, o produto pesou 1,7 mil gramas mas, uma vez descongelada, a carne minguou para 870 gramas.

Denúncia

“Quando retiro a carne da embalagem, já percebo as placas de gelo. É revoltante essa falta de honestidade com o consumidor”, reclama. Com a experiência de manusear 20 quilos de carne da ave por semana, dona Rosa afirma já ter observado a presença de água em excesso em pelo menos quatro de seis marcas encontradas nos supermercados do Bairro Padre Eustáquio, onde mora, na Região Noroeste de BH. Constatado o prejuízo, o produto, normalmente anunciado na promoção e que, por isso, atrai o consumidor desavisado, acaba saindo mais caro.

Água injetada em excesso no frango deve ser imediatamente denunciada para que as empresas responsáveis sejam punidas, alerta Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste – Associação Brasileira do Consumidor, com sede em São Paulo. “Há casos em que o fabricante persiste nessa prática abusiva, mas ele pode responder não só administrativamente pela fraude, como também em processos civis e criminais”, afirma. Índices de água correspondentes a 20% do peso do produto são considerados muito altos na avaliação da Pro Teste, embora permitidos pela legislação.

Os testes mais recentes feitos em base técnica pela instituição de defesa do consumidor são de 2003, quando a Pro Teste acionou o Ministério da Agricultura. Na fase inicial da bateria de exames de sete marcas de frango, começaram os problemas. No varejo, a temperatura de armazenamento das aves era superior ao limite estabelecido e foram encontrados defeitos nas carnes, como rasgos na pele e penugem, junto a bactérias. “Tem de haver maior fiscalização (de responsabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e uma mudança nos testes de controle de água no frango”, diz Inês Dolci.

Estudos

A modificação mais esperada é a que vai definir os indíces de adição de água em cortes de frango, com base em análises científicas, assunto de estudos que estão sendo feitos por uma comissão de técnicos das unidades do Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), do Ministério da Agricultura. A Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig) classifica de rigorosa a legislação e informa que participa de um esforço de orientação dos produtores. Segundo Marília Martha Ferreira, superintendente da instituição, o trabalho tem de se configurar numa campanha nacional. “Estamos sempre preocupados com essa questão, mas o problema não está, propriamente, nos frangos produzidos no estado, mas naqueles que vêm de fora”, diz.

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