Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

06/07/2006 - Correio Braziliense / Correioweb Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpistas dão prejuízo de R$ 350 mil a bancos conveniados à Câmara

Por: Eduardo Militão


Um grupo de cinco pessoas é acusado pela Polícia Legislativa de dar um golpe de R$ 350 mil na Câmara dos Deputados. Com contracheques falsos, eles simularam ser servidores da Casa para obter empréstimos consignados em folha. Por causa do golpe, que foi executado entre os meses de março e junho, o Departamento de Pessoal da Câmara modificou o sistema de segurança para os bancos e comerciantes autenticarem a validade dos contracheques apresentados pelos servidores. Os comprovantes de junho já vieram com a alteração.

Segundo o diretor da Coordenação de Pagamentos de Pessoal da Câmara, Carlos Padilha, podem ter acontecido entre oito e dez casos de fraudes contra o sistema de empréstimos consignados. Porém, somente alguns foram bem-sucedidos. Quatro inquéritos foram abertos no Departamento de Polícia Legislativa.

Nas investigações, testemunhas acusam cinco pessoas de entregar cópias falsas de contracheques e da “Margem de Consignação Facultativa”, documento que informa a prestação máxima que o funcionário pode pagar a cada mês. Ele só pode ser retirado pelo servidor no Departamento de Pessoal. Os comprovantes de pagamento da Câmara são disponibilizados na internet e podem ser impressos. Segundo o delegado José Gilmar Araújo, os falsificadores usavam matrículas verdadeiras (chamadas de “ponto”), mas substituíam o nome do servidor pelo do golpista e aumentavam o valor que poderia ser emprestado. Os bancos perderam aproximadamente R$ 50 mil em cada golpe.

Os acusados de envolvimento na fraude são Émerson Assunção Silva, Marcelo Raimundo da Silva, Francisco Costa Cunha Júnior e Madson Luiz de Lima Bentes. Uma quinta pessoa ainda é procurada pela polícia. O CorreioWeb apurou que Cunha e Madson têm ligação com gabinete do deputado de Nilson Pinto (PSDB-PA). O primeiro foi o motorista do parlamentar até maio do ano passado. Madson ainda trabalha para o deputado como secretário. “Essas pessoas todas agiram da mesma forma”, explicou o delegado. Para ele, “provavelmente” se trata de uma quadrilha que usou os serviços de uma mesma pessoa para produzir os documentos falsificados. Os cinco foram indiciados por estelionato – pena de um a cinco anos de cadeia e multa, em caso de condenação judicial. Caso seja comprovada a existência de uma quadrilha, a pena varia de um a três anos de prisão.

Diferente
Por já ser servidor da Casa, o caso de Madson é diferente. Segundo Araújo, ele apresentou documentos adulterados que, originariamente, pertenciam a um primo, Mário Sérgio Bentes dos Santos. Ele também trabalha para o deputado Nilson Pinto, mas em Belém (PA). O delegado não soube informar se o primo é vítima ou um comparsa que facilitou o acesso de Madson à sua margem de consignação. “É o que estamos apurando. A partir dessa margem, todas as outras foram produzidas”, acredita o delegado. O banco GE Capital teve um prejuízo de R$ 53.620,22, segundo o inquérito 6/2006. A matrícula usada por Madson teria sido a de Mário Sérgio.

A polícia acredita que o secretário parlamentar de Nilson Pinto teria ajudado outros supostos golpistas a cometer o crime. Testemunhas informaram que Madson entregava documentos em nome de Francisco Cunha, Émerson Assunção e Marcelo Raimundo. Isso reforça a suspeita de formação de quadrilha.

Carro
Francisco Cunha foi preso em junho e liberado dias depois. Madson passou por situação semelhante. Em março, ele foi detido em flagrante. No momento da prisão, o acusado recebeu uma ligação em seu celular. “Ele atendeu e disse: ‘E agora como vou receber meu carro?’.” A polícia suspeitou que o veículo fora comprado com o dinheiro das fraudes. Por isso, a Pálio Adventure verde, ano 2006, de placa JVF-1872-PA, foi apreendida na garagem do Anexo IV da Câmara desde março. O carro vale R$ 50 mil segundo a montadora.

Curiosamente, de acordo com os registros do Detran do Pará, o Pálio está arrendado em nome de Mário Sérgio, o primo de Madson, cuja margem de consignação e matrícula foram usadas no golpe contra o GE Capital.

Além do inquérito policial, Madson responde a processo administrativo na Diretoria Geral da Câmara por suposta falsificação de margem consignável. O processo foi aberto em março e está na Assessoria Técnica. A coordenadora do Núcleo Jurídico da assessoria, Maria Lúcia Ribeiro, disse que o servidor prestou um interrogatório em março, mas ficou calado.

Depois do parecer do núcleo, o diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, vai decidir se abre processo administrativo do tipo disciplinar contra Madson. Se for verificado algum ilícito, o funcionário pode até ser demitido.

Corretores
Carlos Padilha, do Departamento de Pessoal da Câmara, disse que os golpistas não utilizaram os corretores dos 19 bancos conveniados à Casa. São pessoas que trabalham nas proximidades da instituição justamente para facilitar a concessão de empréstimos aos servidores interessados. Padilha lembra que os corretores poderiam identificar falhas grosseiras, como a assinatura de funcionário não-autorizado nas margem de consignação. Sabendo disso, os golpistas foram às agências.

Em um dos casos, Marcelo Raimundo teria tirado R$ 51.367,14 do banco Santander. Para isso, ele usou a matrícula 5203, que pertencia a um funcionário falecido.

De acordo com o delegado Araújo, os bancos foram rápidos na concessão dos empréstimos. Em muitos casos, os golpistas entraram na agência às 11h. “Às 15h, o dinheiro já estava na conta”, afirmou.

Marlon só atendeu a reportagem depois da publicação deste texto. "Sou uma vítima muito grande disso", justificou. Ele garantiu que não há uma quadrilha de golpistas. O secretário parlamentar negou ser o dono da Pálio Adventure. Ele não confirmou se o veículo pertence mesmo a seu primo Mário Sérgio. O acusado pediu para a reportagem procurar seu advogado. Por duas vezes na tarde desta quinta-feira, o defensor de Madson disse que não poderia falar com o CorreioWeb.

O deputado Nilson Pinto não retonou os recados da reportagem deixados no gabinete em Brasília e escritório do parlamentar no Pará. Procurado em Belém, Mário Sérgio também não deu resposta. Eliana Aparecida Santos, advogada de Francisco Cunha, Marcelo Raimundo e Émerson Assunção, disse que só poderia falar com a autorização de seus clientes.

Códigos no rodapé
As medidas de segurança implantadas em junho pela Câmara permitem que o lojista ou bancário verifique a autenticidade dos contracheques e das margens de consignação. Como os documentos são retirados pelo computador, eles passarão a ter códigos no rodapé para o comerciante fazer a validação. Para isso, basta acessar a página da Câmara em www.camara.gov.br/servidor/autenticar e www.camara.gov.br/servidor/margem.

“Isso vai minimizar ou inibir o golpe. Estamos fechando as portas”, explicou Padilha. De acordo com ele, os quase 22 mil servidores da Casa mantêm 6 mil operações de crédito consignado atualmente. Em junho, os bancos abocanharam R$ 6,4 milhões dos funcionários por meio dos descontos em folha. O salário médio de um servidor da Câmara é de R$ 6 mil, segundo o Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal (Sindilegis).

R$ 102 mil
Um dos quatro bancos lesados foi o Alfa, que perdeu R$ 102 mil com os golpes. A gerente da agência em Brasília, Ângela Resende, disse que a instituição abriu inquérito na Câmara para apurar o caso, mas não quis entrar em detalhes. A assessoria do Santander informou que não comentaria o caso “para não atrapalhar as investigações”. O banco GE Capital não respondeu aos recados deixados nos números informados na lista telefônica. O BNG não foi localizado.

AS FRAUDES
Acusado ... Banco ......... Valor
Madson ..... GE Capital ... 53.620,22
Francisco ... GE Capital ... 27.454,78
Émerson ..... GE Capital ... 50.010,00
Francisco ... Alfa ............ 48.510,00
* .............. Alfa ............ 54.285,28
Marcelo ...... BGN ........... 63.867,60
Marcelo ...... Santander .... 51.367,14
TOTAL ................... R$ 349.115,02
*O suspeito está foragido e seu nome é mantido em sigilo
Fonte: Inquéritos 6, 8, 12 e 13

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 14341 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal