Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

30/03/2008 - Diário de Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

O caso do falsário sincero

Por: Ferreira Fernandes


Em questão de notas, o género humano, segundo Millôr Fernandes, divide-se em dois. A gente comum e os falsários. Para estes, fazer dinheiro não é difícil. Gastar é que são elas. Aquilo de que eu e o leitor nos queixamos - "as notas fogem-me entre os dedos, nem dou por isso" - seria o sonho do falsário. Com este, há sempre quem dê por isso...

O problema foi vivido, e pensado, por um cidadão portuense, esta semana detido pela PJ. Tinha mais de um milhão em dinheiro falso, em notas de 200 euros. Diz-me o DN de ontem que é um profissional consciencioso: "A falsificação é excelente." Temos, portanto, um falsificador e uma mala de boas notas falsas.

História banal? Não, nesta deu-se um passo em frente no eterno dilema sobre como pôr a circular dinheiro falsificado. Assim: cada uma das notas de 200 euros tinha uma marca que as atestava como falsas. Dizia: "Specimen OTX". Era como se dissesse: "Atenção, estas notas não servem para comprar nada." Dizia, francamente, que eram faz de conta.

Conhecem aquela do contrabandista com um guarda-fiscal à perna e que se safou sempre? Espalhava nos cafés que naquela madrugada iria passar a fronteira. O guarda- -fiscal lá lhe saía ao caminho quando ele vinha de bicicleta com um grande saco. Saco aberto, eram papéis de jornal. Dias depois, a mesma cena. À luz do luar, o contrabandista de bicicleta carregada. Mandado parar, o saco nada confessava de ilícito e o homem era mandado à vida. E assim durante semanas, meses e anos. O contrabandista passando incólume e o guarda-fiscal engasgando-se de raiva. No fim da vida, o contrabandista, já homem rico, pôde confessar ao outro: "Eu contrabandeava bicicletas."

O falsário do Porto usava também da mesma sinceridade com que o contrabandista alardeava o seu verdadeiro crime. O contrabandista expondo a bicicleta à lanterna do guarda-fical apagava-lhe as suspeitas. Também o falsário abria a mala e mostrava aquilo que era dinheiro não verdadeiro. A PJ apanhou-o mas não vai poder acusá-lo de nada. Ninguém me impede andar com dinheiro manifestamente falso que diz que é falso.

Então, qual era a intenção do falsário? Ele vendia as notas com um frasquinho que apagava a tal frase: "Specimen OTX". Compravam-se as notas de 200 euros por valor inferior, e a ganância deve ter levado a que não faltassem clientes. Estes é que poderiam apresentar queixa por burla. Mas, segundo a PJ, ninguém apresentou queixa. Pudera, quem é que se denuncia cúmplice num assunto de notas falsas?

Esta é pois a moderníssima história em que os falsários resolveram o seu antiquíssimo drama: o de não poderem escoar o produto do seu trabalho. A solução está encontrada: passaram a batata quente a tansos que nem queixar se podem.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 262 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal