Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

18/03/2008 - O Globo Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Médico acusado de falsificar laudos de vítimas da repressão é preso em clínica de abortos


SÃO PAULO - A Vigilância Sanitária e a polícia fecharam uma clínica médica na Rua João Moura, em Pinheiros, zona oeste da capital, nesta terça-feira. No local, os policiais encontraram uma passagem secreta, que levava um quarto pequeno e abafado, usado para realizar abortos. O médico Isaac Abramovitch, de 71 anos, responsável pela clínica, já era investigado por suspeita de prática de abortos. O certificado da Vigilância Sanitária, que autorizava o funcionamento da clínica, estava vencido, e não havia condições mínimas de higiene.

Segundo a secretaria de Segurança Pública, o médico é o mesmo que assinou diversos laudos necroscópicos falsos de pessoas mortas pela repressão durante o regime militar. A maioria desses laudos atestava como "causa mortis": atropelamento, suicídio e morte em tiroteios, sem relatar qualquer evidência de tortura. Os laudos assinados pelo médico contradiziam os depoimentos de companheiros de cela, que presenciaram as mortes no interior das prisões em conseqüência das torturas e maus tratos. Abramovitch trabalhava sob as ordens do legista Harry Chibata, outro médico que foi acusado de colaborar com o regime de repressão.

Os familiares de Alexandre Vanucchi Leme, por exemplo, morto em 1973, entraram com um processo no Conselho Regional de Medicina de São Paulo em 1979 denunciando e pedindo punição para o médico Isaac Abramovich. O médico deu como "causa mortis" lesões traumáticas crâneo-encefálicas em conseqüência de atropelamento, ao tentar fugir. Não há referências, no exame necroscópico, a quaisquer ferimentos, constatados no cadáver, que se pudesse atribuir a torturas sofridas na prisão. Segundo depoimentos de companheiros de cela, Alexandre morreu na prisão, vítima de torturas, e apresentava sinais evidentes de maus tratos.

Abramovich também foi convocado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Câmara Municipal de São Paulo, que investigou o destino de presos políticos. Segundo a CPI, Abramovitch teria emitido diversos laudos necroscópicos falsos de vítimas da polícia política à época em que trabalhava no IML de São Paulo. O legista alegou inocência, mas teria assinado o laudo de Alexandre Vannucchi Leme, no qual afirma que o estudante teria se atirado sobre um automóvel. Presos políticos e policiais confirmam que Alexandre foi torturado.

Além da prática ilegal de aborto, a Vigilância Sanitária flagrou vários medicamentos e equipamentos vencidos, que eram usados pelo médico em seus pacientes. As seringas também eram reutilizadas.

- Sanitariamente, não há condições de funcionamento para a clínica - afirmou uma fiscal da Vigilância.

Isaac Abramovitch foi levado para a delegacia para prestar depoimento. Segundo a secretaria de Segurança Pública, pelo menos duas mulheres que fariam aborto na clínica também foram levadas à delegacia. A clínica funcionava no local há muito tempo.

A polícia afirma que o médico vai responder por uso de medicamentos vencidos. A promotoria afirma que vai acusá-lo também por prática de aborto, com base no depoimento de testemunhas.

A polícia também vistoriou a casa do médico, onde foram encontrados mais medicamentos vencidos e quatro armas. Abramovitch não tem porte de armas, segundo os investigadores.
Clínica funcionava há muitos anos na Rua João Moura, em Pinheiros - TV Globo

No dia 7 de deste mês, uma clínica de abortos também foi estourada no bairro dos Jardins, na zona oeste de São Paulo, pela Polícia Militar por promotores do Ministério Público. No local, a grande quantidade de instrumentos cirúrgicos e remédios abortivos chamou a atenção dos policiais e dos promotores que foram até a clínica. Em uma das salas havia até um estoque de medicamentos. Os outros cômodos eram usados como salas cirúrgicas, com equipamentos médicos.

Os policiais e promotores chegaram até a clínica clandestina, que funcionava num imóvel de alto padrão, depois de uma denúncia. O médico responsável pelo local, Vicente Marques de Oliveira, é processado por manter clínicas de aborto desde 1998. Mesmo assim, ele reincidia no crime, como explica o promotor Raul de Godoy.

- Este médico responsável pela clínica já é aposentado, mas continua clinicando. Ele possui outro processo no Primeiro Tribunal do Júri e já foi pronunciado, ou seja, será levado a julgamento, pelo mesmo crime, já que realizava abortos desde 1998 - diz o promotor.

O Ministério Público estima que dezenas de abortos eram realizados por dia no local. O procedimento custava R$ 4 mil, segundo o Ministério Público.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 284 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal