Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

03/03/2008 - O Globo Online / Valor Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Procurador diz que burocracia dificulta combate à lavagem de dinheiro

Por: Azelma Rodrigues


BRASÍLIA - O excesso de burocracia e a existência de uma superposição de órgãos públicos fazendo a mesma coisa dificultam uma maior eficácia das ações de combate à lavagem de dinheiro no país, reclamou hoje o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. A lista de setores obrigados a informar o governo sobre operações suspeitas será ampliada, anunciou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado.

Souza e Machado participaram das comemorações dos 10 anos de criação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de inteligência subordinado à Fazenda que nesse período recebeu 831,37 mil denúncias. Só nos últimos cinco anos, o Coaf abriu 5.433 casos para análises contra 39.185 pessoas, e bloqueou R$ 62,3 milhões em contas correntes e previdências privadas de suspeitos.

Segundo o procurador-geral, há muito o que comemorar, mas também muito o que avançar. Essa criminalidade não conhece fronteiras, é inteligente, organizada e sempre procurando estar à frente da atuação do Estado , citou. Ele afirmou que ainda existem algumas travas para o aperfeiçoamento do combate à corrupção e lavagem de dinheiro no país, pois existem órgãos estatais que perdem tempo com divergências e competições , criticou.

Souza não foi específico e nem quis citar nomes, mas continuou suas críticas ao deixar o evento, afirmando que há dificuldades e as informações não têm a rapidez que seria de se esperar . Questionado se haveria alguma saída legal para melhorar esse trâmite, o procurador disse que não há como obrigar, mas insistiu que é preciso desburocratizar essas relações, estimular uma cooperação informal mais intensa para que o Brasil fale uma linguagem única, tenha um só discurso nesse campo.

Nelson Machado também fez críticas, mas ao setor privado. Proteger a economia do crime organizado é um tema comum ao campo criminal, mas também na área econômica precisa ser um tema de alerta para todas as empresas , afirmou. Segundo ele, diversos setores da economia ainda se mostram alheios aos esforços do aparato estatal no combate à lavagem de dinheiro, por isso, novos setores poderão ser obrigados , por lei, a participar da rede.

O secretário não adiantou quais serão esses setores, mas, no relatório anual de atividades, o Coaf cita que empresas de joalheria e aquelas que comercializam obras de arte e antigüidades ainda fazem repasse inexpressivo de informações suspeitas. Também há preocupação do Coaf quanto a 490 emissoras de cartões de crédito e de credenciamento ligadas ao comércio e à indústria, sem vinculação com instituições financeiras. Os cartões pré-pagos de telefonia estão entre os focos do órgão em 2008.

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse que o aparelhamento do Coaf faz com que o órgão se destaque por um trabalho não de investigação, mas de inteligência financeira , citando o uso da autoridade do BC sobre os bancos para a exigir o fornecimento das informações exigidas.

A distorção no papel do Coaf foi enfatizada por seu presidente, Antonio Gustavo Rodrigues. Uma das dificuldades do Coaf é o desconhecimento de sua função, que não é a de investigar, mas processar as informações e identificar onde há crime de lavagem de ativos, afirmou.

Também presente ao evento, o ministro da Justiça, Tarso Genro, elogiou a articulação e o esforço dos órgãos do governo para fazer frente à alta sofisticação do crime organizado. Ele citou projeto de lei em tramitação no Senado, que suprime o crime antecedente e permitirá a alienação antecipada do bem ou dos recursos de suspeitos de lavagem de dinheiro, e não no fim do processo, como é hoje.

Representando o sistema bancário, principal informante do Coaf, Gabriel Jorge Ferreira, diretor da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNIF), disse que o projeto de lei citado por Genro pode trazer um complicador, porque todos os tipos de crimes poderão ser passíveis de suspeição. Ele defendeu a adoção de regras internacionais de contabilidade por empresas de pequeno porte, para melhorar a transparência e evitar recursos paralelos, o caixa 2 . Também queixou-se da extrema facilidade com que se falsifica documentos no Brasil.

Entre os dados do relatório do Coaf está a identificação de movimentação financeira da ordem de R$ 63 milhões pelo crime organizado em São Paulo, no período de novembro de 2005 a julho de 2007, por meio de 686 contas, sendo que 20% foram transações acima de R$ 100 mil. Cerca de 2,6 mil pessoas foram relacionadas ao esquema, sendo que 748 foram citadas em relatórios do Coaf e 252 continuam sob avaliação.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 228 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal