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26/02/2008 - O Globo Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Advogado americano, ex-lavador de dinheiro e ex-consultor do FBI, dará palestra no Brasil

Por: Sabrina Valle


RIO - Kenneth Rijock achou "muito divertido" o filme "Prenda-me se for capaz", estrelado por Leonardo DiCaprio. Especialmente a caradura de um rapaz tão jovem para tapear altos executivos. "Mas o nível de técnica dos advogados do crime é muito maior. Lavagem de dinheiro é uma habilidade bem mais sofisticada", diz. Por experiência própria.

Rijock, assim como o falsificador de cheques que inspirou o filme de Steven Spielberg, foi um criminoso pego pela polícia e que acabou cedendo suas habilidades ao FBI. Hoje, aos 61 anos, o americano especializado em direito bancário trabalha como consultor. Estará no Rio, dia 5 de março, para participar do IV Fórum Nacional de Prevenção a Crimes Econômicos, evento da Associação e do Sindicato dos Bancos do Rio. Por ocasião da visita, Rijock falou por telefone com exclusividade à coluna Negócios&Cia, de Flávia Oliveira, no jornal "O Globo".

Será a primeira vez dele no Brasil. O advogado passou dez anos lavando dinheiro para traficantes em paraísos fiscais, até ser preso, em 1990. Na cadeia, onde passou dois anos, começou a cooperar com investigações para reduzir a pena. Trabalhou para FBI, governo do Canadá e para organismos internacionais. Agora, é consultor da World Check, instituição a que os bancos do mundo recorrem para checar a idoneidade da clientela.

No Brasil, dará dicas de como evitar lavagem de dinheiro e fará um alerta: as instituições bancárias do país precisam se aprofundar na identificação de lavagem de dinheiro do tráfico.

- Hoje o Brasil é, involuntariamente, uma grande peça na rota internacional do tráfico que nasce na Colômbia. A grande questão é se a comunidade bancária vai se comprometer a enfrentar o desafio de assegurar o fim desse fluxo de dinheiro.

Confira abaixo parte da entrevista:

Como você enveredou para o mundo do crime?

Eu era um jovem advogado num banco em Miami, ex-veterano do Vietnã, numa época em que muita gente defendia a descriminalização das drogas. Inclusive eu. Comecei a lavar dinheiro para o tráfico em 1980 e fiz isso por dez anos, até ser pego. Já na prisão comecei a colaborar com investigações criminosas para reduzir minha pena. Hoje sou o único advogado de direito bancário que fez mais de cem operações de lavagem de dinheiro nos Estados Unidos, todas bem sucedidas, e hoje dou palestras para a comunidade financeira.

Como isso foi possível? Você não recebeu ameaças?

Sempre fui muito seletivo com meus clientes quando era mais novo. Trabalhava para colombianos, americanos, europeus... mas nunca para clientes com histórico de uso de violência. Eu trabalhava para pessoas que não são o tipo que você vai querer encontrar numa rua escura. O risco sempre foi parte do negócio. Mas sempre fui prudente e isso foi fundamental.

Hoje você ainda toma cuidados?

Hoje moro num local seguro e tomo cuidado com minhas viagens. Sempre fui extremamente cuidadoso. Tanto que as autoridades não me pegaram por dez anos.

Hoje você deve ganhar bem menos. A legalidade compensa?

Certamente não dá para comparar a lucratividade. Para você ter uma idéia, um de meus clientes chegou a movimentar US$ 200 milhões numa só transação. Mas a pena para lavagem de dinheiro nos Estados Unidos é de 20 anos. E para as "organizações" que você trabalha, além de poder ser "despedido" se fizer algo errado, você pode ser também morto. Hoje ganho como um diretor de banco, não tenho preocupações com dinheiro. Mas é outro mundo.

Que mensagem você trará ao Brasil?

Hoje o Brasil é, involuntariamente, uma grande peça na rota internacional do tráfico. A droga sai da Colômbia, passa pela Venezuela, vai para o Brasil, depois segue para países do oeste africano e, de lá, vai para Portugal e Espanha, de onde a droga é distribuída para a Europa. Todo esse dinheiro do tráfico precisa ser lavado. Estamos falando de bilhões de dólares e de milhares de quilos de cocaína. E não há aplicação de lei nesses países.

E esse dinheiro passa pelo sistema bancário brasileiro?

A grande questão é se a comunidade bancária do Brasil vai se comprometer a enfrentar o desafio de assegurar o fim desse fluxo de dinheiro. O Brasil virou um "player" fundamental no mundo das drogas e os bancos precisam estar sensíveis ao que está acontecendo.

Alguma sugestão a eles?

Meu conselho é que a comunidade bancária brasileira procure orientação com bancos britânicos e americanos, porque eles já passaram por esse tipo de problema no passado. Quando os bancos são muito eficientes em detectar lavagem de dinheiro, os recursos vão para outro canto.

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