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20/02/2008 - Diário de Cuiabá Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Pescador descobre ter sido ‘fantasma’

Por: Juliana Scardua


Um ribeirinho de Várzea Grande descobriu por acaso que é um “fantasma” da Câmara de Cuiabá. Ele teve o direito ao saque do seguro-desemprego no período da Piracema negado ao ser informado que já foi chefe de gabinete do ex-vereador João Malheiros, deputado eleito e hoje chefe da Casa Civil do Estado. Uma queixa policial foi registrada pelo pescador ontem, no Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Verdão.

A queixa antecipa que um novo escândalo de corrupção ronda a Câmara de Cuiabá. Conforme o boletim de ocorrência registrado pelo Cisc, Júlio Leite de Lima, de 33 anos, foi até a unidade do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para protocolar o pedido de seguro-desemprego. “Para sua surpresa, ele tinha trabalhado na Câmara Municipal de Cuiabá entre julho de 2002 e agosto de 2003, ocupando vários cargos de chefia”, destaca o boletim.

O pescador não tem sequer o ensino fundamental completo. Ao se dirigir ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Júlio ainda se deparou com outra situação inusitada: Ele descobriu de que é “dono” de uma empresa chamada Rindecom Ltda. Muito longe do meio empresarial, o trabalhador sustenta mulher e dois filhos com menos de um salário mínimo ao mês.

Os indícios, conforme narração do boletim de ocorrência, apontam para um nome: Gonçalo Xavier Botelho Filho, ex-assessor de Malheiros na Câmara Municipal. A esposa de Júlio, Vânia Leite, relata que o marido trabalhou na chácara de Gonçalo no período de 2000 a 2004. Então presidente do legislativo municipal, João Malheiros exerceu seu último mandato na Câmara até 2002, quando foi eleito deputado estadual após quatro mandatos consecutivos de vereador.

Familiares do pescador procuraram ontem o Ministério Público Estadual (MPE) para denunciar o caso. Vânia frisa que o sentimento maior é de revolta. “A gente só pensa besteira nessa hora: ‘Será que a polícia vai vim buscar meu marido? Algo mais grave irá acontecer? Não devemos nada e a gente se apega agora a Deus”.

João Malheiros foi procurado pela reportagem para repercutir o assunto, mas não atendeu às ligações ao celular e não retornou aos recados deixados na Casa Civil. O caso registrado pelo pescador Júlio Leite de Lima, que poderia passar despercebido em meio à dezenas de ocorrências registradas todos os dias na cidade, desponta numa série de denúncias que acometem a Câmara de Cuiabá nos últimos anos, entre escândalos de uso de notas frias, empresas e funcionários fantasmas e os chamados “laranjas”.

No episódio mais recente, em novembro do ano passado, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) rejeitou as contas do Legislativo local referentes ao exercício de 2006, quando era dirigida pela deputada cassada Chica Nunes (PSDB) e o vereador Lutero Ponce (PMDB), atual presidente da Casa. Diante de uma série de irregularidades e desvio de recursos, os dois serão obrigados a devolver R$ 1,896 milhão aos cofres municipais.

As fraudes apuradas nas contas incluem superfaturamento de produtos e serviços, o beneficiamento a empresas em licitações realizadas pela Câmara, flagrante de notas fiscais “frias” na aquisição de materiais, compra e saída de produtos sem qualquer registro no almoxarifado da Casa, entre outras distorções flagradas. Num dos casos mais emblemáticos, notas apontavam para a compra de gravatas e roupas de luxo entre as despesas do Legislativo.

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