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13/02/2008 - Portal Terra / O Dia Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Magé: quadrilha usa documentos de servidor

Por: Amanda Pinheiro e Adriana Cruz


Denunciado pelo Ministério Público por envolvimento com fraudes em Magé, o ajudante de pedreiro Fábio Domingues de Souza, 26 anos, se apresentou ontem à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) e, apesar de continuar investigado, teve recolhido seu mandado de prisão. Foragido há 19 dias, Fábio foi denunciado como sendo um funcionário da Secretaria de Educação de Magé responsável por dar atestados falsos para o recebimento de mercadorias, como uniformes e bonés, da quadrilha, conforme revelou a Operação Uniforme Fantasma.

Há dois dias, Fábio, acompanhado do vereador de Magé Eduardo da Silva (PT), procurou O Dia. Ele argumentou que havia sido vítima da quadrilha, que usou seus documentos, endereço e nome. A saga do então foragido começou em 24 de janeiro, quando agentes da Draco-IE, com mandado de prisão, o procuraram em sua casa, em Magé. Ele se escondeu e pediu a ajuda ao vereador. Porém, ontem, Fábio optou por enfrentar a situação e foi à polícia.

Levantamento do Serviço de Inteligência da Draco-IE constatou que o homem que aparece como Fabinho, da Secretaria de Educação, em escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça, negociando com Patrícia Gonçalves Borret, uma das 17 pessoas presas, não se tratava do ajudante de pedreiro. Para chegar a Fábio, a polícia e os promotores identificaram uma matrícula e conta-salário nos cadastros da prefeitura.

O ajudante de pedreiro alegou que passou a ser funcionário da prefeitura em novembro do ano passado, quando entregou seus documentos a um integrante da quadrilha. Com isso, foi aberta uma conta-salário em seu nome em um banco. "Fiquei aguardando, mas não fui chamado", garantiu. Ontem, os agentes identificaram um funcionário de Magé que usava o CPF e o endereço de Fábio.

O ajudante de pedreiro chegou à Draco-IE às 14h08. Por quase uma hora prestou depoimento. Por volta das 20h30, com o recolhimento do mandado de prisão expedido pela Justiça, ele deixou a delegacia. Apesar de livre da cadeia, continuará a responder ao processo na Justiça. "Não ficou comprovado que não há ligação do Fábio com a quadrilha. Precisamos saber ainda em quais circunstâncias ele entregou seus documentos na prefeitura", explicou o titular da Draco-IE, Cláudio Ferraz. Se for comprovado que o ajudante é inocente, o MP poderá pedir o arquivamento da denúncia contra ele.

De acordo com a Operação Uniforme Fantasma, o Fabinho que aparece nas gravações é peça fundamental no esquema montado pelos empresários do ramo de confecção Patrícia e José Carlos Benevenuto, o Carlinhos da Malha. Donos de seis empresas, eles eram alertados sobre as licitações que seriam realizadas pela Secretaria de Educação. Na casa de Patrícia e Carlinhos, a polícia apreendeu R$ 200 mil em espécie. Pela investigação, são aliados do casal os empresários Arley Santos Pereira e Rodolfo dos Santos Vasconcelos e o contador Temóteo Gomes da Silva. Nesse núcleo consta ainda Fabinho, que está solto.

Como O Dia noticiou domingo com exclusividade, em um ano, a folha de pagamento da Educação subiu de R$ 1,8 milhão para R$ 2,8 milhões em Magé. Ontem à noite, a deputada estadual Jane Cozzolino, do PTC, foi à Draco-IE. Segunda-feira, a prefeita Nubia Cozzolino (PMDB) esteve na delegacia. Ela queria a liberação de cheques da prefeitura, sob alegação de pagamento de pessoal, o que não foi permitido. Preso sábado, Charles Cozzolino foi transferido da Polinter do Grajaú para a Delegacia Anti-Seqüestro, Leblon.

Acusados começam a ser interrogados hoje

Começa hoje o interrogatório dos acusados de envolvimento com fraudes em prefeituras no Fórum de Magé. Parte dos 17 presos, além de seis que respondem em liberdade, será ouvida pela Justiça a partir das 13h. Depoimentos também serão colhidos amanhã pelo juízo.

Trinta e três envolvidos foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato e crime contra a Lei de Licitações. As penas variam de seis meses a 12 anos.

A quadrilha começou a ser rastreada com informações repassadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras à Coordenadoria de Combate à Sonegação Fiscal (Coaf), do MP. Funcionários do Coaf perceberam que depósitos de até R$ 1 milhão eram feitos em nome de microempresas e sacados de imediato pelos acusados.

Seis prefeituras investigadas

A Operação Uniforme Fantasma foi deflagrada em 24 de janeiro. Na ação, as prefeituras de Magé, Santo Antônio de Pádua, Japeri, Paraíba do Sul, Angra dos Reis e Rio Bonito foram alvos do Ministério Público. Desde então, 17 acusados foram presos pela polícia.

Segundo as investigações, o esquema envolve licitação com carta marcada para beneficiar empresas, compra fraudulenta de uniforme escolar e equipamentos hospitalares, contratos para desviar dinheiro através de contratação de ONGs e uso de funcionários fantasmas.

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