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07/02/2008 - Gazeta Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Gatos: com eles, conta de energia fica 5% mais cara

Por: Geraldo Nascimento


A assistente administrativa Analu Oliveira, 49 anos, moradora do Centro de Guarapari; o auxiliar de escritório Alan Sales, 28, que mora em Bairro de Fátima, na Serra; e o empresário Carlos Magno Sabino, 37, que mora na Praia do Canto, em Vitória, têm, pelo menos, duas coisas em comum: pagam regularmente a fatura de energia elétrica de suas casas e participam, obrigatoriamente, do rateio de uma conta alta e quase invisível.

Os três e outros tantos consumidores vão arcar com os R$ 41 milhões em energia elétrica consumidos, em 2007, por pessoas que se utilizam de ligações clandestinas no Estado.

Os chamados “gatos” representam 5,05% do fornecimento de energia - o equivalente ao consumo de toda a cidade de Vila Velha, por exemplo. O prejuízo é ainda maior se forem somados os investimentos em tecnologia para combater as fraudes. Só no ano passado, foram R$ 20 milhões para melhorar a eficiência do serviço e dificultar a ação de fraudadores.

Prejuízo

Quem paga essa conta são os consumidores regulares, porque a perda entra no cálculo da revisão tarifária anual, ajudando no aumento de preço. “Se não houvesse o furto, a conta de energia de cada um dos consumidores poderia ser mais barata na mesma proporção da perda, em torno de 5%”, esclarece Carlos Yoshio Motoki, superintendente de Operações Comerciais da Escelsa.

Por dia, a empresa desliga e retira, em média, 630 ligações clandestinas. Só no ano passado, foram 169.999 ligações irregulares retiradas. Em 2006, a empresa havia eliminado outros 170 mil gatos. Os fios de diversos tipos, formas e tamanhos retirados durante as inspeções somaram 17 toneladas em 2007.

A fraude está concentrada na Grande Vitória, onde acontecem 80% dos gatos. O furto de energia é crime, previsto no Código Penal e pode levar o infrator à prisão.

Ladrões de energia abusam e gastam mais

Dados da Escelsa mostram que os consumidores que furtam energia consomem, em média, duas vezes e meia a mais do que o cliente comum. O fato de não pagarem a conta facilita o abuso. Durante inspeções, técnicos já encontraram geladeiras velhas, ineficientes para refrigeração, servindo até como aparelho de ar-condicionado. Elas ficavam ligadas, com as portas abertas, refrigerando o ambiente.

Nas regiões onde há alto índice de furto de energia, 75% dos moradores pagam a conta dos outros 25%. Interferências na rede também acarretam prejuízos na rede elétrica, provocando defeitos e até queima de equipamentos. “Como a rede não está preparada para a demanda excessiva irregular, pode haver oscilações, comprometendo a qualidade do serviço”, explicou Motoki.

Como denunciar

Escelsa: Ligação gratuita com sigilo do denunciante garantido pela empresa
Tel.: 0800-721-0707

Disque-denúncia: É o telefone geral para denúncias da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). Também não é preciso se identificar
Tel.: 181

Núcleo de Repressão a Furtos: Núcleo da Divisão de Crimes contra o Patrimônio da Polícia Civil, responsável pela apuração de furto de energia elétrica
Tel.: 3132-1934

Periferia abriga maioria das ligações

Quase todos os gatos ficam em imóveis residenciais, e 80% estão na Grande Vitória.

A maior parte das ligações clandestinas no Espírito Santo está em bairros de periferia, com grande população e baixa renda. Quase todos ficam em imóveis residenciais, e 80% deles estão instalados na Grande Vitória. Outros 9% ficam em Nova Venécia e na região do entorno do município. O restante está espalhado pelo Estado.

“Para a Escelsa, o furto de energia é um problema moral e não social, porque, nas regiões onde há quem furte energia, em média 75% dos moradores são consumidores corretos, regulares. A minoria acaba prejudicando a imagem da maioria”, alertou o superintendente de Operações Comerciais da Escelsa, Carlos Yohio Motoki.

Registros

Na Grande Vitória, bairros como Feu Rosa e Vila Nova de Colares, na Serra; Nova Rosa da Penha e Porto Belo, em Cariacica; e Barramares, Zumbi dos Palmares e 23 de Maio, em Vila Velha, estão entre os que registram muitos casos de ligações clandestinas.

Mas, prova de que o problema não é exclusivo da periferia, a empresa também tem registro de ligações clandestinas em pontos comerciais e residências em bairros nobres da Grande Vitória, porém, em número menor em relação às outras áreas.

Investimento contra fraudes

A Escelsa investiu, só no ano passado, R$ 20 milhões em programas de computador, equipamentos, qualificação de pessoal e modernização das redes para aumentar a eficiência e evitar as fraudes.

“O bairro Planalto Serrano, na Serra, é um exemplo. No ano passado, o índice de perda de energia furtada da rede era de 62%. Hoje, esse percentual é de aproximadamente 3%, desconsiderando o que não é perda por furto”, comemora Carlos Yoshio Motoki, superintendente de Operações Comercial.

Planalto Serrano foi o primeiro bairro onde foi implantado um sistema de medição diferenciado, totalmente eletrônico, que permite o controle do fornecimento de energia e afasta o equipamento do alcance rotineiro das pessoas.

“Com esse dispositivo, uma caixa com até 12 medidores é instalada no alto do poste, e em cada uma das casas há um visor para acompanhamento do consumo. Da central da empresa, em Carapina, é possível desligar ou religar o medidor, sem precisar ir ao local. Além disso, qualquer interferência na caixa desarma todo o sistema”, explica Motoki.

O projeto está sendo estendido a outros sete bairros em Cariacica, Vila Velha e Serra. A empresa também está investindo num sistema de rede protegida, isolando fios que antes ficavam expostos, dificultando a intervenção indevida e aumentando a segurança das instalações.

Um programa de inteligência artificial também foi desenvolvido em parceria com a Ufes. A finalidade é usar o computador para rastrear áreas onde há indicação de fraudes em medidores e de ligações clandestinas e identificar os potenciais infratores.

Furtos podem acabar em acidentes fatais

As fraudes na rede elétrica, seja na adulteração de medidores ou no furto de energia da rede, também podem provocar acidentes graves. No ano passado, quatro pessoas morreram em 11 acidentes provocados por furto de energia na Grande Vitória. Em 2006, foram três mortes. Em algumas instalações irregulares, os técnicos encontram “gambiarras” feitas com fios de telefone, cabos inadequados, fios emendados diversas vezes e até arame farpado sem isolamento.

Ganchos instalados no arame ficam pendurados à rede elétrica de modo precário. O instrumento desvia a energia até a casa, transformando-se em armadilha para qualquer pessoa que se aproxime do arame. O choque elétrico pode ser fatal. Com a passagem de energia elétrica pelo corpo, ocorrem contrações musculares, queimaduras e paradas cardíacas.

Polícia flagra até empresários

No núcleo especializado nesse tipo de crime, foram registrados 51 casos no ano passado.

A Polícia Civil, por meio da Divisão de Crimes contra o Patrimônio, mantém um Núcleo de Repressão a Furtos de Água e Energia. No ano passado, 51 casos de furto de energia foram parar na delegacia. Durante as inspeções, as concessionárias também acionam a polícia, caso constatem um local onde haja risco para os técnicos ou onde seja necessária a realização de perícia criminal.

“Há casos de clientes que instalam equipamentos para desviar a energia da entrada do medidor, e isso exige a realização da perícia criminal e da perícia da empresa para apurar o total desviado ou furtado da rede. Nesses casos, não são pessoas de baixa renda que fazem a ligação clandestina. São empresários, donos de restaurantes, proprietários de imóveis com pontos comerciais alugados”, explicou o delegado Danilo Bahiense, titular da Divisão Patrimonial.

No início do mês, um empresário, dono de uma lanchonete de Vila Velha, foi indiciado pela polícia por furto qualificado. Cerca de 45% da energia que era consumida no estabelecimento era desviada. Um dispositivo artesanal era usado, preferencialmente à noite, para evitar que a energia passasse pelo medidor. O empresário vai responder ao processo em liberdade, porque não foi preso em flagrante.

Crime

"Não há diferença entre furtar num supermercado e furtar energia. A lei não faz distinção. Se for flagrante, o responsável vai preso e só pode ser liberado pela Justiça”

Danilo Bahiense ,
delegado titular da Divisão Patrimonial

Penalidades

Multa

O consumidor flagrado furtando energia paga a soma dos valores médios de consumo dos anos anteriores até 2001, calculados com preço da tarifa atual e acréscimo de 30%

Juros

Se o valor total for negociado com a empresa, ainda incidem juros e multa em caso de
atraso no pagamento

Penas

Em geral, a empresa tenta negociar com o cliente, mas, se o problema for repassado à polícia, o responsável será indiciado por furto ou furto qualificado, com penas que
variam de um a oito anos de prisão

Prisão

Se houver flagrante policial, o responsável pelo imóvel é preso e só poderá sair da prisão após pagar fiança, caso o juiz autorize. O valor da fiança – determinado pelo magistrado – pode variar de acordo com o que se deixou de pagar com o furto de energia.

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