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04/02/2008 - Folha de São Paulo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Controles do Société Générale antes da fraude falharam, diz ministra


A ministra de Economia e Finanças da França, Christine Lagarde, disse nesta segunda-feira que alguns dos controles internos do banco Société Générale -que sofreu no mês passado uma perda de cerca de US$ 7 bilhões com um esquema de fraude- sobre as operações realizadas pelo operador Jérôme Kerviel falharam ou não foram levados em consideração antes do golpe.

"Claramente, alguns mecanismos [de controle interno] não funcionaram", disse a ministra a um comitê parlamentar, ao apresentar um relatório sobre o caso -que foi enviado ao primeiro-ministro francês, François Fillon. "E os que funcionaram nem sempre foram seguidos de mudanças apropriadas."

O relatório de Lagarde é o resultado de uma das diversas investigações sobre as operações de Kerviel e como ele teria conseguido usar brechas nos sistemas do Société Générale para realizar operações de risco.

O banco deveria ter monitorado melhor os valores nominais das posições assumidas por Kerviel, e não apenas os valores líquidos de sua carteira, diz o documento. A ministra informou ainda que o banco deixou passar diversos alertas -em particular um que foi emitido em novembro do ano passado pela Eurex -a principal Bolsa européia de derivativos.

Em um comunicado, o Société Générale informou que o relatório não afeta a validade nos instrumentos de avaliação de risco utilizados pelo banco e que já reforçou os controles e irá implementar novas medidas de segurança no curto-prazo.

Lagarde disse ainda que a revelação das posições assumidas nos investimentos operados por Kerviel foi feita "em conformidade com as regulamentações existentes", de um "modo profissional em condições de mercado difíceis".

Fraude

A fraude de que o Société Générale (um dos mais lucrativos bancos europeus, fundado há 140 anos), no valor de US$ 7 bilhões, supera a soma dos lucros dos bancos Itaú e Bradesco nos nove primeiros meses de 2007. O banco alega que Kerviel assumiu uma posição de 50 bilhões de euros (cerca de US$ 73 bilhões) no mercado de derivativos -muito acima do que tinha autoridade para fazer.

O golpe ocorreu com operações com papéis chamados de "plain vanilla" -instrumento financeiro de tipo mais simples, em geral na forma de opções de ações, títulos ou contratos futuros. Kerviel abusou, assim, do acesso que tinha a informações sobre os sistemas de segurança do grupo.

O operador, por sua vez, alega que seus superiores sabiam do que ele fazia e preferiram não tomar conhecimento de suas operações.

Controles

Lagarde pediu um estudo mais intenso dos riscos nos negócios ligados a falhas humanas ou fraudes e sugeriu a criação de controles mais consistentes.

"A França irá propor (...) que discussões em nível internacional sejam promovidas em ritmo acelerado a fim de que os padrões internacionais possam ser aplicados a todos", disse.

A AMF (Autoridade dos Mercados Financeiros) da França, o Parlamento francês e o Banco da França (BC francês, ligado ao Banco Central Europeu) também preparam relatórios sobre o caso de fraude no Société Générale.

Unanimidade

O presidente do Société Générale, Daniel Bouton, foi mantido em seu cargo na semana passada pelo Conselho de Administração da instituição, 'que renovou a confiança em Bouton por unanimidade'. Lagarde chegou a dizer que o banco deveria demiti-lo.

Após a revelação do escândalo, ele chegou a pedir demissão, mas sua saída não foi aceita. Também na semana passada, o banco anunciou a criação de um comitê especial interno, para administrar a crise provocada pelo caso.

O rival BNP Paribas (maior banco francês) admitiu que, como outras entidades financeiras européias, estuda uma oferta de compra sobre o Société Générale. Segundo o jornal econômico francês "Les Echos", o BNP criou uma equipe de conselheiros que trabalha no projeto.

A Comissão Européia (braço executivo da União Européia) pediu na quarta-feira que a França não interfira em potenciais candidatos à compra do Société Générale, que o governo francês quer proteger em meio à crise.

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