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02/02/2008 - Gazeta de Limeira Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Casal 171: contas bancárias e carros financiados com 4 identidades falsas

Por: Assis Cavalcante


Três veículos apreendidos, financiados em nome de pessoas que não existem e quase 20 talões de cheques, expedidos para correntistas inventados apenas no papel foram apreendidos ontem pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) durante a prisão de J.R.C., 45 anos e sua companheira, R.S.S., 21. O “casal 171”, como ficou conhecido, acumulava identidades falsas, para praticar os golpes.

A foto de J., por exemplo, estava estampada em outras três carteiras de identidade (RG) apreendidas, onde ele se passava por José Roberto Oliveira, José Ricardo de Souza e Fernando Alves Rezende. Era com esses documentos que ele conseguiu abrir contas correntes em quatro bancos diferentes e até mesmo financiar carros.
O delegado João Batista Vasconcelos, que conduziu as investigações que levaram à prisão dos golpistas, apreendeu um Gol 1.0 2004 e dois veículos Strada Fire (um ano 2004 e outro 0 km, que seria retirado ontem da concessionária Fiat de Conchal), todos adquiridos por J. através de estelionato em revendas de Conchal.
Sua companheira R. também conseguiu vantagem nesse tipo de esquema. Utilizando a identidade falsa de Ana Paula Santos, ela conseguiu abrir crediário em uma loja da cidade e adquiriu um TV de 29 polegadas. Sem antecedente criminal, ela disse ter sido induzida ao crime pelo companheiro, que fez os documentos frios.

FLAGRANTE

J. não explicou exatamente qual destino pretendia dar aos veículos. Para Vasconcelos, eles seriam repassados a receptadores, que por sua vez, os desmontariam e utilizariam as peças para venda no mercado paralelo ou mesmo os passariam para a frente com documentação falsa. Tudo dependeria do que fosse mais vantajoso.
Questionado a respeito de onde teria conseguido os documentos, J. alegou ter comprado as carteiras de identidade em São Paulo. “Lá você acha tudo, é só procurar”, disse. Ele alegou ter pago entre R$ 300 e R$ 500 por documento, que já saía com nome sem nenhuma restrição legal para facilitar os golpes futuros.
O casal foi autuado em flagrante por uso de documento falso, estelionato e corrupção ativa, pois no momento da prisão, ofereceu dinheiro aos policiais civis para que o deixassem ir embora (veja box). “Eles (os policiais) foram espertos em não aceitar”, disse, colocando em dúvida a legitimidade da oferta que havia feito.
Vasconcelos ainda apura outras transações do casal, que foi preso no início da manhã na casa onde moravam, localizada na Rua Olavo Bilac, 68, Fundos, Jardim Belvedere, em Araras. Denúncias davam conta que ambos estavam alugando um barracão no Jardim Peres, em Conchal, utilizando um dos nomes falsos.

TALÕES

A intenção de J., segundo a denúncia, seria comercializar materiais para construção, adquiridos irregularmente.
Questionado pela Gazeta, ele alegou que ia “trabalhar direitinho”. Mas exagerou na dose, ao tentar justificar à reportagem os seguidos estelionatos, afirmando que “só estava tentando sobreviver”.
Os investigadores Gildo Ciola e Valmir da Silva apreenderam um calhamaço de talões de cheques em favor das três identidades falsas assumidas por J., e que foram emitidos pelos bancos Bradesco, Nossa Caixa, Banco do Brasil e Santander/Banespa. Outros documentos falsos em nome de terceiros são investigados.
O “Casal 171” permaneceu preso e deve ser alvo de investigações mais aprofundadas. J. alegou ser iniciante nessa modalidade de crime, tendo adquirido os documentos frios cerca de quatro meses atrás. Os três veículos apreendidos devem ser restituídos à concessionária e revendas de Conchal, lesadas nos golpes.
Para o delegado Vasconcelos, os golpistas conseguem romper barreiras que em muitos casos, as pessoas honestas esbarram. Abrem contas em bancos e adquirem carros. Nesse último quesito, ele critica o mercado, que sem desconfiar de golpes, já concedeu financiamentos até em nome de pessoas que já morreram.

Acusado tentou “comprar” os investigadores por R$ 50 mil

Para se ver livre das grades, J.R.C. apelou para a sua arte e tentou aplicar um golpe nos policiais. Ao ser abordado em Araras juntamente com a companheira, ele forneceu nome falso e exibiu documentos onde se passava por José Ricardo de Souza. Como não conseguiu convencer, tentou uma última cartada: ofereceu R$ 50 mil para que não fosse preso. Disse que não tinha o dinheiro no momento, mas realizaria o pagamento dentro de um mês, de forma parcelada. A jogada só piorou sua situação, pois além de uso de documento falso (Artigo 304 do Código Penal Brasileiro) e estelionato (Artigo 171) passou também a responder por corrução ativa (Artigo 333). Enquanto era mantido na DIG ao lado da companheira, ele usava uma algema com correntes, presa nos tornozelos. Foi questionado a respeito de como pagaria o dinheiro prometido, caso a corrupção fosse aceita e disse que daria “um jeito”. Ele deve ser encaminhado para um dos presídios da região e a companheira, ao presídio feminino de Leme. (AC)

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