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28/01/2008 - O Globo Online / Valor Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Bolsa de derivativos da Europa teria alertado Société Générale sobre exposição já em novembro

Por: Fernando Torres


SÃO PAULO - A Eurex, principal bolsa de derivativos da Europa, havia alertado o banco francês Société Générale sobre as posições exageradas tomadas pelo banco já em novembro do ano passado. A informação, publicada nas agências internacionais, foi divulgada hoje por Jean-Claude Marin, promotor público da França, que interrogou Jérôme Kerviel, acusado de ser o responsável por essas transações e de ter levado a instituição a uma perda de 4,82 bilhões de euros.

Segundo relato de Marin, o banco argumentou com a Eurex, na época, que possuía outras posições, em outros mercados, que minimizavam aquela exposição a risco.

O Société Générale teria dito isso confiante em que tais posições realmente existiam. No entanto, segundo comunicado divulgado ontem pelo banco, explicando o caso, essas operações, que compensariam o risco assumido na Eurex, eram fictícias.

Os investigadores disseram que Kerviel tinha gerado lucro de 55 milhões de euros para o banco em 2007 e esperava receber um bônus de 300 mil euros - ante 100 mil de salário anual regular.

Agora, dependendo das condenações que pode sofrer, o operador corre o risco de ficar sete anos na prisão, ou pagar multa de até 750 mil euros.

Segundo Marin, Kerviel está cooperando com as investigações e assumiu ter feito operações fictícias desde 2005, embora em volumes bem menores do que as estruturadas no início deste ano.

Em um documento divulgado na sua página eletrônica, o Société Générale tenta explicar como Kerviel levou o banco a ter a perda bilionária.

O comunicado explica que o operador estava autorizado a fazer apenas operações de arbitragem com índices futuros de ações negociados na Europa (como Eurostoxx, DAX, FTSE) e a não tomar posições direcionais significativas, apostando em uma alta ou baixa destes índices.

Ao fazer uma arbitragem, o operador usa instrumentos financeiros apostando em uma direção e, ao mesmo tempo, monta uma segunda operação com a aposta contrária, usando outros mecanismos. As operações tendem a apresentar comportamento semelhante - embora não idêntico -, de modo que o ganho em uma das pontas seja compensado pela perda na outra posição. Isso minimiza os riscos, mas permite que haja ganhos caso os instrumentos apresentem distorções de preço momentâneas.

Segundo relato do banco, Kerviel fazia realmente a primeira operação, por exemplo, comprando contratos futuros de índice de ações numa bolsa como a Eurex. No entanto, a segunda perna da transação não ocorria de fato. O operador, que havia trabalhado na área de controle durante cinco anos, usava seu conhecimento dos sistemas internos do banco para criar uma transação fictícia, como se estivesse protegendo a primeira operação.

Para fazer isso, ele teria falsificado documentos e invadido os computadores de outros colegas de trabalho.

Nestas transações fictícias, o operador usava principalmente instrumentos com menor chance de serem controlados, como posições no mercado de balcão, que não exigem movimentação financeira nem depósito de margem de garantia.

Assim como existem os derivativos negociados nas bolsas, existe também o mercado de balcão. Enquanto nas bolsas os contratos são padronizados e há necessidade de depósito de margem de garantia e ajuste diário, no mercado de balcão - em que as transações são fechadas diretamente entre os investidores (cada um assume uma ponta do risco) - os contratos são mais flexíveis e não existe depósito de garantia, nem movimentação de recurso durante o curso da operação, somente no vencimento.

Segundo o Société Générale, assim que suspeitou do risco que corria, o banco questionou o operador, que teria informado que a contraparte do contrato de balcão era um grande banco. Ele teria inclusive falsificado um email como se fosse desse banco, para confirmar a transação.

O Société tentou checar a informação com o tal banco, que não reconheceu a transação. A partir de então, Kerviel teria assumido a criação de operações fictícias.

Neste momento, o comitê de investigação criado pelo banco francês fez uma varredura dos sistemas para verificar a real exposição direcional da instituição, que foi calculada em 50 bilhões de euros na manhã de domingo, dia 20.

Segundo o comunicado, o executivo-chefe do banco informou imediatamente o presidente do banco central francês sobre o caso. No período da tarde, o conselho do banco decidiu zerar as posições assumidas pelo operador e só informar ao mercado sobre a situação após o fim das transações, quando o resultado final das perdas pudesse ser calculado.

Naquele momento, o banco disse que as decisões foram informadas à Autoridade dos Mercados Financeiros (AMF) da França, equivalente à comissão de valores mobiliários francesa.

Para evitar uma distorção, o banco disse que decidiu limitar suas transações a no máximo 10% do volume de negócios do mercado. Diante disso, o banco teria terminado de zerar a posições assumidas por Kerviel somente na quarta-feira.

Ao reverter as operações em um momento desfavorável do mercado, o banco teria perdido os 4,82 bilhões de euros.

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