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20/05/2006 - Infonet Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Orkut se transforma em pesadelo para muitos usuários

Por: Andreza Azevedo


O que poderia ser uma rede de relacionamentos, um ponto virtual de encontros entre amigos e uma possibilidade para conhecer pessoas com os mesmos interesses tem se tornado um pesadelo para muitos usuários. Trata-se do Orkut. A ferramenta não é novidade, e funciona de maneira bastante simples. Só é possível entrar se for convidado e, ao entrar, o novo usuário vai adicionando amigos à sua lista e vendo os amigos de quem é seu amigo.

O site (www.orkut.com) é viciante e, apesar de vantagens como a de reencontrar pessoas que o usuário não tinha contato há muito tempo, pode também ser um perigo se mal utilizado. A exposição indiscriminada de fotos é um dos problemas.

A estudante sergipana D.A.M, 26, que prefere não ser identificada, foi vítima de um crime relacionado ao Orkut. Ela teve as fotos do seu álbum virtual capturadas por um criminoso, que por meio de fotomontagens, utilizando o rosto da vítima e o corpo de outra mulher, produziu imagens eróticas e enviou por e-mail para diversos internautas. O constrangimento foi irreparável, ela cancelou a conta do Orkut imediatamente e preferiu não prestar queixa sobre o fato.

Atualmente, o provedor responsável pelo gerenciamento do Orkut é o Google, que tem acesso a informações muito mais valiosas do que os outros portais possuem, como data de nascimento, opção sexual, desejos e muitas outras, além do tradicional pacote ‘nome, e-mail e endereço’. É ao Google que a polícia tem que recorrer quando precisa identificar um usuário que praticou crimes por meio do Orkut. Os mais comuns estão relacionados a roubo de identidade, pedofilia, racismo e até mesmo tráfico de drogas.

Ausência de lei

O problema é que não existe uma lei específica que obrigue o provedor a fornecer as informações dos seus usuários à polícia. O perito criminal federal, membro do Setor Técnido Científico (Setec), da Polícia Federal em Sergipe, Daniel Cristino, diz que a investigação de crimes cometidos na internet pode ser feita de várias maneiras. No caso específico do Orkut, a investigação é feita através do contato da polícia com o provedor - o Google - apesar deste criar vários problemas para passar as informações necessárias ao trabalho da polícia.

“O caminho é identificar a máquina responsável por ter inserido os dados criminosos na internet, e, com base na identificação desse computador ou do usuário, recorrer ao Google para ter acesso aos dados cadastrais do criador do perfil ou comunidade criminosa”, explica.

Mesmo assim ainda existe o problema da lan house, espaço onde as pessoas pagam por hora para acessar a internet. Alguns Estados já tomam o cuidado de exigir cadastramento para os usuários desses locais. Assim, fica mais fácil identificar quem utilizou a máquina em determinado dia e horário, o que não é o caso de Sergipe.

O que a vítima deve fazer

Quem teve o perfil clonado pode procurar a Polícia Civil para registrar uma ocorrência ou procurar o Ministério Público e entrar com uma representação. Neste documento, qualquer cidadão pode ir ao MP e registrar a denúncia. O órgão fica então obrigado a apurar a denúncia, determinando que a polícia abra inquérito para investigar o crime.

A Polícia Civil sergipana ainda não registrou nenhuma queixa relacionada ao Orkut, mas o delegado responsável pela Delegacia Especial de Defraudações e Falsificações, Archimedes Marques, sabe que existem casos, mas as pessoas não têm conhecimento de que podem denunciar.

“As vítimas devem comparecer à delegacia para registrar a ocorrência. Dentro do possível vamos tentar investigar o caso para chegar ao autor do crime. Pode ser um crime de estelionato, roubo de identidade, dentre muitos outros”, diz o delegado, que acrescenta que este é um dos tipos de investigação mais complexos, pois geralmente não existe um suspeito.

“Aqui (em Sergipe) infelizmente nós estamos muito aquém da própria realidade brasileira. Já solicitamos à cúpula da Segurança Pública que seja feito um curso de reciclagem para nossos policiais na área de informática. Ainda estamos engatinhando para combater crimes como esses”, reclama.

Casos em Sergipe

Enquanto isso, em Sergipe já foram denunciados três casos relacionados ao Orkut na Polícia Federal, um de roubo de identidade, um relacionado à pedofilia e outro ao racismo. O perito em informática da PF, Daniel Cristino, diz que as punições variam. Por exemplo, pedofilia e venda de drogas são crimes com punições de mais de dois anos (dois a cinco anos de reclusão).

“Geralmente enquadramos os crimes cometidos na internet como crimes comuns. Por exemplo, venda de drogas, tráfico de drogas, não interessa se foi pela internet ou pessoalmente. A punição é a mesma. A pedofilia também segue o Estatuto da Criança e do Adolescente”, esclarece. Segundo ele, uma série de procedimentos ainda não tem uma legislação específica, inclusive obrigando os provedores a fornecerem informações solicitadas pela polícia.

“Os provedores que oferecem essas informações fazem por um ‘favor’, para colaborar com a justiça, mas alguns deles se negam, como é o caso do Google. Como eles não são obrigados, a idéia é criar uma legislação que obrigue a adotar uma padronização nesse fornecimento”, comenta Daniel.

Perigo

Um crime comum que vem sendo praticado no Orkut é o roubo de identidade. O perfil do usuário é clonado e o criminoso passa a enviar mensagens inoportunas aos amigos do usuário verdadeiro. Além disso, esta tem sido uma arma para os seqüestradores, que, por meio do perfil clonado, enviam mensagens aos amigos do usuário real perguntando onde ele estará em determinado dia ou coisas do tipo. Ao responder à mensagem, o amigo dá a ‘chave’ para o seqüestro.

Por conta desses problemas, a Polícia Federal dá algumas recomendações para que o usuário do Orkut diminua o risco de ser vítima dos perigos causados pela rede de relacionamentos. A primeira dica é tentar deixar o mínimo possível de informações na rede. Evitar deixar e-mail disponível no perfil, por exemplo.

“O usuário deve também colocar senhas difíceis de serem adivinhadas. O criminoso pode entrar no perfil e, tendo outras informações, como nome de seu melhor amigo, namorado, pais, data de nascimento, o criminoso pode testar essas senhas no e-mail”, alerta o perito Daniel Cristino, da PF em Sergipe.

Segundo ele, se o criminoso tiver acesso á senha do usuário do Orkut, entra facilmente no perfil deste e pode alterar dados, mandar mensagens inoportunas, inserir fotos desagradáveis, ou ainda, mandar mensagens pelo e-mail do usuário contendo o vírus cavalo de tróia. Este vírus é capaz de capturar todas as informações que a vítima digita em seu computador, como senhas de banco e outros dados estritamente pessoais.

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