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19/01/2008 - Tribuna Catarinense Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Dinheiro de fraude na Saúde era levado em isopor de gelo


Os acusados de integrar um esquema de fraude no pagamento de medicamentos na Secretaria de Saúde de Santa Catarina e na Prefeitura de Joinville, no norte do Estado, teriam usado códigos para se referir a quantias e ao dinheiro que seriam liberados. Em trechos de conversas gravadas pelo Ministério Público e divulgadas na última quinta-feira, os envolvidos informam que o dinheiro seria remetido em uma "caixa de isopor com gelo".
Dos oito presos temporariamente na segunda-feira, apenas o superintendente da Secretaria de Estado da Saúde, Ramon Silva, e o secretário de Saúde de Joinville, Norival Silva, permaneciam detidos na Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Florianópolis até a última sexta-feira. Os dois foram afastados dos cargos e tiveram um pedido de revogação da prisão provisória negada pelo juiz João Marcos Buch.
Mais de uma centena de transcrições das conversas foram anexadas nas investigações movidas pelo Ministério Público. Trechos dos diálogos interceptados com a autorização da Justiça mostram que os membros do suposto esquema teriam adotado códigos para as conversas telefônicas. Eles usavam termos como "fazendeiros" para se referir a fiscais da Fazenda, "mexidinho" quando se tratava de dinheiro e "pedaço" quando o suposto pagamento era realizado parcialmente.
As investigações começaram depois que Norival Silva determinou que fiscais da Vigilância Sanitária apenas interditassem "estabelecimentos de ensino estaduais com o seu consentimento". O MP começou a perceber as supostas irregularidades com a questão da saúde. No esquema, os servidores autorizavam pagamentos retidos pelo poder público em troca de percentuais combinados via telefone. Os valores são mantidos em sigilo pela polícia.
Uma viagem do secretário de Saúde de Joinville à capital do Estado, e outra à cidade de Tijucas, são relatadas pelo MP nos documentos divulgados. Com o uso de carros oficiais, o acusado teria ido buscar quantias escondidas em caixas de isopor junto a empresários que tinham os pagamentos pela venda de remédios autorizados pelos servidores.

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