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12/01/2008 - Alagoas em Tempo Real Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

FBI indicia empresário que tentou destruir o dólar


Sete séculos antes de Cristo, na Grécia Antiga, foram cunhadas as primeiras moedas em metal. Muito tempo depois, na Idade Média, os ourives começaram a assinar recibos, dando origem ao papelmoeda. E foi só em 1694 que surgiu o primeiro banco central, o Banco da Inglaterra. Moedas privadas, antes emitidas livremente, passaram a dar lugar às moedas nacionais, que se tornaram monopólios governamentais. Nos Estados Unidos, no entanto, um empresário polêmico decidiu trilhar a volta ao passado. Auto-intitulado "arquiteto monetário", Bernard von Nothaus criou em 1998 uma moeda privada chamada Liberty Dollar. Antes disso, ele adquiriu uma quantidade significativa de prata, que serviu de lastro para a emissão dos "dólares da liberdade". E prometeu que só rodaria a maquininha de dinheiro se tivesse mais prata nos seus cofres, garantindo aos clientes que eles poderiam trocar as cédulas pelo metal a qualquer momento. Na prática, era uma volta ao padrão-ouro, que regeu o sistema financeiro mundial durante décadas. Assim, Nothaus tentava assegurar que, ao contrário do dólar real, sua moeda não perderia valor de compra nem internamente, com a inflação, nem externamente, com uma desvalorização cambial. E o argumento de venda era direto. "Se a FedEx pode competir com os serviços postais, nós podemos concorrer com a moeda emitida pelo seu governo", dizia ele.

Na prática, Nothaus estava certo. Nenhuma lei americana obriga vendedores e compradores a transacionar apenas em dólar. Se um fazendeiro de Iowa decidir comprar um trator com 500 sacos de milho e o dono da concessionária aceitar, tudo é perfeitamente legal. Foi com base nesse conceito que o Liberty Dollar começou a circular, principalmente no comércio da cidade de Evansville, em Indiana, onde ficava a sede da empresa. No final do ano passado, no entanto, o "arquiteto monetário" Nothaus deu um passo em falso. Começou a emitir moedas com o rosto do senador Ron Paul, um dos candidatos republicanos à Presidência dos Estados Unidos. Paul não só defende a volta ao padrão-ouro, como também chegou a propor uma lei instituindo a competição monetária - era o The Free Competition in Currency Act. Ultraliberal, Paul parafraseou o economista Milton Friedman. "Os americanos devem ser livres para escolher a moeda que querem usar", disse ele. "Estamos à beira do precipício de um colapso monetário e precisamos de alternativas ao dólar".

O problema é que o FBI, a polícia federal americana, não gostou da história. Em dezembro do ano passado, agentes invadiram a sede da empresa de Nothaus e recolheram os computadores e a prata que ele guardava. A ação policial, motivada por uma queixa da Casa da Moeda americana, acusava Nothaus de definir sua moeda como legal tender, ou seja, como um pagamento de curso legal, que não pode ser recusado. O empresário, ao contrário, alega que sempre pregou a adesão voluntária ao Liberty Dollar. E, depois de recuperar os bens apreendidos, ele passou a mover uma ação contra a Casa da Moeda, incluindo como réu o secretário do Tesouro americano, Hank Paulson. Num e-mail distribuído a amigos, Nothaus disse que pode ser preso a qualquer momento. Mas ele, indiciado pelo FBI por fraude e lavagem de dinheiro, espera entrar para a história como mártir da liberdade.

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