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09/05/2006 - Gazeta do Povo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpe do emprego leva seis à prisão


Empresa em plena Avenida Paulista enganava desempregados. Ela cobrava até R$ 2.400 para teste com promessa de vaga.


Seis pessoas foram presas em flagrante nesta segunda-feira acusadas de aplicar o golpe do emprego na Avenida Paulista, na capital. Os presos são um diretor, quatro gerentes e uma psicóloga da empresa Gatework. No último dia 8 de fevereiro, o GLOBO ONLINE já havia denunciado o golpe, em que desempregados são atraídos com a oferta de vagas mas, para conseguir o emprego, precisam pagar para fazer um 'teste psicológico'. O teste chega a custar R$ 2,4 mil e o emprego nunca aparece. O crime, segundo o delegado Jair de Castro Vicente, é inafiançável.


As empresas alegam que fazem tudo dentro da lei. Isso porque depois de pagar para fazer o teste, a vítima ainda assina um contrato no qual a empresa não garante a vaga. Não se sabe quantas pessoas caíram no golpe. Mas existem pelo menos 70 processos contra a Gatework por conta deste tipo de estelionato, que era investigado a mais de dois meses pelo Ministério Público. Na internet, as pessoas que caíram nesse golpe criaram listas com os nomes das empresas.

Uma das vítimas foi o estudante universitário T.S.V., de 30 anos, que no último dia 1º de fevereiro recebeu um telefonema da Gatework para agendar uma entrevista de emprego para o dia seguinte. A vaga com salário de R$ 3 mil, com direito a vale-transporte e pagamento de 60% da mensalidade da faculdade (ele freqüenta o curso de Marketing), despertou o interesse do universitário que procurava emprego há meses.

- Cheguei ao escritório, um pouco antes da hora marcada e fui imediatamente atendido. Depois de uma breve conversa, os entrevistadores disseram que a vaga era minha e que, para completar o processo, teria de apresentar um exame psicológico que custava R$ 2.400. Eles disseram que após a contratação, a empresa me reembolsaria o valor - conta o universitário.

Mas T. não dispunha de tanto dinheiro para pagar e ofereceu todo o primeiro salário como pagamento.

- Eles recusaram, disseram que tinham custos e, depois de muito negociar, o valor caiu para R$ 800. Durante todo o tempo fui muito pressionado. Diziam que se eu não fizesse logo o teste, perderia a vaga. Assim que assinei o cheque, um dos entrevistadores disse que ia almoçar enquanto eu fazia do teste - lembra.

Enquanto T. fazia o teste, o cheque foi descontado. Ao sair, o estudante resolveu usar a internet para conseguir mais informações sobre a empresa de recolocação. Descobriu várias listas na internet com pessoas que passaram pela mesma situação. Nenhuma conseguiu qualquer emprego. Pior, poucos conseguiram reaver o dinheiro.

- Depois que você paga, eles apresentam um contrato e dizem que é apenas uma formalidade. Que a vaga já é sua. O contrato afirma que paguei pelos testes e pelo serviço da Gatework, que enviará meu currículo para várias empresas. Diz ainda que a vaga não é garantida - conta T.

Amparadas pelo contrato assinado, muitas empresas atuam da mesma forma. A nutricionista Priscila Monteiro, de 33 anos, foi outra que caiu no conto.

- Eles pegam a gente no pior momento da nossa vida, quando estamos muito frágeis emocionalmente. Eu pensava: 'se não pagar, vão pensar que eu não quero pegar no batente' - diz ela, que acreditou na mesma história duas vezes num curto espaço de tempo.

As empresas FAN RH e Interview cobraram de Priscila R$ 680 e R$ 840, respectivamente. Ao ver que o tempo passava e a vaga não aparecia, ela resolveu se informar e também encontrou, pela internet, várias pessoas na mesma situação.

- Resolvemos então entrar com uma ação contra a Interview. Somos cinco pessoas, com ações individuais, e que são testemunhas uma da outra. Houve uma primeira audiência de conciliação, na qual a empresa ofereceu o ressarcimento do valor pago. Não aceitei porque quero também uma indenização por danos morais. Todo esse processo foi muito desgastante - afirma ela.

Na época da denúncia, a Gatework negou a venda de vagas.

- O contrato é assinado antes do pagamento. A empresa não usa a venda de vagas. Isso está escrito em nosso contrato. Tudo o que foi falado consta do contrato - disse Bruno Segala, gerente comercial da Gatework, em fevereiro - foi uma das pessoas presas pela polícia nesta segunda-feira.

- Ao contrário do que muita gente informa, o custo da contratação não corre por conta das empresas. Elas não pagam pela recolocação. Querem os profissionais já triados. É essa triagem que oferecemos aos profissionais - afirmava Segala para manter o golpe.

Segundo ele, o custo médio dos testes psicológicos na empresa é de R$ 1.300.

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