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11/10/2017 - Metrópoles Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpista usava nome de deputado para vender falsas vagas de emprego

Por: Saulo Araújo

Mulher cobrava R$ 2 mil por postos de vigilante e brigadista na empresa Confederal. Mais de 170 pessoas teriam sido enganadas.

A promessa de uma vaga no mercado de trabalho levou dezenas de pessoas a caírem em um golpe. Uma mulher cobrava até R$ 2 mil para garantir a contratação de vigilantes e brigadistas na empresa Confederal, ligada ao presidente do Senado, Eunício de Oliveira (PMDB-CE). Um grupo de WhatsApp criado por Luciana Nunes de Lima chegou a ter 175 pessoas – todas teriam sido enganadas por ela com a garantia de emprego fácil.

Para dar um ar de confiabilidade ao esquema, a estelionatária usava o nome do deputado distrital Chico Vigilante (PT). Dizia que o político estava ciente de todo o processo e ajudaria nas indicações. Por mais de uma vez, ela enviou ao grupo vídeos do parlamentar defendendo a categoria.

Vigilante alega nunca ter visto Luciana e pretende acioná-la judicialmente. “É lamentável alguém se aproveitar da fragilidade de pessoas desempregadas para lucrar. É mais revoltante ainda usar meu nome para essas maracutaias. Vou processá-la, com certeza”, afirma.

Segundo relatos de vítimas, Luciana usou a esperteza para fazer o golpe prosperar por tanto tempo. O esquema era alimentado na forma de pirâmide, com indicações. Quem dava dinheiro à mulher sempre tinha a impressão de que em breve começaria a trabalhar.

Ela marcava reuniões com regularidade, recolhia documentação, distribuía escalas de serviço do “novo” trabalho e até pedia voluntários para ajudar a pegar carregamentos de uniformes. Porém, sempre de última hora, inventava justificativas para protelar a apresentação nas empresas que mantinham contrato com a Confederal. Até greves na cidade – como as dos rodoviários e dos bancários – eram usadas como desculpa.

Chantagens

Quando alguma vítima perdia a paciência e ameaçava denunciá-la, Luciana fazia chantagens. Em um dos áudios enviados ao grupo de WhatsApp, disse que devolveria o dinheiro a um homem que se queixava da demora em começar a trabalhar, mas exigiu que ele deixasse os outros integrantes em paz. “Quem estiver reclamando, vai receber o dinheiro de volta, mas vai ficar desempregado no fim do ano. Deixa o pai de família que quer trabalhar em paz”.

Sem emprego e no prejuízo

Leila* é uma das vítimas de Luciana. Demitida em maio deste ano de uma empresa de serviços gerais, deu à mulher todo o dinheiro de sua rescisão.

Na intenção de conferir credibilidade ao processo de contratação, Luciana chegou a devolver o dinheiro para algumas pessoas. Mas tratava-se de mais uma artimanha da golpista. Ao proceder dessa forma, muitos acreditavam que também seriam ressarcidos e evitavam levar o caso ao conhecimento da polícia. “Nós temíamos denunciar e ela simplesmente desaparecer com nosso dinheiro”, conta Leila.

Outra vítima chegou a abandonar o emprego de porteiro por achar que seria chamado para uma vaga de brigadista no Banco Central. “Ela sempre falava que já estava tudo certo, que já tinham até assinado minha carteira. Pedi demissão para começar a me preparar”, lamenta.

Um grupo de pessoas enganadas por Luciana pretende se reunir e registrar, ainda nesta semana, uma ocorrência na Coordenação de Repressão a Fraudes (Corf), da Polícia Civil.

Golpista nunca trabalhou na Confederal

O administrador da Confederal, Ricardo Lopes Augusto, negou que Luciana integre os quadros da empresa, destacou que as vagas são preenchidas com base em avaliação curricular e recomendou que todas as pessoas que deram dinheiro a estelionatária procurem a polícia imediatamente.

“Ninguém está autorizado a usar o nome da empresa para fazer comércio de vagas. A Confederal nunca vendeu e nunca venderá postos de trabalho. Oriento que essas pessoas denunciem o caso à polícia”, disse o representante da companhia.

O Metrópoles entrou em contato com Luciana. Ela negou envolvimento no caso e argumentou desconhecer as pessoas que a denunciam. “Não estou entendendo, não sei do que você está falando”, disse, antes de desligar e não atender mais os telefonemas da reportagem.

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