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11/10/2017 - Folha de São Paulo / Financial Times Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraude de siderúrgica expõe crise de controle de qualidade no Japão

Por: Peter Wells e Emiko Terazono


A Kobe Steel, terceira maior siderúrgica japonesa, se tornou foco das atenções nesta semana quando foi relevado que o grupo havia certificado falsamente a qualidade de seus metais, o que levou companhias importantes a iniciarem verificações sobre a segurança de seus produtos.

Toyota, Nissan, Mitsubishi, Honda, Subaru, Kawasaki, IHI, Mazda e Boeing são alguns dos grandes grupos industriais atingidos pelo escândalo, que representa um novo abalo para a reputação das grandes empresas japonesas.

A siderúrgica vendeu a clientes alumínio, cobre e produtos de pó de aço que não se enquadravam aos indicadores de força e qualidade especificados por eles.

No domingo (8), a Kobe assumiu ter falsificado relatórios de inspeção sobre cerca de 20 mil toneladas de metais embarcados para mais de 200 clientes, nos 12 meses até agosto de 2017, e alertou que esses problemas podem ter surgido uma década atrás.

O volume de cobre e alumínio afetado representa cerca de 4% das vendas anuais da divisão envolvida.

No final do ano passado, a capitalização de mercado da Kobe era de 500 bilhões de ienes (US$ 4,5 bilhões), mas ela perdeu mais de um terço de seu valor nos dois últimos pregões, após admitir a fraude.

O caso é o último de uma série de escândalos que expõem preocupações mais amplas sobre inspeção e controle de qualidade no Japão —da construção, com a Asahi Kasei apresentando problemas em suas fundações, ao setor automobilístico, em que a Mitsubishi admitiu manipular testes de consumo de combustível de seus veículos. As notícias da Kobe surgiram poucos dias depois de outra fabricante de carros japonesa, a Nissan, convocar recall de 1,2 milhão de veículos que foram inspecionados por técnicos não autorizados.

A Kobe Steel disse que a questão veio à tona depois que sua divisão de alumínio e cobre revisou, em agosto, contratos e embarques recentes.

A companhia vinha tentando cumprir seu compromisso de reforçar a fiscalização interna, depois que uma subsidiária foi apanhada falsificando resultados de certificação em testes oficiais de padronização industrial em 2016.

Durante a auditoria, foram encontradas irregularidades em certificados de produtos embarcados em quatro de suas usinas. A divisão reportou a fraude ao presidente-executivo da companhia e ao conselho no final de agosto.

Funcionários do Ministério da Economia, Comércio Internacional e Indústria japonês afirmaram que os produtos vendidos pela Kobe não caíram abaixo dos padrões mínimos de qualidade do setor. O ministério afirmou, no entanto, que a questão afetava o relacionamento entre a empresa e seus clientes, por ela não ter cumprido as especificações que eles requeriam.

Analistas estimaram que o impacto imediato sobre os resultados da companhia seria limitado. No entanto, há questões mais graves, como a possibilidade de que a Kobe Steel tenha que indenizar seus clientes e a possível perda de compradores, em longo prazo, devido ao abalo na reputação da empresa.

O conglomerado criado há 112 anos administra divisões que produzem componentes de soldagem e maquinaria industrial. Também oferece serviços de engenharia, equipamentos para construção —como guindastes e escavadeiras— e de geração de energia. A empresa tem também uma subsidiária de incorporação de imóveis.

CLIENTES

Até agora, nenhum dos clientes da Kobe Steel reportou problemas com o material recebido. Empresas como Boeing, Toyota, Nissan e Honda afirmaram ainda estar investigando se os produtos finais foram afetados.

A JR Tokai, que opera os trens de alta velocidade japoneses, disse acreditar que não há problemas, mas está considerando substituir componentes cujos certificados de qualidade foram fraudados em sua próxima rodada de inspeções.

A Kobe afirmou que ainda não foi informada de quaisquer problemas em materiais fornecidos.

A empresa disse que sua prioridade é "concluir a investigação e trabalhar com nossos clientes para que saibamos o que aconteceu e como podemos impedir que aconteça de novo no futuro."

Naoto Umehara, vice-presidente da companhia, disse no final de semana que "no processo [de investigação] precisaremos considerar se a direção da empresa terá de renunciar."

Embora analistas advirtam sobre danos à reputação da empresa em curto prazo, alguns dos principais clientes da Kobe, como a Toyota, talvez não possam parar de adquirir produtos da empresa.

Thanh Ha Pham, analista do banco Jefferies, disse que "da perspectiva da Toyota, eles têm dois fornecedores de alumínio: Kobe Steel e a UACJ. Se você é a Toyota, não pode arcar com o risco de ter só um fornecedor. É preciso sempre tentar diversificar o risco."

Tradução de PAULO MIGLIACCI

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