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04/05/2014 - DiarioWeb (Diário da Região) Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpes tiram R$ 310 mil de vítimas em Rio Preto

Por: Allan de Abreu


O golpe é simples e eficaz. Basta uma boa dose de esperteza do estelionatário para escolher a vítima certa. Com a desculpa de um bilhete de loteria premiado, um prêmio do Faustão ou um empréstimo a juro zero, não tem erro. De 2011 até agora, golpistas levaram R$ 310 mil de 32 rio-pretenses que cresceram o olho no dinheiro fácil.

Apesar dos alertas constantes da polícia, a estatística demonstra que a lábia dos vigaristas têm sido cada vez mais bem-sucedida. No ano passado, foram registradas na polícia 14 ocorrências de estelionato em Rio Preto. É mais do que o dobro do ano anterior. Neste ano, de janeiro a abril, o montante levado pelos vigaristas, R$ 53,3 mil, já se iguala ao que foi surrupiado durante todo o ano passado.

“O estelionatário normalmente tem a inteligência acima do normal. Ele trabalha sempre com a ganância das pessoas e estuda muito bem suas vítimas, para dar o bote na pessoa certa”, diz o delegado Paulo Grecco, do Grupo de Operações Especiais (GOE). A análise dos golpes nos últimos anos em Rio Preto ajuda a traçar o perfil das vítimas preferido pelos vigaristas de plantão: das 31 vítimas identificadas em levantamento do Diário, 24 eram mulheres e pouco mais da metade, 17, tinha mais de 60 anos. “Eles miram nas pessoas ingênuas, geralmente idosos, e pouco letradas, mais fáceis de ser enganadas”, afirma o promotor criminal Marco Antonio Lelis Moreira.

O golpe mais comum, disparado, é o do bilhete premiado. Apesar de ser um dos contos do vigário mais antigos de que se tem registro - o primeiro golpe do bilhete documentado ocorreu em 1934, em São Paulo - está sempre entre os que mais geram vítimas, diz o historiador José Augusto Dias Júnior, que pesquisou o tema. “Apesar da ampla divulgação desse tipo de golpe, muita gente não se informa e se transforma em vítimas potenciais.” Ele classifica o golpe do bilhete como peça de dramaturgia - “a mais antiga ainda em cartaz” - já que o vigarista, diz, é sempre um excelente ator.

Ganância

“Eu conhecia o golpe do bilhete premiado e também me perguntava como que uma pessoa poderia cair numa conversa dessa. Mas eu caí”, desabafa a aposentada L.C.R., de 72 anos, que perdeu R$ 20 mil no golpe aplicado por duas mulheres no final de março. Ela estava na calçada em frente ao edifício onde mora, em Rio Preto, quando uma mulher aparentemente simples com um papel na mão perguntou sobre um endereço. Quando a idosa informou não conhecer o local, uma outra mulher, muito bem vestida, ouviu a conversa e fingiu querer ajudar. Às duas, a mulher com o endereço na mão apresentou um bilhete da loteria e relatou que o homem que morava naquele endereço havia lhe prometido trocar o jogo da quina que ela possuía por uma televisão.

“Nesta hora a mulher elegante ligou na Caixa e perguntou sobre os números sorteados da quina. Ela foi ditando os números e batiam com os do bilhete que a outra mulher segurava. Então ela me disse que não poderíamos permitir que uma pessoa tão simples fosse enganada. Claro que imediatamente me prontifiquei a ajudar.” A mulher mais simples exigiu então uma garantia de que as duas mulheres, a outra estelionatária e a vítima, não fugiriam com o dinheiro dela. E acrescentou que se fosse ajudada, recompensaria cada uma com R$ 100 mil.

Então a suposta madame entrou em um carro de luxo e em poucos minutos retornou ao local apresentando vários maços de dinheiro. Disse que eram R$ 30 mil e sugeriu que a idosa fizesse o mesmo. “Eu entrei no carro com as duas e fomos ao meu banco. Saquei R$ 20 mil no caixa e ofereci também uma gargantilha que custava uns R$ 5 mil”.

Já com o dinheiro no carro, as três seguiriam para uma agência da Caixa para sacar o prêmio quando a mulher mais simples revelou que estava menstruada e pediu à idosa que comprasse um absorvente para ela no supermercado. L. atendeu ao apelo, mas, quando retornou ao local, não encontrou mais ninguém. “Eu não tive reação, fiquei uns 20 minutos paralisada. Você não pode imaginar o tamanho da minha decepção ao me dar conta de que havia perdido em minutos as economias de uma vida inteira de trabalho. Eu não precisava dos R$ 100 mil, mas é a ganância. A gente sempre quer mais do que tem”.

Inquérito

Investigações contra estelionatários são trabalhosas, segundo o delegado Grecco. “Eles têm muita cautela. Os telefones e as contas bancárias que utilizam quase sempre estão em nome de ‘laranjas’, muitos no Nordeste. Fica difícil desvendar a identidade das pessoas.”

O promotor Lelis critica a pena branda aplicada pela Justiça ao crime de estelionato. “O Código Penal prevê pena de um a cinco anos de reclusão, mas a maioria dos juízes aplica a pena mínima, o que possibilita a sursis (suspensão do processo).” A regra mais básica para evitar ser a nova vítima dos vigaristas é controlar a ganância. “Sempre que há um lucro muito acima do normal ou uma vantagem fácil demais proposta por um desconhecido, desconfie. Não há milagres”, diz o delegado.

Policiais aplicavam golpe do dólar

O mais famoso conhecido caso de estelionato em Rio Preto foi o chamado “golpe do dólar”, no fim dos anos de 1990. Orquestrado por policiais civis, inclusive um delegado, o golpe teria dado prejuízo estimado em R$ 1 milhão às vítimas. Sete pessoas foram condenadas e os policiais expulsos da corporação. No total, foram três vítimas do golpe, todos empresários. Eles foram atraídos a Rio Preto ao longo de 1999 por um dos membros do grupo, que se identificava como assessor de deputados em Brasília interessados em comprar dólares para lavar dinheiro de sobras de campanha. A proposta era pagar por cada dólar o dobro da cotação do dia.

Quando chegavam à cidade, as vítimas eram levadas para um quarto de hotel. Negócio fechado, um dos golpistas saía dizendo que iria pegar as notas de reais. Nesse momento, policiais entravam no quarto e prendiam todos. As vítimas eram levadas ao 7º Distrito Policial, na Vila Toninho, onde o delegado Antônio Tadeu de Mattos e os investigadores Carlos Alberto Vergínio, Pedro Fuzieda, Pedro Divino do Nascimento e Orivaldo Rodrigues trabalhavam. Horas depois, os empresários eram liberados, mas o dinheiro ficava retido, e era dividido entre policiais e empresários comparsas.

O mesmo golpe foi aplicado com um diamante avaliado em R$ 400 mil. Em março, o grupo contatou três garimpeiros de Minas Gerais interessados em comprar a pedra. Após a blitz policial simulada, o diamante ficou com o grupo. Todos foram condenados por estelionato e formação de quadrilha. Ainda há recursos pendentes no Tribunal de Justiça (TJ) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O delegado Mattos morreu em 2009, e o investigador Rodrigues, em 2004.

Golpista-mor vendeu até a torre Eiffel

A vigarice permeia toda a história brasileira, desde os tempos em que era colônia portuguesa. Inicialmente chamado de burla, o estelionato ganhou o sinônimo conto do vigário no fim do século 19. Não há origem comprovada para o termo, segundo o historiador José Augusto Dias Júnior, autor do livro “Os contos e os vigários: uma história das trapaças no Brasil”, publicado pela editora Leya.

Duas delas, diz, são mais aceitas: a primeira diz que, naquela época, os golpistas se passavam por portadores de uma carta assinada por um padre, vinda da Espanha, informando que um rico coronel deixara uma fortuna, e que doaria o dinheiro a quem se dispusesse a pagar as custas processuais do inventário. Era a isca para tirar dinheiro de incautos.

A segunda hipótese é do escritor Fernando Pessoa em conto publicado em 1926. Para ele, a expressão vem do português Manoel Perez Vigário, um estelionatário que criou fama no século 19. No Brasil, ficou famoso o caso de um sergipano que oferecia terrenos na Lua no fim dos anos de 1960. Até mapa o “corretor” tinha. O falsário conseguiu engabelar dois fazendeiros até ser preso em flagrante. Mas pertence ao tcheco Victor Lustig (1890-1947) o título de maior estelionatário de todos os tempos. Entre seus maiores feitos estão a venda da torre Eiffel, em Paris, e o uso de 45 nomes falsos. Outro número superlativo de Lustig são as fugas da prisão: foram quase 50 ao longo da vida.

Filho de um prefeito na República Tcheca, Lustig abandonou a escola ainda adolescente e passou a viajar pela Europa aplicando golpes. Pouco antes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), viajava em grandes cruzeiros entre Londres e Nova York vendendo uma máquina de copiar dinheiro por 30 mil dólares. O equipamento, apregoava o tcheco, copiava uma nota de 100 dólares a cada seis horas. Como o jovem inseria na máquina quatro notas verdadeiras, tinha 24 horas para a fuga. Quando a vítima percebia que algo estava errado, já era tarde demais.

Mas o golpe de mestre do estelionatário viria em 1925. Fingindo ser funcionário da Prefeitura de Paris, ele reuniu cinco proprietário de ferro-velho em um hotel e luxo e disse que, devido à crise econômica, o município estava vendendo a torre Eiffel como sucata por US$ 70 mil. Um dos empresários, André Poisson, se interessou pelo negócio. Para dar mais credibilidade à farsa, Lustig ainda chegou a pedir suborno em nome da Prefeitura. Quando se deu conta do golpe, o empresário, envergonhado, não registrou queixa. Assim, Lustig voltaria a vender a torre a outro empresário, um mês depois. A vítima, agora, registrou queixa na polícia e o golpista fugiu para os Estados Unidos, onde continuaria a aplicar o golpe da máquina de dinheiro. Ele só seria preso em 1934 e morreria na cadeia, anos depois.

Bilhete premiado

Vítima é procurada por golpista, geralmente mulher, que se passa por alguém pobre e sem instrução. Ela mostra papel com um endereço, onde diz morar um homem que trocaria um bilhete da loteria por uma TV. Nesse momento, aparece uma terceira pessoa, bem vestida, que telefona para a Caixa e confirma que o bilhete é premiado. Em seguida, juntamente com a vítima, o golpista bem vestido se oferece para retirar o prêmio e como garantia de que não vai fugir com o dinheiro, oferece soma relativamente alta para a dona do bilhete, pedindo que a vítima entregue a ela a mesma quantia. A dupla golpista inventa desculpa para se desvencilhar da vítima e foge com o dinheiro dela

Falso emprego

O golpista promete vagas com bons salários, por meio de anúncios impressos ou na internet. Para "garantir" a vaga, no entanto, pede ao interessado que deposite uma taxa. Resultado: a vítima continua desempregada e com menos dinheiro ainda no bolso

Falso empréstimo

Vítima recebe panfleto no Calçadão em que suposta financeira oferece empréstimo em condições altamente vantajosas. Quando a vítima entra em contato no telefone indicado, um homem pede que a pessoa faça um depósito em determinada conta como garantia do empréstimo

Falso funcionário do banco

Passando-se por funcionário do setor de autoatendimento do banco, golpista aborda a vítima no caixa eletrônico e pergunta se ela precisa de ajuda. Se a vítima aceitar, o estelionatário a auxilia na operação bancária mas, no fim, entrega a ela outro cartão e, com a senha bancária da vítima, saca todo o dinheiro da conta. Ela só percebe o golpe quando procura o banco novamente, dias depois

Falso parente

Estelionatário telefona para a vítima e se apresenta como parente, geralmente sobrinho. Diz estar em situação de emergência - como o carro quebrado na rodovia - e, alegando estar sem dinheiro, pede ajuda financeira para o parente.

Falso sequestro

Estelionatário telefona para vítima e simula ter sequestrado um parente, geralmente filho. Para dar mais veracidade ao golpe, outro golpista grita ao fundo da ligação, chorando e pedindo socorro. Geralmente a própria vítima, apavorada, informa o nome do filho ao estelionatário. O falso sequestrador exige que a vítima deposite dinheiro - geralmente altas quantias - em determinada conta bancária sem desligar o telefone, para evitar que a vítima tente contato com o familiar.

Prêmios da TV

Vítima recebe SMS informando ter sido premiada por programas conhecidos da emisso TV, como Domingão do Faustão e Caldeirão do Huck. Na mensagem, há um telefone para a vítima entrar em contato. Homem que atende ligação pede para a vítima depositar determinada quantia em troca do prêmio, mesmo método do golpe da recarga premiada

Recarga premiada

Vítima recebe mensagem de SMS informando ter sido premiada pela operadora de celular com R$ 30 mil e um carro zero quilômetro e pede que a vítima entre em contato com um telefone celular que seria da empresa. Ao ligar para o telefone, o homem pede para que a vítima pague uma taxa para que o prêmio seja liberado e fornece número de duas ou três contas bancárias para o depósito. O golpista chega a depositar envelope vazio no caixa eletrônico para que conste o depósito do valor do prêmio no extrato bancário da vítima. Ela só se dá conta do golpe no dia seguinte, quando não há mais tempo de cancelar a operação no banco


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