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25/03/2014 - UOL Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Falso olheiro tira garoto do futebol e o leva ao mundo do crime

Por: Adriano Wilkson e Bruno Thadeu


Foram necessários alguns meses para aquele homem convencer a família a levar o garoto embora. Ele sempre estava no campinho onde os moleques jogavam bola quase todo dia, e havia um garoto, aquele garoto, que todos diziam que seria jogador profissional.

O homem, Marcilon Lobo, disse que era olheiro, que trabalhava no Paysandu e que Marcos* tinha mesmo futuro, que ele podia arranjar um contrato em Belém, que ele o ajudaria a ser jogador. Mas, como Marcos tinha apenas 15 anos, ele precisava da autorização da família para a viagem.

As promessas de um futuro brilhante, de muito dinheiro, de uma mudança completa naquela vida simples se estenderam do garoto aos pais.

E depois de muita conversa, muito charme e alguns documentos falsos que procuravam atestar a identidade do olheiro, ele conseguiu que a mãe permitisse que o filho fosse embora, tentar o sonho de quase todo menino, dar certo na vida.

Juntos, Marcilon e Marcos partiram de Redenção, no Sul do Pará, uma cidade com ruas de barro e avenidas com largos canteiros centrais cuja população é uma mistura de goianos, maranhenses e sulistas de todos os sotaques.

Mas eles não foram a Belém. Marcilon não era um olheiro. Marcos não virou jogador. Ele nem sequer chutou uma bola pra valer no ano inteiro em que ficou longe de casa. Ninguém sabia onde ele estava. Na cidade, pipocavam as mais terríveis teorias.

Ele telefonava eventualmente. Às vezes, dizia que estava tudo bem, mas a mãe sentia que ele não estava sendo sincero.

Ela foi à polícia denunciando que seu filho estava desaparecido. A polícia não tinha pistas. Ela recorreu à imprensa. "Imagine o que é uma mãe que há um ano não dorme direito, que perdeu a alegria pela vida", disse a uma emissora de TV. O sumiço do garoto deu repercussão na região.

Semanas depois, no dia 24 de janeiro deste ano, Marcos apareceu. Estava sozinho, em uma delegacia de polícia de Castanhal (PA), quase 1.000 quilômetros longe de Redenção. Dizia que, no vizinho Maranhão, tinha conseguido fugir do homem que o mantinha preso.

Foi finalmente levado a Belém, a cidade onde ele deveria ter ido desde o começo. Falou com policiais, psicólogos e conselheiros tutelares. Contou que, enquanto sua mãe morria de preocupação em Redenção, ele era obrigado a fazer coisas que não queria na companhia do homem que o levou, como usar documentos falsos.

Contou também que o homem praticava outros atos criminosos, que enganava as pessoas, o que ele achava estranho, mas o que ele podia fazer? Contou que quando tentava ir embora, era ameaçado pelo homem.

Investigado, Marcilon revelou-se alguém que já tinha passagem pela polícia por estelionato: ele vendia planos de saúde falsos e fugia com o dinheiro das vítimas. Não tinha um endereço fixo; era um "nômade do crime", de acordo com a definição da delegada Viviane Carvalho Flores, que cuidou do caso em Redenção.

A polícia concluiu que o homem continuou praticando os crimes na presença do menino.

Com base em entrevistas, a polícia enquadrou o crime cometido por Marcilon contra Marcos como corrupção de menores, descrito no artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente assim: "Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la".

Agora eles estão em busca do acusado, embora não tenham pistas do seu paradeiro.

Marcos chegou a se consultar com um psicólogo da cidade e hoje, dois meses depois, parece ter se recuperado da aventura frustrada.

Seu perfil no Facebook é cheio de piadas, de fotos dele, de selfies, de garotas, de amigos, de seu time de futebol em pose de campeão, todos de uniforme, abraçados, sorrindo, como se nada tivesse acontecido, como se o ano passado não tivesse existido. Bola pra frente.

OUTRO CASO - Uma pessoa que se dizia treinador e agente de jogadores foi presa na semana passada acusada de estelionato. Daniel Magnum Nunes da Costa, de 28 anos, trouxe 34 jovens de Fortaleza, de 14 a 19 anos, para uma casa alugada em São Bernardo. Aos garotos foi feita a promessa de que atuariam em clubes grandes de São Paulo, mas não existia qualquer acordo com os times. O acusado cobrou dos pais dos jovens R$ 2 mil a R$ 2,5 mil para firmar "contratos". A mensalidade era de R$ 350. A polícia investiga se houve abuso sexual. Daniel foi denunciado por maus tratos, estelionato, estupro de vulnerável, falsificação de documentos particulares e falsificação de documentos públicos. Daniel já tem passagem pela polícia por roubo. Ele foi detido em flagrante, enquanto falsificava identidade de um dos jovens. O falso treinador está detido no Centro de Detenção Provisória de São Bernardo.

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