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14/02/2014 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Falsificação de documento representa 75% das fraudes registradas em MG

Equipe do Jornal Hoje encontrou várias formas de obter documento falso. A cada 15 segundos alguém tenta cometer a fraude no Brasil, diz Serasa.

Falsificadores de documentos estão usando informações de cidadãos brasileiros para emitir carteiras de identidade que não tem validade alguma. Em uma volta rápida pelo centro de Belo Horizonte, capital mineira, a equipe do Jornal Hoje encontrou vários grupos oferecendo documentos falsos.

De acordo com a Serasa, a cada 15 segundos alguém tenta cometer uma fraude usando documentos falsos no Brasil. São tentativas de golpes como abrir uma conta bancária com dados de outra pessoa, pedir financiamento e cartões de crédito usando o nome de terceiros ou comprar uma linha de telefone com as informações de outro. Em muitos casos, a conta fica para a vítima pagar.

Na Praça Sete, a mais movimentada de Belo Horizonte, a equipe do Jornal Hoje usou uma câmera escondida para chegar aos falsificadores sem despertar desconfiança. Um dos homens se apresenta como o intermediário para fornecer uma carteira de identidade falsificada. O documento deveria ser emitido pelo órgão de segurança pública do estado. Na primeira abordagem, um rapaz aponta o caminho:

- Compra a identidade dele na mão dele, pronto.
- Mete uma foto nela. É só você plastificar ela de novo e colocar negócio, quer ver, ó?
- Vai ter que tirar a foto aí, ó.
- Mas quanto você vai me vender?
- Ah, véio, me dá uns 40 reais nela aí.

Outro ambulante oferece um RG feito sob encomenda, com papel que ele diz ser original e cobra caro. “R$ 1.200 dá pra fazer pra você. Você dá um sinal de R$ 600. Tem quase trinta anos que eu trabalho aqui.”

Na praça ainda é possível conseguir comprovante de endereço e contracheque, para comprovação de renda, com o mesmo nome que virá na carteira de identidade. “Faz um contracheque num valor de uns R$ 1.800 por mês que você ganha. Com desconto de passagem, vale-transporte, desconta almoço, tem tudo descontadinho no contracheque, original. Aí cai de uns R$ 1.800, cai pra uns R$ 1.500.”

Nem a presença da Polícia Militar inibe os vendedores.

Produtor: A gente ficar aqui assim não é perigoso, não?
Vendedor: Não, vamos ali anotar os negócios aqui.

Na entrega do documento, ele tenta enganar:

Vendedor: Aqui pra você ver. Do mesmo jeito, aqui ó, está escaneado, está vendo? Escaneado, tudinho igualzinho da identidade mesmo, olha pra você ver.
Produtor: A sua é menor, tá vendo? Aqui. Coloca aqui. Tá vendo? Debaixo do outro. Tá vendo?
Vendedor: Vou lá buscar no tamanho original, então. Falou?

O homem volta com uma carteira de identidade que diz ser original. “Agora é quente, pelando”. O documento está sem fotografia, para o comprador colocar a foto que quiser. “Coloca o dedão, assinatura, está vendo aí? E atrás aí, ó.”

Ele ainda oferece outros serviços: “pra você conseguir uma carteira de motorista no nome dele, você vai ter que vir, vai ter que tirar uma foto sua. Você me dá ela e vê quanto que os caras cobram lá. Diploma também, nós arruma (sic).”

A pedido do Jornal Hoje, a perita judicial Glaura Malheiro Vidal Trindade analisou o documento e constatou que o papel não é original. Contudo, isso só foi possível com a ajuda de equipamentos especiais.

“A olho nu passa, é uma falsificação perfeita, tem imitações de vários elementos de segurança. Com esse documento a pessoa, o portador conseguiria abrir contas em bancos, abrir crediários, fazer compras em lojas, em estabelecimentos comerciais, e talvez até tirar outros documentos porque os conferentes na maioria das vezes não têm tempo e não tem aparelhagem necessária para fazer uma análise.”

A Polícia Civil confirma que os dados da carteira de identidade são verdadeiros. A pessoa realmente existe, tem 29 anos e mora no interior de Minas Gerais. Ela não possui antecedentes criminais e nunca fez um boletim de ocorrência sobre a perda de documentos. Mesmo assim, informações pessoais como nome dos pais, data de nascimento e CPF foram parar nas mãos de criminosos.

O delegado-chefe da divisão de fraudes Vicente Ferreira Guilherme ficou surpreso com a qualidade da falsificação do documento. “Se ela tivesse plastificada eu dificilmente conseguiria falar se isso é verdadeiro ou falso.”

O documento foi entregue ao delegado-chefe da divisão de fraudes da Polícia Civil de Minas Gerais que vai investigar o caso. A pena para o crime de falsificação é de dois a oito anos de prisão. Quem usa o documento falso também pode ser condenado - a pena vai de dois a seis anos.

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