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01/02/2014 - Cenário MT / Veja Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Conheça o manual de propina da Alston

Por: Alexandre Aragão

Documento da empresa francesa investigada no Brasil por envolvimento no cartel dos trens ensina o caminho para subornar responsáveis por licitações.

A empresa francesa Alstom é, ao lado da alemã Siemens, o principal alvo de investigações sobre pagamento de propina para a obtenção de contratos nos sistemas de transportes sobre trilhos dos governos federal, de São Paulo e do Distrito Federal. Há ramificações da apuração na França e na Suíça.

No caso da Alstom, se ainda havia dúvidas se a corrupção era uma ação isolada de funcionários ou prática institucional da empresa, agora não há mais. Um documento de três páginas, obtido por VEJA, explica aos dirigentes envolvidos em contratos com governos como se deve pagar propina para vencer licitações. O documento foi produzido por um executivo da Alstom em 1997 e anexado a um processo na França pelo ex-diretor comercial da empresa André Botto.

O manual da propina da Alstom é dividido em cinco itens e utiliza eufemismos para justificar sua existência — como o que diz que o “objetivo (do documento) é definir modalidades práticas de pagamento de comissões a terceiros”. Logo no início, há uma recomendação para evitar que o esquema seja descoberto: é necessário “manter a confidencialidade indispensável a esse tipo de operação”. O guia recomenda ainda que os envolvidos não deixem rastros da propina nos registros fiscais da empresa. Assim, subornos viram pagamentos de “comissão”, cujos valores têm de ser devidamente registrados em contratos de “consultoria e suporte”. Esses contratos, reza o documento, necessitam ter um texto-padrão e ser assinados pelo diretor financeiro da companhia. As subsidiárias da Alstom, como a Cegelec, também eram orientadas a seguir o guia prático de corrupção da empresa.

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