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29/01/2014 - Congresso em Foco Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Senador Eduardo Suplicy quase cai em golpe em ligação de suposto presidiário

Por: Maria Lima

Depois de ligar para parlamentar e pedir R$ 1,4 mil para ajudar um sobrinho que estaria com o carro enguiçado, homem tenta enganar repórter e conta como obteria telefone na cadeia.

BRASÍLIA — Na última sexta-feira, quando estava em Madri dando palestras sobre seu projeto de renda mínima, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi alcançado por uma ligação de um rapaz do Brasil, dizendo ser seu sobrinho Sérgio, que o senador logo entendeu ser Sérgio Suplicy Goes. O rapaz contou que seu carro havia quebrado e precisava que ele depositasse uma quantia em dinheiro para pagar os mecânicos. O senador quase se tornou mais uma vítima de um golpe orquestrado de dentro de presídios: encaminhou a negociação no sábado, por meio de secretárias, acertando o depósito para um mecânico de Alexânia (GO); mas sustou o pagamento após descobrir o golpe, ao checar com o sobrinho Sérgio.

No sábado, o mesmo criminoso tentou aplicar o golpe na repórter do GLOBO. Desmascarado, deu detalhes sobre o funcionamento da “firma”, dentro da Penitenciária de Cascavel, no Distrito Federal. Disse que ligaria depois para contar de um golpe que estava aplicando em um senador. Segundo “Leandro”, outro nome usado por ele, os celulares são levados ao presídio por policiais.

Na segunda-feira, ele ligou novamente para a repórter, para detalhar o golpe que tentou aplicar em Suplicy, que chamou de “papito”, como o senador é chamado pelo filho Supla, e de “gente finíssima”. Na conversa, contou que, quando Suplicy descobriu que era um golpe, ficou muito bravo, mas não o xingou. Disse que, numa das conversas, colocou no viva-voz para que os companheiros de cela ouvissem a falação de Suplicy.

— Ô cara amarrado, viu? — reclamou na conversa de segunda-feira, sobre a dificuldade nas negociações com Suplicy para que o depósito fosse feito: — Ele falava como se estivesse no Senado, a mesma coisa! É um diplomata! Mas conversa demais, viu? Eu botei no viva-voz, e todo mundo ficou escutando.

Segunda-feira, já em San Sebastian (Espanha), Suplicy confirmou o golpe ao GLOBO. Disse que, como tem dezenas de sobrinhos, não desconfiou, a princípio. A ficha só caiu quando as secretárias, no Brasil, averiguaram com o verdadeiro Sérgio Suplicy, que negou o caso do carro quebrado.

— Ele tentou me aplicar o golpe, mas eu consegui sustar (o pedido às secretárias) depois de verificar que ele estava tentando me enganar. Disse que estava nas cercanias de Brasília, o carro quebrou e precisava do depósito. Mas depois foi aumentando a quantia cada vez mais, até chegar a R$ 1.400, e eu desconfiei. Sábado, ele ligou de novo, e ficou acertado que o pagamento seria feito na segunda-feira. Mas, depois que as secretarias averiguaram e viram que era golpe, eu pedi o endereço do mecânico em Alexânia e disse que ia mandar a polícia lá — contou Suplicy, ressaltando que vai fazer um boletim de ocorrência quando chegar ao Brasil.

Até a segunda-feira à tarde, quando ligou para a repórter do GLOBO para contar do golpe no senador, “Leandro”, ou “Sérgio”, acreditava que tinha enganado mais um trouxa. Disse que ele tinha depositado a “mixaria”, “valor insignificante”. E que estava só “curtindo” às custas dele:

— Estou fumando do bom e do melhor. Comendo do melhor, e ele está pagando!

E disse ter ficado fã do senador petista:

— É uma pessoa finíssima! Se tiver oportunidade de estar junto dele, quero mandar uma cortesia para ele, uma lembrança para ele. É uma pessoa pública que a gente encontra fácil em qualquer lugar do mundo. Faço questão de estar retribuindo isso para ele.

Disse que está preso em Brasília, mas vota em São Paulo, terra de Suplicy. Sobre como consegue os celulares para dar os golpes, contou que compra dos policiais e que tem chip de todos os estados. Depois de um tempo de uso, acrescentou, os celulares são regularmente quebrados para não serem localizados.

— Uma hora eu uso DDD 062, outra hora sou lá do Rio Grande do Norte, coloco 085, chip do Brasil inteiro, do Amapá ao Rio Grande do Sul, de uma ponta a outra. Esse que estou falando com você amanhã não tem mais, vou quebrar. Não, vou vender para outro prédio bem longe daqui — contou.

Perguntado se tinha condenação por algum outro crime, o golpista não respondeu:

— Sou uma pessoa de vida louca. Sou uma pessoa que você pensa que não é, mas é... tenho que desligar, está na hora do confere aqui — disse o golpista, dando a entender que estava na hora da vistoria da polícia na ala em que estava.

Ele contou ainda que faz uma média de 600 ligações por dia, com dois celulares, um para ligar e outro para receber. E tem dois cadernos para fazer as anotações, porque é muita informação na cabeça. Dos 600, disse, uns 300 retornam, xingam muito, e alguns fazem o depósito.

Celular não é encontrado em presídio há 2 anos, diz secretaria

A Secretaria de Segurança Publica do Distrito Federal afirmou que foi solicitada apuração sobre as apreensões mais recentes de celulares em cadeias do DF e que informações preliminares apontam que há mais de dois anos um celular não é flagrado dentro de um dos presídios do DF. Mas o órgão destaca que no ano passado foram apreendidas “pequenas peças” levadas por visitantes, que foram recolhidas durantes as revistas que são feitas diariamente. A Secretaria não informou que tipo de peça são essas.

Segundo o órgão, não é rotineiro encontrar esse tipo de material e o uso de scanners corporais aos quais os visitantes são submetidos houve redução "bastante significativa" na tentativa de visitantes burlarem as regras. Não foram dados números dessa redução.

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