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03/12/2007 - SindBancarios Porto Alegre / Zero Hora Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Roubos a banco: Do cano da arma ao fio do mouse


A mais nova geração de ladrões de banco aposentou a arma de fogo e, sem sair de casa, enche os bolsos com fortunas garimpadas com os dedos no mouse. Para especialistas, os prejuízos causados pelos golpes virtuais no Brasil já superam as perdas com os tradicionais assaltos, que caíram 64,5% nos últimos sete anos no Brasil.

Em quatro décadas, criminosos vêm driblando a lei e os mecanismos de segurança dos bancos para invadir as agências pela porta da frente. Agora, de olho na rentabilidade proporcionada pelos crime cibernéticos, conhecidas quadrilhas de assaltantes de banco contratam crackers (hackers que usam conhecimento tecnológico para cometer crimes) para violar contas e desviar milhões de reais a partir de qualquer canto do país.

Em 2003, as fraudes bancárias no país somavam R$ 160 milhões. Atualmente, passam dos R$ 300 milhões anuais.

O fenômeno se repete além das fronteiras. Levantamento do Banco Mundial revela que as quantias desviadas pelos golpes virtuais já ultrapassam os lucros do tráfico internacional de drogas.

Estudo do FBI (a Polícia Federal dos Estados Unidos) diz que, em um assalto a banco, são roubados, em média, o equivalente a R$ 27 mil, e os assaltantes têm 75% de chance de serem presos. Em um golpe virtual, a média desviada é de R$ 1,8 milhão, e o risco de prisão é de 5%.

No Rio Grande do Sul, entre 1º de janeiro e 31 outubro deste ano, ocorreram 87 assaltos a postos e agências bancárias, e 84 suspeitos foram presos pela Delegacia de Roubos e Extorsões. Na mira de armas de fogo, foram roubados cerca de R$ 2,5 milhões, segundo cálculos de autoridades policiais gaúchas.

Em contrapartida, em apenas três dias de novembro, uma quadrilha de crackers desviou quase R$ 1 milhão, causando transtornos para 450 correntistas do Banco do Brasil que vivem na Grande Porto Alegre. Dias antes do rombo nas contas, os golpistas instalaram equipamentos de clonagem em caixas eletrônicos espalhados por supermercados, shoppings e universidades da Região Metropolitana e do Vale do Sinos.

Câmeras acopladas aos visores dos terminais gravaram imagens de três homens que, por diversas vezes, acessaram as máquinas. A suspeita é de que sejam do centro do país.

As quadrilhas mais sofisticadas costumam enviar e-mails com programas espiões para copiar dados de correntistas que acessam as contas pela internet.

- Eles (ladrões) têm um computador robô que manda 1 milhão de mensagens por dia. Se conseguir dados de 20 mil contas e sacar dinheiro da metade delas, imagina o tamanho do prejuízo. Não tem comparação com um assalto normal - afirma o delegado Adalton de Almeida Martins, da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal (PF), em Brasília.

SP deu início à transformação de assaltantes em crackers

A fraude se multiplica por causa da alta rentabilidade e do baixo risco de prisão. Considerado um crime menor se comparado a um roubo a mão armada, o golpe se enquadra como estelionato, furto e formação de quadrilha, cujas penas máximas são de cinco anos.

- Nesses casos, o mouse se tornou mais perigoso do que uma arma de fogo - acrescenta Adalton.

Nos últimos dois anos, a PF prendeu mais de 700 ladrões de contas no país. Mas significativa parcela está solta, lamenta o policial.

Para o delegado José Mariano de Araújo Filho, da Polícia Civil paulista, a punição para os crackers deveria ser ampliada.

- É o tipo de criminoso mais perigoso porque usa a tecnologia para se manter no anonimato - observa Araújo Filho, da 4ª Delegacia de Investigações Gerais para Crimes Eletrônicos de São Paulo.

A metamorfose dos quadrilheiros em crackers começou em São Paulo, o Estado mais rico e por onde circula quase a metade da renda nacional. Ao mesmo tempo em que comemoram a redução dos assaltos às instituições financeiras, as autoridades estão alarmadas com o novo cenário criminoso.

- Se deram conta que é fácil conseguir informações pela internet e que não precisam mais arriscar a pele nas ruas. Podem ficar em casa tomando uísque, esperando o dinheiro - constata Araújo Filho.

O delegado diz que os golpes se alastram por causa da vaidade e do exibicionismo, característica comum a criminosos que ganham muito dinheiro:

- Os mais espertos ensinam os outros.

As instituições financeiras costumam indenizar os correntistas. Mas as fraudes sempre causam dor de cabeça às vítimas porque precisam comprovar o prejuízo.

- As operações não são seguras. Os bancos têm de investir mais - critica Juberlei Bacelo, presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) diz gastar R$ 1,2 bilhão por ano em tecnologia antipirataria e outros R$ 6 bilhões na proteção de 18 mil agências e 42,9 mil postos bancários. O incremento dos golpes pode implicar elevação das taxas bancárias.

Assaltos em queda

Estatísticas oficiais revelam que os assaltos a banco estão em queda no país. Conforme dados da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), ocorreram 674 roubos no ano passado, um terço do número registrado em 2000 (1.903).

A entidade atribui a redução a investimentos em equipamentos de segurança e a trabalhos de prevenção em parceria com as autoridades da área de segurança pública.

No Estado, entre 2004 e 2006, houve crescimento de 14,28%, com média de 10,6 casos por mês, no ano passado. Neste ano, a média caiu para 8,7 roubos mensais. Segundo o delegado Heliomar Franco, da Delegacia de Roubos, a retração tem a ver com as 84 prisões realizadas neste ano.

Juberlei Bacelo, do Sindicato dos Bancários da Capital, diz que assaltos ocorrem com freqüência porque bancos descumprem a legislação.


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