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24/10/2013 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Polícia do RN indicia casal suspeito de fraudar NNex em R$ 3,5 milhões

Operação Binário Perfeito prendeu empresário e advogada no Seridó. Empresa de marketing multinível denunciou esquema.

O delegado de Defraudações e Falsificações, Júlio Costa, indiciou o empresário Tarcísio Nóbrega de Mello Júnior e a advogada Rafaela Pereira de Mello pelos crimes de furto qualificado e estelionato. O casal é suspeito de usar serviços de hacker para se apropriar indevidamente de mais de R$ 3,5 milhões da empresa de marketing multinível NNex. O inquérito foi entregue nesta quarta-feira (23) à Vara Criminal da comarca de Caicó, no Seridó do Rio Grande do Norte, onde o casal mora.

Tarcísio, conhecido como Nando, e Rafaela foram presos no último dia 14 de outubro na BR-226, no município de Currais Novos, quando se dirigiam a Natal. A polícia cumpriu, então, mandados de prisão, busca e apreensão e sequestros de bens que foram expedidos pela Justiça após denúncia da empresa NNex e investigação prévia da delegacia especializada.

“O certo é que vários empreendedores digitais foram beneficiados pelo esquema criminoso comandado por Tarcísio, idealizado com o objetivo de operacionalizar todo o sistema de fraudes, cujas consumações foram interrompidas a partir da constatação do grande volume de movimentação financeira existente nas contas dos indigitados agentes”, diz o delegado no documento obtido pelo G1.

Para o delegado, os suspeitos cometeram estelionato em continuidade delitiva quando "mediante artifício, obtiveram vantagens ilícitas a partir das fraudes dos e-vouchers vips, mantendo em erro todos os empreendedores digitais referidos nesta espécie de golpe ao cobrar comissões pela operação fraudulenta".

Depoimentos

No seu interrogatório, Rafaela negou participação no esquema, afirmando que as contas que possuia junto à empresa eram operadas pelo seu marido. Ela afirmou que percebeu os valores mais altos recebidos nos últimos meses, porém "acreditou que tais valores eram referentes à antecipação de todos os lucros que iria auferir durante o prazo contratual". Ainda de acordo com o documento, "a interroganda escutava Nando falando com outras pessoas, pessoalmente ou por telefone, sobre falhas que estavam ocorrendo no sistema da empresa NNex, comentando inclusive que via comentários no Facebook sobre falhas no TI", diz.

No seu depoimento, Tarcísio afirmou que não "sabia informa se foi o responsável pelas transferências bancárias em que é acusado pela empresa". Ele contou que possuia cerca de dois mil afiliados em sua rede de marketing multinivel, porém percebeu que "a empresa chegou a manipular o sistema de informações excluindo de sua rede cerca de 700 afiliados em detrimento e em prejuízo".

Questionado se percebera os valores exorbitantes que começaram a entrar em sua conta, ele disse que viu "várias disparidades que ocorriam no momento que eram solicitados os saques no banco virtual, atribuindo tal fato a falhas do próprio sistema, uma vez que nega haver praticado fraudes em seu escritório virtual".

Testemunhas

Consta no inquérito, entregue a justiça, depoimentos de testemunhas ouvidas pela polícia durante a investigação. Em um dos casos, uma pessoa diz que Rafaela à convenceu a abrir mais duas contas, além da que já tinha, na NNex. Dias depois, recebeu a informação, dessa vez de Tarcísio, que eles conseguiram uma senha que liberaria um dinheiro que só seria recebido futuramente. Para tanto, ela precisaria pagar uma comissão ao empresário. A testemunha contou que, como não desconfiou de golpe, aceitou a proposta.

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