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28/09/2013 - Expresso Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Medicamentos falsificados aos milhões da China para Angola

Partindo de uma grande apreensão em Angola, os repórteres procuraram reconstituir a cadeia de abastecimento e chegaram até Guangzhou, na China. Leia na edição de outubro, já nas bancas.

Quando revistaram um contentor proveniente da China, funcionários aduaneiros de Luanda encontraram 1,4 milhões de caixas de comprimidos de Coartem contrafeitos, escondidas numa remessa de altifalantes. O Coartem é um antipalúdico fabricado pelo gigante farmacêutico suíço Novartis.

A descoberta resultou numa das maiores apreensões de sempre de medicamentos falsificados. Se fossem autênticos, estes comprimidos teriam permitido tratar mais de metade dos casos de paludismo registados anualmente em Angola.

Este caso ilustra a proliferação de medicamentos contrafeitos, que ameaça comprometer anos de progressos no combate ao paludismo em África. Alguns programas alargados de ajuda ocidental financiaram a compra de milhões de doses de Coartem e, também, a distribuição de mosquiteiros tratados com repelente de insectos e de insecticida para pulverização.

Menos um terço de vítimas

Os especialistas consideram que esta conjugação de esforços contribuiu para reduzir significativamente o número de mortes causadas pelo paludismo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), nos últimos dez anos, o número anual de vítimas mortais do paludismo em África diminuiu um terço, situando-se agora nas 600 mil. Mas, no entender do ministro da Saúde angolano, José Van-Dunem, a avalancha de contrafações de antipalúdicos, que considera ser "um novo fenómeno", poderá induzir a "uma reversão da situação" no combate a esta doença tropical.

Todos os anos, a infeção é diagnosticada em mais de um angolano em cada dez. Por isso, a medicação faz parte do quotidiano da população. Se não for tratada, esta doença pode ser fatal nas grávidas e nas crianças com menos de cinco anos, acrescenta José Van-Dúnem. Não existem estatísticas dos óbitos associados a medicamentos falsos, mas as autoridades sanitárias receiam que algumas mortes sejam erradamente atribuídas a outras causas.

Falsificação total

Os adultos que apresentem sintomas de paludismo devem tomar 24 comprimidos de Coartem, ao longo de um período de três dias. Os medicamentos contrafeitos apreendidos em Luanda não continham nenhum dos princípios ativos do Coartem. Uma cópia da análise realizada pela Novartis, e verificada pelo Wall Street Journal, revela que a composição dos comprimidos apreendidos integra fosfatos de cálcio, ácidos gordos e pigmento amarelo.

Grandes quantidades de Coartem genuíno são distribuídas em África, no âmbito de programas apoiados por governos ocidentais. Esses comprimidos são fornecidos gratuitamente por dispensários públicos ou vendidos por farmácias credenciadas por cerca de cinco dólares [menos de 4 euros] cada caixa de 24 unidades. Algumas caixas roubadas dos estabelecimentos públicos são também revendidas nas ruas.

Sejam autênticos, contrafeitos ou roubados, os antipalúdicos têm grande visibilidade nos mercados de Luanda.

Leia mais na edição de outubro do Courrier Internacional, já nas bancas.

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