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02/10/2013 - Portal Terra / EFE Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Relatório da Transparência diz que corrupção está disseminada na educação


O setor da educação se encontra em nível mundial "gravemente" afetado pela corrupção, fenômeno que constitui "uma realidade estendida e permanente", segundo o "Relatório Global da Corrupção", apresentado simultaneamente em vários países do mundo esta semana.

O estudo, da organização Transparência Internacional (TI), propõe estratégias para combater o fenômeno e preparar as novas gerações a combatê-lo.

Desvio de fundos nacionais destinados à educação, de ajudas internacionais, custos escolares ocultos e compra e venda de qualificações e títulos fictícios são algumas das práticas corruptas no setor que se dão em muitos países, segundo o relatório.

Assim, quase uma de cada cinco pessoas no mundo subornou em troca de serviços educativos ano passado, uma proporção que nos países mais pobres chega a uma de cada três, destacou o professor Jesús Lezcano, catedrático da Universidade Autônoma de Madri e presidente de Transparência Internacional Espanha.

Além disso, de cada US$ 100 da cooperação internacional dedicados a fomentar a educação, somente US$ 5 chegam para seu propósito fim, por causa da burocracia, da má organização e do desvio.

O estudo cobra que governos, organizações internacionais, empresas e sociedade civil assegurem que as políticas educativas em nível mundial promovam medidas de governabilidade efetiva.

Neste sentido, Lezcano pediu a Unesco que se esforce um pouco mais para que o conhecimento da Declaração Universal de Direitos Humanos seja uma disciplina obrigatória nas escolas.

O acadêmico de Ciência Política Manuel Villoria, membro do Comitê Executivo da TI Espanha, assinalou que o âmbito educativo é muito propenso à corrupção, já que em torno dele se movimenta muito dinheiro.

E as consequências podem ser "terríveis", disse, e deu o exemplo de países nos quais é possível comprar o título de arquiteto ou de médico, e onde "milhares" de vidas podem se ver afetadas.

A corrupção na educação também gera pobreza e desigualdade, já que os mais pobres não podem arcar com o pagamento de subornos comum em muitos países, denuncia o relatório.

Uma das recomendações gerais do relatório é a necessidade de entender a educação como ferramenta indispensável na luta contra a corrupção. Por isso, pede aos organismos internacionais que estabeleçam políticas de "tolerância zero" contra a corrupção no setor educativo.

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