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28/08/2013 - CNASI Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Na crise, fraudes e outros ilícitos tendem a aumentar

Por: Mário Sérgio Ribeiro


Ontem, 26 de agosto, pela mídia escrita e falada, o ministro Guido Mantega disse que “estamos vivenciando uma mini crise” e em um bom tom político, “que deve ser passageira…”. Não era preciso o ministro se pronunciar, pois indicadores demonstram que as coisas não vão lá muito bem, e ele não explicou muito bem o que é esse passageira, mas …

Em momentos como esses as pressões aumentam sobre todos, notadamente as de cunho financeiro, cutucando motivações, que porventura, não existiam ou estavam adormecidas. Quem já estava pressionado por problemas econômicos, é o primeiro a sentir na pele a crise. Quem ainda não estava, e se a crise se prolongar, pode vir a fazer parte do primeiro grupo.

Então, no mínimo um alerta deve ser dado às empresas públicas e privadas: avaliem seu risco da fraude e ilícitos semelhantes. Momentos como esse, em que uma crise financeira se instala, ampliam a exposição ao risco de fraudes e, empresas que tem baixo nível de maturidade no combate à esses ilícitos, estão bem mais expostas.

Para fundamentar o que comentamos vamos utilizar o trabalho de um famoso criminologista da década de 50, Donald Cressey. Para Cressey, uma pessoa é levada a cometer uma fraude – por minha conta, qualquer ilícito semelhante como sabotagem, corrupção, suborno, vazamento de informação, etc. – obedecendo à regra de um triângulo. Veja a figura:
Triângulo da Fraude


Figura 1 – Triângulo da Fraude – Donald Cressey

Pela figura, as fraudes ocorrem com os três vértices atuando de forma harmônica. Vejamos:

Pressão/Motivação:

Por uma pressão (que pode ser financeira) ou motivado por algo, como uma vingança, o potencial fraudador é “empurrado” pouco a pouco para encontrar a oportunidade que possa acabar com a pressão/motivação que o move.

Olhando o contexto desse artigo, a presença da crise pressiona alguém que já esteja em uma delicada situação financeira e dia a dia cresce a motivação para fazer algo que solucione o que está lhe pressionando. Se estivermos falando de uma empresa onde existem estatísticas de ilícitos cometidos e que nada foi feito para combatê-los, a motivação cresce positivamente ao potencial perpetrador.

Alguns exemplos de pressão em nosso contexto podem ser:

  • Sem condições de pagar contas fixas já atrasadas;
  • Dívida relacionada com pensão alimentícia;
  • Pressionado por agiotas ou agentes semelhantes;
  • Dívidas contraídas por conta de jogo ou por vício.

Oportunidade

Em uma ótica da fraude ocupacional (o colaborador tem um cargo na empresa), esse potencial fraudador começa por procurar oportunidades onde trabalha e pode vir a perpetrar a fraude. Ele vai atrás de onde não existem controles ou onde os controles internos são frágeis para poder agir com segurança e se dar bem.

A oportunidade interna que falamos é proporcionada pela empresa, pela ausência das melhores práticas com relação ao risco de uma fraude e pela implantação dos controles que mitiguem o cometimento do ilícito. Entre tantos aspectos, a falta de uma área estruturada que realize o devido Combate a Fraude, auxilia o trabalho do perpetrador. Ter os controles implantados e operando de maneira como especificado, pode mitigar e muito o risco da ocorrência de um ilícito.

Alguns exemplos de oportunidades:

  • Inexistência de segregação de funções;
  • Controle de acesso lógico sem a devida observância da classificação da informação e de controles de autenticação segura;
  • Inexistência de políticas e códigos de ética que de fato dissuadam o potencial perpetrador;
  • Falta de controles de acesso físico projetados para a chamada autenticação segura

Racionalização

E no último vértice temos a Racionalização. Como a maioria dos fraudadores não se vê como um criminoso, eles se veem como uma pessoa honesta pega em más circunstâncias, ele pode justificar o crime para si de uma forma que julgue ser o ato aceitável. Isso foi postulado por Cressey como a Racionalização.

Enquanto o perpetrador pode racionalizar o crime para si antes de cometê-lo, depois do ato realizado, a racionalização anteriormente realizada, muitas vezes pode ser abandonada. Os perpetradores muitas vezes iniciam com pequenos roubos ou falsificações e gradualmente aumentam em tamanho e frequência.

Alguns exemplos de Racionalização podem ser:

  • A pessoa acredita que perderá alguma coisa – família, casa, carro – se ele não levar o dinheiro da fraude;
  • A pessoa acredita que cometer fraude é justificado para salvar um membro da família ou alguém amado;
  • A pessoa etiqueta o roubo como “tomando emprestado”, e intenciona pagar todo o dinheiro roubado de volta.
  • A pessoa é inapta para entender ou não se importa com as consequências de suas ações ou de aceitar noções de decência e confiança.

Em função do que escrevemos no início desse artigo, toda e qualquer organização hoje em dia tem pessoas com pressões e motivações suficientes a cometerem um ilícito, como uma fraude; em uma crise que se instala, as pressões e motivações aumentam de forma substancial e tendem a crescer com o prolongamento da crise.

Resta à organização criar mecanismos para mitigar esses riscos. Se não existe em sua estrutura a Prevenção, Detecção e Investigação desses ilícitos é preciso criá-los, e urgente. Aguardar que algo aconteça para sair correndo atrás, nos dias atuais, é pura negligência. Acreditem, mas muita empresa pensa que se não há estatística, o risco é zero. Isso é uma grande falácia! É necessário atuar preventivamente e ganhar “musculatura” em seu nível de maturidade no combate à fraude e ilícitos semelhantes.

Esperamos dos gestores, públicos ou privados, um rígido compromisso com seus controles internos como demonstração inequívoca de sua Governança Corporativa. Um momento como esse, mais do que nunca, exige esse tipo de atuação.

Um abraço e até a próxima!

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